Ao caminhar pelo vazio
Tu me deste a movimentação
Amamentou-me com vosso corpo
Fez-me ser átomo
Fez-me um minúsculo ser
Fez-me peixe
Que perambulava por vosso corpo
Descobrindo outros Eus.
E logo depois
Deu-me patas para sair de vosso corpo
Caminhei… Caminhei… Caminhei…
E pude ter asas
Assim…
Voei, voei e voei ao horizonte
Onde pude pousar em uma grande árvore
E lá permaneci.
De árvore em árvore
Ti estava presente sempre.
Alimentando-me de vosso corpo
O tempo
O vento
O sol e a Lua
E vos mice sempre junto mim.
Resolvi descer das árvores
Aprendi a caminhar ereto com duas patas
Nasceu em mim o polegar
Aprendi a somar
A partir daí me inflei
Tornei-me inimigo
De ti mãe
Hoje aborto-te
E vendo-te
Como algo descartável
Na esquina
Mãe por que me deste a existência?
Porque não me abortou?
(Anigav – Diga não a Privatização da água! NÃO VENDA SUA MÃE! Pois ela é o bem mais precioso da galáxia)