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Anarcopunk na Costa Rica – Entrevista com Enemigxs del Enemigo

Entrevista feita com xs manxs Sharon e Spike, companheirxs anarcopunks da Costa Rica, que atualmente estão envolvidxs na banda Enemigxs Del Enemigo e na Aktitud Koherente DIYstro, e contaram pra gente um pouco sobre o histórico do anarquismo e anarcopunk no país, movidas na atualidade, as propostas da banda e tour recentemente feita no México, Encontro Internacional Anarcopunk, e outras coisas mais…

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Olá compas! Para começar, digam um pouco sobre como está atualmente a cena anarcopunk na Costa Rica! O que há de coletivos, bandas, atividades e iniciativas libertárias?

Saudações, bom, para começar te comento que a cena anarcopunk está passando de uns anos para cá por uma grande letargia, e desde então não voltou a se levantar há bastante tempo. Existem companheiros por aquí e ali, mas somos poucxs xs que estão fazendo coisas, se pode contar com os dedos das mãos. É uma questão que entre atividades temos já comentado em diversas ocasiões; são cada vez menos as bandas que tem um pensamento libertário, tenta-se fazer distintas atividades e concertos e cada vez são menos as pessoas interessadas no aspecto político do assunto, é mais pela festa do que pelo interesse e apoio às causas. Por exemplo, nos concertos se vê muito uma postura de “se não toco, não vou”, não se apoia nem se cria. Com a distro Aktitud Koherente temos realizado atividades, feiras de livro, feiras de material libertário, concertos, mostras de vídeo, etc., com nossa DIYstro também elaboro o zine Libertad en Papel e Sharon elabora o zine Crea Desobediencia, fazemos um trabalho com difusão, panfletando e colando cartazes por partes da cidade sobre diversos temas. Há companheirxs que fazem um periódico chamado A de Libertad, que quando começou faziamos parte e tinhamos uma sessão do espaço anarcopunk, mas por motivo de tempo e outros fatores nos retiramos e um companheiro está levando. E há ao menos dois anarcopunks que ainda colocam bastante coisa nesse periódico, e mutuamente nos apoiamos em várias atividades. Também tem Ke Ardan, a distro do companheiro Erland de Barrakas, que também lança um fanzine chamado Luciérnaga, que também tem sido feito já por bastante tempo, organiza concertos e está buscando formas de criar coisas, e uma organização chamada F.R.A.T. (Frente de Resistencia Animal e da Terra), que não é anarcopunk e nem se coloca como anarquista, mas é um grupo de individualidades entre as quais participam anarquistas, com tudo pela libertação animal. Estão trabalhando há alguns anos com o fechamento de um zoológico aquí no país, e a maioria das pessoas que te mencionei antes tem colaborado em apoio a algumas atividades delxs.

Mas fora isso não há nada, talvez um fanzine de um número, uma banda que dura um par de meses, com muitos problemas, que desaparece e talvez volta a se formar 2 ou 3 anos depois, toca um par de concertos e desaparece novamente, agregando-se o problema de que não há muitos espaços para fazer concertos e atividades. E fora os problemas internos seja de coletivos ou bandas, a apatia da população em geral cresceu muito, as pessoas não querem se esforçar para nada, nem participar de nada, há um problema muito grande, todos só querem fazer as coisas em redes sociais, mas nas ruas e na vida real não acontece nada – é só ver as pessoas que publicam e publicam e na hora da participação fisica sempre há desculpas, não podem ir por isso e isso, e que aconteceu isso… Várias bandas que se denominavam libertárias já não são, algumas tocam as vezes com uma mensagem social mas não passam das letras e dos concertos, não apoiam nada e nem participam de nada ou criam nada, só música, inclusive dizem que já não são anarquistas.

Na verdade me dá um pouco de tristeza que a primeira pergunta seja uma olhada em como as coisas por aquí estão mal, mas ainda vemos esperança, sabemos que existe algo ruim e juntxs vamos ver como conseguir melhorar. Agora que temos uma filha, vemos como ela gosta das atividades e sempre nos pergunta quando faremos mais, ou quando há atividades, e que venham mais crianças, e isso nos enche de alegria. Na última feira do livro tiveram muitas crianças e a maioria de companheirxs anarquistas, algo que nos emociona muito, e embora sejamos poucxs, sempre vão existir atividades e propostas, disso estamos segurxs.

Se for possível, nos conte também um pouco sobre a história do surgimento do anarcopunk nessas terras? Quando surgiu? E como se deu a atuação anarquista historicamente?

Para começar, vou escrever sobre como surgiu o anarquismo na Costa Rica – como na maioria dos países da América Latina, se introduziu no século XIX através de imigrantes italianos e espanhóis, encontando-se na origem do próprio movimento operário e sindical, se iniciam as primeiras greves e sociedades operárias de apoio mútuo influenciadas decisivamente pelo pensamento anarquista.

Em 1909 se constitui a sociedade federal de trabalhadorxs de Costa Rica, tinham a imprensa operária como meio de difusão do pensamento, e havia um movimento grevista de padeiros, com a finalidade da jornada de oito horas de trabalho, participavam anarcosindicalistas espanhóis como Juan Vera, que foi expulso do país a Porto Rico como consequencia deste movimento.

A principios do século XX começa a aparecer mais material literário e periódico como La Aurora Social, Renovación por um costariquence José Maria Zeledón e Anselmo Lorenzo, Germinal pelo Centro de Estudios Sociales Germinal, revista de divulgação anarquista e cultural.

Em 1 de maio de 1913, se celebra o primeiro dia internacional dos trabalhadores em Costa Rica, a manifestação foi convocada pelo Centro de Estudos Germinal, sociedade de trabalhadores de Alajuela, a sociedade de trabalhadores de Cartago, centro social de trabalhadores de San Ramón, sociedade federal de trabalhadores, gremio de sapateiros, sociedade tipográfica de socorros mútuos, sociedade de padeiros, clube esportivo La Libertad, e sociedade de socorros mútuos de tranvilleros.

E cuja atividade culminou com a fundação da Confederação Geral de Trabalhadores, que teve muita influência nessa epoca, e se conseguiu muitas coisas. Após um momento de estagnação, por volta de 1951 e 1970, se publicam na província de Alajuela o perídico El Sol e La Opinión, animados por José Néstor Mourelos, companheiro que realizou um importante trabalho na difusão do pensamento ácrata, e com uma aproximação com a intelectualidade, logo nos anos 80 se começa a publicar a revista Acracia, uma publicação bimestral que teve 13 números. Nos anos 90 houveram algumas revistas como Kassandra, que eram publicações culturais mas que em suas páginas davam espaço ao pensamento ácrata, e que teve 13 edições também, vindo à luz em 1989, e com o último número em 1999.

O punk nesse país se originou em princípios dos anos 90. Por volta de 1999 aparece uma loja no mercado central de San José, e nesse local se podia encontrar música, em sua maioria do México, zines, cassetes, etc. Julio, o dono, formou uma banda chamada Desasosiego Civil, que tem o título de primeira banda com influência sociopolítica. Esta banda se formou em meados de 2001, e desapareceu em pouco tempo, assim como a loja que também em pouco tempo desaparece, e não se tiveram mais notícias de Julio. Nesta época lançava o zine chamado Fuerza Coletiva. Além desse zine, saía o fanzine Resistencia Libertaria de Geison, um skinhead colombiano anarquista, e um boletim anarquista por Pablo. Nesta loja que mencionamos no mercado, haviam colocado um flyer convidando para reuniões para debater sobre punk, skinhead, política, anarquia, etc. Aconteciam as 7 da noite, mas como acontece em tudo, algumxs falavam, outrxs só queriam ir pela festa, e por isso Pablo propôs a algumas pessoas da reunião que se formasse o coletivo C.A.L.S. (Colectivo Anarquista Libertad y Solidaridad). Poucxs se uniram, fizeram reuniões, foram feitas bandeiras que foram a primeira representação em manifestações do coletivo anarquista. Mas começaram as divisões, Pablo se afastou e junto com Geison formaram a Organização Anarquista Comunista (O.A.C.) O coletivo então ficou com 3 pessoas, e é quando chega Karloz, um companheiro do México, que passava por ali porque ia ao encontro da Internacional Anarcopunk no Brasil em Salvador/BA em 2002. Por falta de fundos não puderam chegar ao encontro, e a garota que estava junto volta ao México enquanto Karloz fica na Costa Rica, e começa a colaborar com o coletivo C.A.L.S. Fazia um zine chamado Asfixia. Nessa época foi quando tinhamos a banda 3 Akordes, que era de tendência anarquista, e nos unimos ao coletivo, participando de distintas atividades no coletivo que era de tendência anarcopunk.

Nesta época havia as bandas Morralla, que tinha um companheiro anarquista, e 3 Akordes, que era a banda que eu fazia parte, que segundo um escrito do zine beneficio interno sobre o movimento punk na Costa Rica – fanzine que surgiu em 98 e ainda lança números – o companheiro Esteban, que não é anarquista mas sempre esteve envolvido na cena hardcore punk, escreve que “3 Akordes foi a primeira banda a adotar o termo anarcopunk e levá-lo a prática, suas apresentações eram conhecidas por incluir discursos e discussões entre as músicas, de fato essa banda foi pioneira do anarquismo e punk na Costa Rica”. 3 Akordez desapareceu em 2005, surgindo a criação de Enemigxs del Enemigo em 2006, que é a banda que estou junto com minha companheira atualmente. Nessa época, além do Asfixia do companheiro Karloz, do México, que esteve vivendo um tempo na Costa Rica, eu comecei a lançar o zine P.U.A.S. (Punx Unidos por la Autogestión Social), e o Rebelión Animal. Continuando com a história, em 2003 se realizou um concerto muito significativo para este movimento, onde tocou a banda guatemalteca Desadaptados, no qual participaram bandas como 3 Akordes, Morralla, Golpe de Estado e outras, e onde se compartilhou informação anti-racista e anti-fascista e se convidou para a formação de coletivos. Dali se criaram vários coletivos anarcopunks como o C.U.R.L., K.U.A.L, e outros de diversas partes do país, um grande número de fanzines, boletins e periódicos e bandas começaram a surgir, bandas como Victimas Federales, Pres@s en Fuga, Mentes Infectadas, Maldita Sociedad, etc. e fanzines como : rebeldes kon causa, zine callar, asozial, e outros. Depois da luta contra o tratado de livre comércio, aconteceu uma grande queda nas organizações anarquistas e anarcopunks, junto com diferenças de ideias, desaparecimento de bandas, coletivos, etc. Houve muitas rupturas, e logo a tentativa de criação de uma federação anarquista na Costa Rica, que começou a separar o movimento anarcopunk do movimento anarquista. Depois disso se passou algum tempo sem muita atividade, talvez um primeiro de maio na marcha, algumas ações do movimento anarquista nas notícias para sujar o já debilitado movimento, e junto às filosofias e movimentos anti-organizativos, novas modas, qur colaboraram muito para que o movimento não voltasse a se consolidar. Foram feitas várias tentativas de levantá-lo mas ainda falta muito, as bandas não se mantêm por muito tempo, coletivos estão com muitos problemas internos, etc. Isto é apenas uma pincelada do movimento anarcopunk na Costa Rica, por fim para que não ficasse tão grande resumí ao máximo. Mas estou para lançar um livro sobre o movimento anarcopunk na Costa Rica, a partir da minha experiência, e há muitas experiências de cada pessoa que o viveu, e seus distintos pontos de vista. Infelizmente desta época não resta ninguém ativo, mas acho necessário manter a recordação da história, para não esquecer, e por isso também estou muito feliz pelo convite em participar do livro Semeando a Revolta volume 2, sobre histórias de anarcopunks na América Latina.

E quais são as lutas e movidas que mais se destacam em seu contexto? Quais são as urgências atuais na Costa Rica que consideram importante se envolver?

Lutas no país existem muitas, a cada dia surgem mais, mas a participação punk ou anarquista nem sempre ou quase nunca existe, talvez porque são muito distantes, como as de recuperação de terras e tantos problemas de diversos grupos indígenas do país que, por estarem tão longe e de dificil acesso acabam dificultando a participação constante. Também há a luta de pescadores, das multinacionais como as pinheiras, privatização de praias por empresas e expulsão de moradorxs, etc., e se fazem passeatas, difusão de informação, etc. Há a luta feminista, a luta dxs LGBT, mas muitas vezes não são constantes ou acontecem rupturas de informação.

Também ocorre que, por estes meios, como é o facebook e as redes sociais, se você não conhece este ou aquele, muitas vezes não fica sabendo o que acontece já que tudo se divulga por ali. Já não existem cartazes nas ruas para todxs, e as vezes você fica sabendo no mesmo dia e por questões de trabalho e outros não tem tempo de participar. Não posso falar por todxs e suas distintas razões, prioridades, ou suas finalidades e interesses, mas por exemplo a mim me interessa muito a reivindicação do movimento anarcopunk, a criação de um centro social, bibliotecas e espaços para compartilhar e nos organizar, e por isso fazemos com Aktitud Koherente as feiras de livro de tempos em tempos, feiras de material libertário, mostras de vídeo e atividades de informação, troca, picnics punks, concertos e venda de comida para nos ajudar em diversos projetos, colagem de cartazes e compartilhar informação, e pouco a pouco começar a gerar ações maiores. Mas o trabalho segue muito lento porém constante.

Tem o grupo que é a F.R.A.T, que não é anarquista nem anarcopunk mas está muito envolvida na luta animalista, contra os zoológicos, que como mencionei antes em algumas de suas atividades participam anarquistas, e apoiamos algumas de suas atividades. E também xs companheirxs do A de Libertad, que lançam um periódico que é anarquista e no qual participam um par de companheirxs anarcopunks, realizam palestras e atividades para conseguir fundos para lançar o periódico, e há apoio de várixs companheirxs anarquistas e punks.

Além disso, estão os problemas nada estranhos axs latinoamericanxs, a corrupção e delinquencia que avançam a cada dia, os coletivos que se formam não são constantes, é um pouco complicado o assunto. Com relação a urgencias, algumas das principais são a desigualdade que não permite avançar, falta de trabalho tanto pata xs punks quanto para a população em geral, a corrupção dos políticos, banqueiros e burgueses, a péssima educação, e além da falta de compromisso, apatia, falta de deducação de nós mesmxs, o gosto pelas drogas, o personalismo e um sem fim de problemas junto com um problema grande e de sempre, que é a enorme influência que a igreja tem sobre a opiniâo pública e manipulação das massas, a homofobia, xenofobia, além da passividade da população. As problemáticas são muito similares entre os países latinoamericanos, e as soluções muitas vezes são diferentes devido as distintos contextos, mas se tomam como exemplo muitas experiências. Sendo, como comentamos antes, uma cena tão pequena, damos as mãos para tantas coisas que se tem para fazer, e vemos a informação como vital para seguir dando conhecimento sobre os diversos problemas, e incitamos a organização e envolvimento para criar soluções ou alternativas.

Em 2016 ocorreu um Encontro Internacional Anarcopunk na Costa Rica. Como foi? No sentido organizativo, como acreditam que se desenrolou o encontro? E como vêem a organização anarcopunk atual em nível internacional?

A organização do encontro da IAP na Costa Rica foi um trabalho muito forte. Começa quando mediante uma conversa via skype de companheirxs no encontro de Chiapas, México, em 2014, nos perguntaram se nos animávamos em fazer o próximo encontro na Costa Rica. E estavamos em 5 pessoas neste momento, aceitamos a realização do encontro, mas depois xs outrxs companheirxs que estavam com nós se desentenderam completamente sobre o assunto, e ficamos apenas eu e Sharon com o peso de organizar o encontro internacional. Nunca haviamos participado de um encontro antes, e por isso já era um pouco difícil a ideia de fazê-lo. Por coisas da vida nos presentearam passagens para ir ao México, e aproveitamos para ir conversar e nos reunir com diversxs companheirxs dali que nos passavam as experiências dos distintos encontros. Muitxs companheirxs nos apoiaram, nos deram conselhos, nos deram material – como a Biblioteca Social Reconstruir – para nos ajudar economicamente, já que um encontro requer fundos para o lugar onde se realizaria, alimento, etc. Quando voltamos, pedimos apoio a companheirxs com xs quais já haviamos trabalhado em outros projetos, e depois de alguns problemas, muitas atividades, concertos em apoio ao encontro, lançamos coletâneas, discos, venda de comidas, etc. chegamos a ser 12 pessoas e por fim apenas 6. Mas tudo se saiu, ao meu ver, muito bem. Vieram companheirxs do México, Chiapas, DF e Guadalajara, de El Salvador, da Nicaragua, e sabemos que todxs elxs também fizeram um grande esforço para ir ao encontro.

Foi muito enriquecedor e estivemos muito bem. Há um zine, que foi proposto que fosse lançado pela IAP, o primeiro numero foi pela Costa Rica, e a ideia é que os diversos países continuem lançando. Tem uma resenha mais longa sobre o encontro, fotos, etc. – no fim colocarei o link para download. O encontro ajudou para que países que não faziam parte da IAP ou que talvez não tinham uma ideia muito clara do que era fizessem parte, como Nicaragua e El Salvador.

Ficamos muito felizes, aprendemos muito com todxs e nós mesmxs, explorar nosso potencial e demonstrar que se pode fazer um encontro internacional no qual todxs saímos satisfeitxs. Foi gratificante e nos deu mais energias para continuar e melhorar os projetos que estivemos organizando e criando, além de novos projetos que temos em mente para seguir construindo nosso pensamento na prática.

A respeito de como vemos a organização anarcopunk atualmente a nível internacional, muitxs de nós temos os mesmos problemas, mas em todos os países também há pessoas com quem nos ajudamos, e estão sendo feitos muitos projetos, por todas as partes há muita energia com a qual nos preenchemos, e nos ajuda a seguir e não decair. Como dizem algumas frases, esta é uma luta sem final, e quem disse que seria fácil?

Link de download do zine da i.a.p de costa rica

ou também se você não quiser baixar, pode ver no issuu do zine Rabia Punk

Em pouco tempo a banda Enemigxs del Enemigo irá em tour ao México. Contem um pouco sobre a banda, quando começou e quais materiais lançaram? Como está sendo o processo de organização da tour e o que esperam?

Enemigxs del Enemigo nasce em 2006, depois da desintegração de 3 Akordez, que foi uma das primeiras bandas anarcopunks neste país. Se cria pela necessidade de seguir dando uma mensagem libertária, continuar utilizando a música como uma ferramenta, não a única, mas sim uma muito importante, para transmitir nosso pensamento, o sentimento de luta, de denúncia das atrocidades do sistema em que vivemos, e também disfrutar e compartilhar com nossxs amigxs. A luta é cotidiana e não só com música se muda o mundo, temos que gerar uma base teórica e tentar levá-la a prática em todos os aspectos de nossas vidas, mudando a nós mesmxs em primeiro lugar. A banda teve muitxs baixistas e bateristas, xs unicxs que continuam desde o início somos Sharon e eu, Spike.

Xs integrantes atuais são:

Sharon, vocais, Spike guitarra e vocales, Justine Bateria e David baixo.

E nossa discografia é:

Guerra al tiempo y nos keda poko – Split com Barrakas, também de Costa Rica) 2006

Hagamos del punk una amenaza otra vez 2009

Ideas axion y konciencia Split com empatía de puebla México 2011

Nuestros sueños pueden más ke tu riqueza 2015

Este es el mundo ke kieres para tus hij@s (EP) 2016

Sembrando las semillas de la confianza y la solidaridad, Split com conflicto de lima Perú 2017

Todos elaborados de forma DIY, já que acreditamos profundamente no faça-você-mesmx não apenas como uma forma de lutar, mas também de viver. E também nos convidaram para participar de várias coletâneas.

Aqui deixo o bandacamp se querem ouvir os discos

https://enemigxsdelenemigopunk.bandcamp.com/

A tour se deu a partir do convite que nos fizeram para tocar em Punkytud 2, onde tocaram bandas como Doña Maldad, Mob 47, Destruktions, etc. E várixs companheirxs quando viram que íamos tocar começaram a nos propor datas em distintas cidades do México, como Puebla, Huajuapan, Oaxaca, Naucalpan, el mundano, etc. Foi uma experiência muito linda, como sempre o que esperamos de uma tour é conhecer, compartilhar, fazer um intercâmbio de ideias, materiais como fanzines, livros, conhecimentos, experiências, problemáticas, música, etc.

As cenas anarcopunks na América Latina sempre foram muito combativas e acredito que isto se deve ao nosso contexto social, político e histórico, repleto de ditaduras, problemas economicos, colonização, extermínio de nossos povos, etc. Como vêem isso? Que diferenças vêem nas cenas latinas com relação a outras partes do mundo?

Estou completamente de acordo que a cena latinoamericana é muito combativa, pelos contextos sociais, sabemos que na América Latina temos menos oportunidades, vivemos estas carências, lutamos e lutamos mas é muito difícil se levantar, carecemos de mais oportunidades em muitos aspectos, além de lidar com os governos corruptos, policia violenta, corrupta e que claramente se movem apenas por seus interesses e de seus líderes burgueses. Enfrentamos nossxs próprixs companheirxs, vizinhxs e sociedade em geral, a passividade que gera a religião, e são muitos os crentes, o pão e circo das mídias, a péssima educação, poucas oportunidades de trabalho, a alta migração, a xenofobia tão generalizada, muita pobreza e desigualdade muito marcadas, violência nos bairros, nos lares, etc.

Eu nunca fui a Europa, apenas conheço os países da América Central e México, onde os problemas são similares. Narcotráfico, corrupção, pobreza, os que falei anteriormente e mil mais, coisas que conversei também com companheirxs da América do Sul, e ali acontece o mesmo. Me parece que na Europa há mais possibilidades de muitas coisas, mas a verdade é que eu estaria falando sem bases, já que com companheirxs que falei da Alemanha, Espanha, Holanda, França, etc. também nos disseram que existem muitos problemas em níveis sociais, economicos, de formas distintas e algumas similares.

Mas o que estou de acordo é que, como parte da cena latinoamericana, vivendo e compartilhando com companheirxs latinoamericanos, é uma cena muito combativa. O movimento anarcopunk tem uma energia gigante, que sempre busca se levantar, e por isso não morre, mas que desgraçadamente não temos explorado. Muitxs também se rendem e nos deixamos cair por suas modas, drogas e violência sem sentido – parte do que não nos deixa levantar por completo.

Valeu pela entrevista compas! Fica aquí um espaço para deixarem seus contatos e últimas palavras! Abraços y resistencia!

Agradecemos por nos dar este espaço para nos expressar, convidamos para a organização, a luta, conhecimento, sinceridade, questionamento, apoio mutuo e faça-você-mesmx. O caminho não é fácil e é longo! Agradecemos seu grande esforço em manter este espaço no qual podemos nos apoiar, contem com nós! Um abraço libertário muito muito forte!

 

Atte Spike e Sharon

Enemigxs del Enemigo

Aktitud Koherente DIYstro

Contato: policidio@gmail.com

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