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Anarcopunk na Bahia | Mais Seis Anos de Organização e Luta (1996)

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Ontem recebemos este artigo que o amigo Nal encontrou no fundo do baú punk! O texto foi escrito em 1996, e relata todo um importante momento para as movimentações anarquistas e punks de fins dos anos 80 até meados dos anos 90 na cidade de Salvador. Um momento que marca o aprofundamento da ligação entre o punk com o anarquismo, que tem como fruto o surgimento de diversos coletivos e atividades, e ainda a organização de coletivos anarco-feministas.

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Mais Seis Anos de Organização e Luta (1996)

Com o final do jornal “Inimigo do Rei” e o fechamento do CDPA (Centro de Documentação e Pesquisa Anarquista) em 1989 o anarquismo em Salvador ficou órfão de grupos que levantassem sua bandeira de forma militante e revolucionária. Mas, ao mesmo tempo sentia-se no ar um clima favorável à criação de novos grupos. Em 1989 surgiu a FARPA, que seria o pioneiro dos vários grupos de bairro que apareceriam depois. Porém o estopim de tudo que aconteceu foi a passeata “Caminhada pela Liberdade” em 06.01.1990, onde participaram cerca de 40 pessoas de vários bairros de Salvador, e dela resolveu-se criar o Movimento Punk Libertário, que fez sua primeira reunião semanal em 14.06.1990, dando início a uma história de luta, vontade, altos e baixos.

Naquela época tudo ao nosso redor fazia lembrar dos lugares de onde viemos, do nosso dia a dia estimulante para nos agarrarmos a luta com unhas e dentes, olhando um nos olhos do outro com a certeza do que queríamos e consciência do papel importante que tínhamos a cumprir.

Sem lengalenga, partimos para a ação direta com manifestações, panfletagem, concentrações, Campanhas, palestra (em faculdades, escolas, associações de moradores), seminários, debates, boletins e acampamentos, tudo tão intenso que tornou-se comum a presença Punk nas ruas de Salvador.

Todos esses trabalhos começaram a dar resultado de 1992 para 1993, com a multiplicação dos grupos para FARPA, MOV.PUNK LIBERTÁRIO, EXPLORADOS, ANARQUIA JÁ, MOV.PUNK DE BROTAS, MARS (Mov.Anti-Resistência da Sociedade), FAZENDA GRANDE COMUNIDADE LIBERTÁRIA, MOVIMENTO RAUL SEIXISTA, MOV.LIBERTÁRIO DE PAU DA LIMA, MOV.PUNK DE SÃO CRISTOVÃO, COMUNIDADE LIBERTÁRIA 11 DE NOVEMBRO, MOV.ANARCO-ESTUDANTIL.

Quase todos estes grupos uniram-se na FAMES (Federação Anarquista Metropolitana de Salvador) que deu ao movimento uma nova dinâmica, porque conseguiu unificar vários grupos e conduzir a luta com maior participação. (A Fames não durou muito também)

A essa altura o Movimento Punk Libertário se encontrava com cerca de duzentos militantes e uma frequência de 80 pessoas por reunião, resultando na tradicional passeata de 7 de setembro de 1991. Quando quase conseguimos estragar a festa de “Independência do Brasil”.

Esse crescimento extraordinário nos pegou de surpresa e completamente despreparados para organizar um movimento tão numeroso. Então os problemas começaram a surgir porque éramos muito ingênuos e inexperientes com luta social para compreender que os maiores inimigos estavam perto de nós, em nosso meio, em nossas entranhas, no ego, na intolerância, no fascismo, na brutalidade, na falta de iniciativa, na nossa incapacidade de cortar o cordão umbilical e a gangrena contaminada pelo germe.

Em 1994 a maioria dos grupos já tinham acabado, mas o Movimento Punk Libertário continuou firme, porém com o número de militantes reduzido. Para afirmar nossos princípios mudamos o nome para o MAP (Movimento Anarco Punk) e elaboramos um boletim de orientação, que provocou uma divisão e a criação do CARP (Coletivo de Ação e Resistência Punk). Em 1994 também foi criado o primeiro grupo Anarco-feminista, o ALMA (Associação Livre de Mulheres Anarquistas), com pouca duração, mas que marcou o fim da passividade feminina no Movimento. Outro grupo anarco-feminista foi o CIA (Coletivo Inimigas da Autoridade), criado em 1996. Atualmente estão ativos em Salvador o Movimento Anarco Punk, o Mov. Libertário de Pau da Lima, a Associação em Prol do Pensamento Libertário e o Coletivo Subverta.

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