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N´Drea – A Luta De Uma Mulher Para Morrer À Sua Maneira

> 45 págs. | 2,50

Texto editado em português recentemente pela Inconstância Ed., que relançamos agora pela Imprensa Marginal. Há alguns anos, quando entramos em contato com este escrito em espanhol, haviamos perdido um querido amigo anarcopunk que foi levado por um câncer fulminante, e ler este livro foi uma experiência bastante forte neste contexto. Este material fala exatamente das experiências de N´Drea, uma companheira que, enfrentando um câncer generalizado e sem expectativas para além de uma vida prolongada em meio a tubos, químicas e um leito no hospital, decide romper com todos os experimentos médicos a que estava sendo submetida e viver uma vida plena até o fim. Um texto com suas reflexões, experiências e porquês que passa por uma dura crítica ao sistema médico-hospitalar e industria farmacêutica e seu desejo de se manter no poder de si mesma até o final da vida.

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“Quando Andrea começa a redação deste livro, em maio de 1991, sofrendo de um câncer generalizado, sabe que não lhe restam mais do que quatro meses de vida. Cinco meses antes já havia tomado sua decisão: “Finalmente mandei toda a químio, presente e futura, à merda, chega! Farão seus experimentos sem mim!”

Frente a este despossuimento absoluto que é a morte, retomou o fio das negações que haviam determinado sua vida: “Havia fugido de tantas clausuras, antes de mais nada, do trabalho assalariado. Durante quinze anos, fora da lei, havia escapado do cárcere, mas não da doença”.

Ao invés daquela que está a ponto de afogar-se e imagina o filme daquilo que foi sua vida, Andrea se posiciona na liberdade: não como expectadora angustiada de suas experiências passadas, mas para atuar plenamente com o tempo que decide se conceder. “Morrer no hospital” Haviam confiscado meu fim, e assim, minha vida! Ser despojado de sua vida e de sua morte! O final da minha vida não deveria escapar de mim, ou com ele desapareceria todo o sentido que havia tido, o momento mais essencial, da significação, não me seria dado”.

Os Cangaceiros