Arquivo da Sessão ‘Okupas’

Solidariedade às famílias do Assentamento Milton Santos!

Thursday, January 17th, 2013

milton-santos_01O Movimento Sem Terra (MST) e parte das famílias que transformaram em lar um latifúndio improdutivo abandonado e cheio de dívidas em Americana (126km de São Paulo) ocuparam desde ontem (15) a sede do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), localizada no bairro da Santa Cecília, centro de São Paulo.

Porque?

Porque desde 1996 os proprietários mantém esse pedaço de terra abandonado e sem pagar impostos, contrariando a constituição brasileira que obriga (obriga nada, aqui os ricos deitam e rolam) que toda propriedade tenha alguma finalidade. Desde 2005 essa famílias conseguiram a muito custo, com muito trabalho e luta transformar um enorme matagal em casa, transformar a terra abandonada em fonte de alimento, e tornaram um pedaço de terra que para o dono não é nada, em tudo para elas. O assentamento tem uma produção intensa e coletiva que serve de fonte de renda e alimentação pras famílias que ali moram.

E?

E depois de 17 anos de abandono, os proprietários (ricassos que arrendam terras griladas para empresas de cana de açúcar) resolveram que agora que essas famílias construíram uma vida ali, eles tem o direito de requerer na Justiça a posse do imóvel

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(porque ir trabalhar lá nenhum deles vai). E o pior: a “Justiça” concedeu a posse ao proprietário caloteiro, e cedeu (como ju$tiça é boazinha, né?) 15 dias para que essas famílias saiam do terreno e deixem suas casas (construídas coletivamente), seu trabalho

(realizado coletivamente), e seus sonhos (sonhados coletivamente) para que um burguês possa passar de carro pela estrada e apontar pro mato e dizer ‘aquela terra é minha, eu não uso, não preciso, mas é minha’.

E como eu posso ajudar?

Você pode ajudar lutando por um mundo mais justo, onde a terra seja propriedade e responsabilidade de todos/as. Você pode ajudar

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se solidarizando com as famílias do Assentamento Milton Santos e de TODAS as outras ocupações do campo e da cidade. Você pode ajudar indo até o INCRA e conhecendo a história de vida dessas famílias (porque a TV não vai te contar a verdade). Você pode ocupar também o INCRA. Você pode propor alguma atividade que dialogue com a luta dessas famílias e realiza-la na ocupação, no assentamento ou em qualquer lugar. Você pode contar pra outras pessoas a injustiça que essas famílias estão sofrendo.

O INCRA é localizado na Rua Doutor Brasílio Machado, 203, Santa Cecília, próximo ao metrô Mal. Deodoro.

Você pode saber mais sobre o assentamento através do site: http://www.assentamentomiltonsantos.com.br/

Ou da página no facebook:

https://www.facebook.com/AssentamentoMiltonSantos?group_id=0

Toda solidariedade às 68 famílias do Assentamento Milton Santos!

Morte a todos os latifundiários e burgueses!

[São Paulo] Reintegração de posse da Ocupação São João está suspensa

Wednesday, September 12th, 2012

Estava marcada para o dia 11 de setembro, terça-feira, a reintegração de posse da Ocupação São João.  Desde que a data foi divulgada, diversos grupos e movimentos se mobilizaram em apoio. Foram recolhidas milhares de assinaturas para o abaixo assinado, e, no último domingo (09), foi realizada uma manifestação de solidariedade em frente à ocupação. O Sarau da  Ocupa desta quarta-feira (05) também esteve lotado e repleto de mensagens de apoio.

No último dia 10, a Frente de Luta por Moradia lançou um comunicado informando que a reintegração de posse está suspensa após a devolução do processo ao juíz, visto que o proprietário do prédio não ofereceu os meios necessários (caminhão e galpão para acomodar os móveis) como foi previamente determinado. A nova data para a reintegração ainda não foi divulgada.

Ocupação São João pode ter realizado seu último sarau

Friday, September 7th, 2012
* * *
As 85 famílias da ocupação podem ficar na rua na próxima terça-feira (11) devido à ordem de despejo anunciada no final do mês passado; o “Sarau da Ocupa”, como ficou conhecido, faz a sua mobilização para que haja um acordo

José Francisco Neto
de São Paulo

Poetas e moradores se reúnem às quartas-feiras quinzenais para o sarau

na ocupação São João. Foto: Raquel Marques

* * *

O Sarau da Ocupa, realizado às quartas-feiras quinzenais na ocupação do prédio situado na avenida São João, 588, no centro de São Paulo, pode ter feito a sua última apresentação no local. Isso porque uma ordem de reintegração de posse do imóvel, abandonado há 20 anos, foi anunciada na quinta-feira (23) pelo juiz Olavo de Oliveira Neto, da 39º Vara Cível da Capital.

As 85 famílias, incluindo 67 crianças, podem ficar na rua na próxima terça-feira, 11 de setembro. No dia 3 de outubro a ocupação completaria dois anos, e o sarau um.

O sarau faz a mobilização. Organizadores e apoiadores do movimento colhem assinaturas que serão entregues à Justiça paulista solicitando que a liminar de despejo seja revogada e que “o direito à moradia digna possa prevalecer sobre o endividamento e o abandono do imóvel”.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Ruivo Lopes, um dos organizadores do sarau, espera que haja de fato um acordo entre a Justiça, o proprietário e a Frente de Luta por Moradia, que organiza as famílias que estão no imóvel. “A gente espera que o diálogo, que é necessário, seja para o benefício das famílias no seu direito fundamental que tem sido violado, que é o direito à moradia”, comenta.

Ele ainda ressalta que o sarau passou a ser uma espécie de assembleia, em que as famílias da ocupação juntamente com as pessoas que vêm participar da atividade, se encontram para que, através da literatura, possam discutir os mais variados problemas que a cidade enfrenta.

“É no sarau que a gente se fortalece, que a gente passa a perceber que os problemas de uns também são os problemas dos outros, e passa a se fortalecer através disso”, reforça Ruivo.

Brasil de Fato – Ruivo, esse foi realmente o último sarau?
Ruivo Lopes - A gente espera que não seja o último sarau. A gente não se preparou para o último sarau. Não viemos hoje para cá na expectativa de ser o último sarau, mas a gente veio pra fazer um sarau do jeito que a gente começou, dentro da luta, que pudesse fortalecer a luta e que no momento em que a gente está apreensivo pela decisão que a Justiça pode tomar em relação às famílias, que hoje estão aqui na ocupação São João. A gente procurou fazer um sarau que pudesse agregar, reunir, incluir e fortalecer essa rede de solidariedade que o povo, apesar do que tem acontecido nas ocupações, tem demonstrado muita solidariedade com as famílias que estão na ocupação. O nosso sarau serve como espaço da demonstração dessa solidariedade.

Dia 11 de setembro vai ter a reintegração mesmo, ou ainda há uma possibilidade de prorrogar a data do despejo?
A gente que é do sarau sempre fica esperando um diálogo. Um diálogo entre as partes interessadas, Justiça, proprietário e a Frente de luta por Moradia, para que chegem a um acordo favorável às famílias. Nenhum acordo que não seja favorável às famílias deve ser cumprido.  A gente espera que o diálogo, que é necessário, seja para o benefício das famílias no seu direito fundamental que tem sido violado, que é o direito à moradia. Então, a gente espera que até o dia 11 possa haver algum diálogo no sentido de atendimento das famílias que estão aqui na ocupação São João. A gente aqui no sarau está torcendo pra que isso aconteça. Caso não aconteça, mais uma vez a cidade de São Paulo vai ser testemunha da violação grave de direitos humanos das famílias que estão na ocupação que vão, sem outra alternativa, pra rua.

Quanto tempo já existe o sarau?
A ocupação vai fazer dois anos em outubro e o sarau começou no aniversário de um ano da ocupação. Ele começou num momento de comemoração, num momento em que todos que estavam reunidos aqui na ocupação São João, as famílias e as pessoas que apoiam, comemorando um ano de existência e resistência cravados aqui no centro nervoso de São Paulo. O sarau surgiu pra manter essa comunhão através daquilo que a gente sabe fazer, que é a literatura, falar de poesia, trazer autores pra dialogar sobre literatura e motivar moradores e crianças daqui da ocupação São João a se aproximarem dessa literatura que tem sido produzida nas periferias de São Paulo, que é a literatura marginal periférica.

Com o sarau dando esse apoio, quais mudanças ocorreram para as famílias da ocupação, neste um ano que vocês estão aqui?

Cerca de 70 crianças podem ficar na rua no dia 11 de setembro;

Elas também participam do sarau. Foto: Raquel Marques

Primeiro que a gente passou a ter um espaço de encontro, diferente daquele em que as famílias já estão acostumadas a se encontrar. O sarau passou a ser também uma assembleia, só que uma assembleia ampliada, em que participam as famílias, as crianças, as pessoas que moram na cidade, as pessoas que participam de outros saraus, poetas, escritores e escritoras que se encontram no espaço do sarau para, através da literatura, discutir os graves problemas que enfrentam hoje a cidade. É no sarau que a gente se fortalece, que a gente passa a perceber que os problemas de uns também são os problemas dos outros e passa a se fortalecer através disso. Então, através de uma ação cultural, que a gente tem conseguido uma articulação e uma mobilização que é fundamental neste momento para os movimento populares, para os movimentos sociais e para quem também está percebendo que a cidade enfrenta graves problemas de desigualdade, mas não encontra uma porta aberta para se somar à luta, o sarau também é um espaço aberto pra quem quer chegar e se somar à luta. Várias pessoas hoje chegaram aqui e vão sair daqui levando um pouco da luta da ocupação São João. Essa também é a missão do Sarau.
Se caso ocorrer o despejo, O Sarau da Ocupa será igual ao sarau do Binho, itinerante?
O sarau não vai parar. Neste momento, é muito importante a situação das famílias. Mas o sarau vai continuar circulando e mobilizando as lutas. Aonde tiver, o sarau vai chegar e vai se somar às lutas pra trazer mais gente, pra manter a porta da luta sempre aberta com uma linguagem pelas próprias preocupações dos movimentos, que acabam deixando a porta da cultura um pouco de lado. A gente soma nisso pra que pessoas novas possam chegar e através da cultura possam somar. O sarau é uma delas. Se a gente tiver que fazer sarau itinerante, a gente vai fazer, mas desde que ele esteja a serviço da luta popular. Esta é a missão do sarau.

[São Paulo] Ameaça de desalojo da Ocupação São João!

Sunday, August 26th, 2012

COMUNICADO:

Enquanto morar for privilégio de poucos,
ocupar é um direito de muitos!

Salve, salve todo mundo que um dia chegou na Ocupação São João, e nestes quase dois anos de existência e resistência contribuiu com o calor da presença e participou de alguma das atividades, declamou no sarau, fez doações de alimentos, roupas ou livros, assistiu filmes, coloriu paredes, imprimiu personagens que ganharam vida no espaço, registrou a graça da vida em intenso movimento, realizou oficinas de artes, música, teatro e cuidado com a saúde, documentou em videos muitos momentos únicos, fez trabalhos universitários e reportagens, se emocionou com os depoimentos da gente simples e cheia de coragem que mora lá, arrancou um sorriso, riu junto e também chorou com as crianças que dão uma alegria especial para o lugar, ajudou a limpar o espaço para se reconhecer nele todo dia, a organizar as festas, enfeitar o lugar como se cuidasse de sí, que fez coro e tomou para si o lema “quem não luta, tá mort@!” caminhou com as pessoas sem teto pelas ruas do centro da cidade exigindo o cumprimento do direito fundamental a moradia digna… esta mensagem é pra você!
Neste momento, a Ocupação São João está sob ameaça de despejo. Uma primeira reunião aconteceu com as partes envolvidas sem que Prefeitura e proprietário oferecessem qualquer alternativa viável para as famílias que hoje vivem no imóvel ocupado. Uma nova reunião está marcada para o dia 5 de setembro com o objetivo de se chegar a um acordo que não prejudique as famílias, as crianças matriculadas nas escolas e quem hoje trabalha na região. Mesmo com a reunião marcada, a Justiça já sinalizou uma data para o possível despejo das famílias sem teto, o dia 11 de setembro.

Não temos muito tempo! A Ocupação São João precisa de você!

Segue anexado um abaixo-assinado para ser entregue à Justiça paulista solicitando que a liminar de despejo das 85 famílias seja revogada e que o direito a moradia digna possa prevalecer sobre o endividamento e o abandono do imóvel. Hoje, as famlías que ocupam o imóvel dão a ele a função social de moradia que merece.

Imprima o abaixo-assinado, tire cópias, envie por email e recorra a solidariedade da sua rede de contato (saraus, escolas, faculdades, universidades, na rua ou em qualquer outro lugar). As listas assinadas poderão ser entregues na Ocupação São João, na Avenida São João, nº 588, no Centro de SP, até o dia 2 de setembro.

A solidariedade reside na mobilização!

Solidarize-se e mobilize-se!

Afinal, a Ocupação São João somos nós!

***

BAIXE AQUI O ABAIXO ASSINADO – abaixoassinado

[Grécia] Patras: Manifestação em defesa da okupa Parartima

Thursday, June 21st, 2012

patrasCerca de 300 pessoas participaram da manifestação em solidariedade com as okupas e, especialmente, em defesa do espaço okupado Parartima. O protesto aconteceu nesta terça-feira, 12 de junho, na cidade de Patras. Uma semana antes, em 5 de junho, um funcionário do município apareceu na okupa Parartima para informar que as autoridades decidiram fechar o prédio e desalojar a okupa.

Durante a passeata, que passou pelas principais ruas de Patras e até cruzou por fora da okupa Maragopouliou, foram feitas várias pichações e distribuídos textos informativos. Na passeata, havia duas faixas com os dizeres: “Tirem as mãos das okupas” e “As okupas fazem parte da luta contra a civilização e a exploração; Estado-Mídia-Paraestatais, tirem as mãos das okupas”.

Mais infos e fotos:

› https://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1406602

› http://spasmenogranazi.squat.gr/2012/06/13/%

agência de notícias anarquistas-ana

asinha, asinha

a nina borboleta valsa

e vai-se

Thiago de Melo Barbosa

[Brasil] Okupação libertária em Campinas ameaçada de despejo

Tuesday, June 12th, 2012

stl[A seguir reproduzimos um comunicado do Squat Timothy Leary, de Campinas (SP), que está ameaçado de sofrer uma reintegração de posse.]

C o m u n i c a d o:

Saudações a todxs!

É com grande peso no koração que repassamos a todxs a seguinte notícia:

Este final de semana, 02/06, fomos avisados, pelo advogado que nos acompanha desde o terceiro mês de okupação, que o imóvel do Squat Timothy Leary foi vendido a uma construtora. Até então não havia confirmação, podia se tratar de rumores. Ainda não notificados com qualquer ordem judicial de reintegração de posse, acreditamos que temos um tempo por conta dos trâmites burocráticos jurídicos.

O squat completará 1 ano de resistência e persistência kotidiana no dia 6 de julho. Durante o decorrer desse período recebemos a visita de muitxs companheirxs – da Flor do Asfalto, do Korr-Cell, do Guamirim, A1 fortalecendo os laços de solidariedade e apoio mútuo, trocando experiências e práticas libertárias. Estreitamos relação com autonomistas da Colômbia e do Peru. Dialogamos e somamos com diversos coletivos de Campinas e região. A relação com a comunidade tem gradualmente se tornado mais harmoniosa.

Resistimos a um atake brutal e violento por parte dxs mantenedorxs da ordem burguesa em clara demonstração de terrorismo de Estado. Sofremos com a ofensiva de grupos paramilitares vinculados à doutrina integralista-linearista, tradicionalmente presente na cidade. Tivemos problemas com organização interna o que nos rendeu a suspensão temporária de atividades. Muitxs saíram, outrxs entraram, mas as lembranças positivas de cada umx permanecem.

Diante da incerteza e efemeridade do espaço, convidamos coletivos, organizações, grupos e individualidades autônomxs para konstrução koletiva e intensificação das atividades nesses momentos finais.

A todxs que embatem seus rebeldes e valentes korações contra a ordem do poder e sua realidade opressora” – Flor do Asfalto

Conflito e ruptura, Okupa e resiste!

Squat Timothy Leary

Contato: okupaleary@riseup.net

agência de notícias anarquistas-ana

ponte é um pássaro

de certeiro vôo: sua sombra

perdura na lembrança.

Thiago de Mello

[RJ] Ocupação Abu Jamal é invadida pela policia

Thursday, May 17th, 2012

[Grécia] Foi aberto o Centro Social Ocupado Vox após a sua expulsão pela Polícia

Friday, April 27th, 2012

afisa_k_voxMais de 2.000 pessoas assistiram ao concerto do grupo Deus Ex Machina, sábado (21) à noite, na Praça de Exarchia, em Atenas. Na esquina da praça com as ruas Themistikleus e Arajovis se encontra o edifício do Centro Social Ocupado Vox. Na ocupação aconteceria um evento de apresentação se no dia anterior a Polícia não tivesse selado o edifício, durante uma operação que durou uma manhã inteira e onde um bairro do centro de Atenas foi isolado do resto da cidade.

O concerto começou às 22h, mas às 18h havia sido convocada uma concentração na praça. Às 19h centenas de manifestantes começaram a remover as folhas de alumínio que tinham sido usadas pela Polícia para selar o edifício do CSO e posteriormente abri-lo. No entanto, a Polícia removeu tudo o que estava dentro do edifício, de modo que o funcionamento do Centro Social recuperado não pode ser feito em curto espaço de tempo.

Nas primeiras horas da manhã foi realizado um ataque a um furgão da Polícia com coquetéis molotov, a três quarteirões da praça. Como naquele momento no bairro de Exarchia se encontravam milhares de pessoas com ânimo para enfrentar as forças de repressão e responder a qualquer agressão por parte deles, a Polícia não respondeu.

Notícia relacionada:

http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2012/04/23/grecia-comunicado-do-centro-social-ocupado-vox-apos-a-sua-expulsao-pela-policia/

agência de notícias anarquistas-ana

o rio ondulando

a figueira frondosa

no espelho da água.

Alaor Chaves

[Grécia] Comunicado do Centro Social Ocupado Vox após a sua expulsão pela Polícia

Thursday, April 26th, 2012

Tirem as mãos do Centro Social Ocupado Vox

Hoje, 20 de abril, às 6 da manhã, uma multidão de forças repressivas, juntamente com três procuradores, isolaram todo o bairro de Exarchia, despertando reminiscências da instauração da junta militar em 21 de abril de 1967. Materializando imediatamente e pela primeira vez a ordenação¹ do promotor do Conselho de Estado Tentes, e em estreita cooperação com a promotora Raiku, para selar o Centro Social Vox, usando esta expulsão como um episódio piloto para enviar uma mensagem clara de repressão às ocupações e espaços sociais abertos, onde estão em funcionamento projetos autogestionários, assim como de todas as lutas que usam a ocupação como um meio. O Centro Social Ocupado Vox tem sido o começo.

Depois das chantagens das autoridades, a Administração da Fundação de Segurança Social² apresentou uma queixa contra o Centro Social Ocupado Vox, oferecendo já formalmente a legalização do desalojo decidido de antemão. Como esse projeto está na mira do Poder, assim como outras ocupações no passado recente, devido a apelos de deputados que estão a favor ou contra o memorando, mas que estão sempre dispostos a oferecer os seus serviços para a “manutenção da lei e da ordem”.

No que diz respeito à desinformação dos meios de comunicação, que sempre contribuem para os ataques repressivos, com seus jornalistas arrogantes em conexões ao vivo, montando os conhecidos espetáculos midiáticos e jogando toneladas de lama, nós não somos obrigados a responder a seu delírio.

É óbvio que seu objetivo é a repressão de todos os projetos políticos e sociais que estão no cerne de seu discurso e sua ação na luta auto-organizada contra o Regime, sem hierarquias, especialmente hoje que, em termos de totalitarismo, estes tipos de projetos constituem uma parte de uma rede social de resistência social polimórfica. Neste contexto, no início de 2012, algumas pessoas pertencentes ao ambiente anarquista-antiautoritário ocupamos o edifício da Vox para convertê-lo em um centro social aberto.

Esta operação repressiva sem precedentes não vai ficar sem resposta. Como primeiro passo, chamamos para este sábado (21) às 6 da tarde uma concentração na Praça de Exarchia, onde será seguida de um concerto programado do Centro Social Vox.

Vox será um centro social ocupado ou não será nada!

Tirem as mãos das ocupações!

Resistência – Auto-organização – Solidariedade

Centro Social Ocupado Vox

O texto em grego https://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1393652.

[1] Dias atrás o Supremo Tribunal de Justiça ordenou a seus procuradores subordinados a intervir diretamente e de forma automática e reprimir, juntamente com a Polícia, as ocupações de universidades, ministérios e outros prédios públicos, e cumprir com o procedimento de flagrante, se os ocupantes se recusarem a evacuar ou ficar dentro do prédio por muito tempo ou causado danos.

[2] O proprietário jurídico dos edifícios das duas ocupações despejadas.

agência de notícias anarquistas-ana

A ponte é um pássaro

de certeiro vôo: sua sombra

perdura na lembrança.

Thiago de Mello

“Surgiu de uma necessidade de ter um lugar para habitar, pensar e praticar o anarquismo”

Wednesday, March 21st, 2012

[A seguir entrevista com o Coletivo Tranca Rua, da cidade de Pelotas (RS), que fala sobre o Squatt 171, de quando ele surgiu, suas atividades...]

Agência de Notícias Anarquistas > Vamos começar esta conversa com vocês fazendo uma apresentação breve da cidade de Pelotas para quem não a conhece. Pode ser?

Coletivo Tranca Rua < Pelotas é uma cidade com mais ou menos 350 mil habitantes, situada ao sul do Rio Grande do Sul, numa região de banhados, dentro do que chamamos Pampa Gaúcho. Por ser uma cidade universitária, muitas coisas giram em torno dos estudantes. O próprio mercado imobiliário tem crescido o olho para este crescente nicho de mercado. A cidade está prestes a completar 200 anos, e como habita aqui uma burguesia, meio falida, que sonha voltar aos tempo áureos dos casarões, do charque (só se fala nisso), dos cavalheiros distintos e seus chapéus, das senhoras bem educadas que desfilavam pelo centro pensando que estavam em algum lugar da Europa, estão programando uma grande festa para comemorar o grande júbilo da sociedade pelotense, talvez para esquecermos que todos esses casarões e fazendas de charque foram construídos com mão escrava, e embora mais da metade da população seja negra, quase não vemos negros na universidade nem morando no centro da cidade. E tem gente que nem acredita que existam tantos negros por aqui (há quem diga isso do Rio Grande do Sul).

Pelotas é uma cidade culturalmente fértil, com uma tradição cultural muito diferenciada que foi se perdendo com o tempo. Hoje tem uma galera que está revivendo esta história através da produção audiovisual, em documentários como “O Grande Tambor”, que foi produzido pelo Coletivo Catarse, e “O Liberdade” do Moviola Filmes.

O anarquismo também teve grande expressão por esses lados, principalmente nas primeiras décadas do século XX, período das grandes greves operárias e quando os sindicatos ainda não eram aparelhos do Estado. Nós estamos preparando um documentário sobre a história do anarquismo em Pelotas, que também é a nossa história. Em breve divulgaremos esse material pra galera saber um pouco mais sobre esse assunto.

ANA > Agora falem um pouquinho da história do Squatt 171, de como ele surgiu… Aliás, porque o nome “171”?

Coletivo Tranca Rua < O Squatt 171, espaço contracultural, “caverna” (como era chamada pela gurizada da rua, porque aqui não tinha luz elétrica), “casa encantada” ou sabe-se lá qual outro nome pode ter, surgiu de uma necessidade do Coletivo Tranca Rua de ter um lugar para habitar, pensar e praticar o anarquismo. Este lugar não poderia ser outro que não uma okupação por pensarmos que todas as propriedades devem servir àqueles que as são próprias: as pessoas… e por não querermos colaborar com a bosta do mercado imobiliário.

A primeira vez que a 171 foi okupada era o ano de 2005, o dia 4 de abril. Essa data marca também o início das atividades do coletivo, que na época não tinha esse nome (na verdade não tinha nome nenhum). Essa foi uma okupa relâmpago, porque a galera okupou num dia e foi desalojada no outro pela polícia junto com os donos do imóvel. Legalmente, esta casa pertence ao DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e na época eles estavam quase perdendo a casa para um cara que estava em um processo de usucapião.

Depois desse desalojo, o DCE colocou um cara pra morar nessa casa, mas ele foi embora logo depois e a casa ficou abandonada. E lá fomos nós. Okupamos a 171 pela segunda vez em meados de 2007, e no dia que entramos o tal cara apareceu (depois de um ano sem dar as caras por aqui) e nós fomos desalojados de novo… durante esse tempo o coletivo desenvolvia outras atividades…

O que se seguiu a este período foi uma série de okupações, onde umas duraram mais e outras menos, em algumas a gente saía pacificamente, em outras debaixo do cacete, como foi o caso do Squatt Tranca Rua (nome que ficou para o coletivo depois do desalojo), onde ficamos três meses. Essa okupa foi muito interessante para nós porque nos deu experiência para lidar com as questões que envolvem uma okupação urbana.

No período que se seguiu ao desalojo da Tranca Rua, outras pessoas somaram ao coletivo, que se transformou em um coletivo de intervenção e ação direta nas ruas… mas o negócio de não ter um espaço físico para morar, compartilhar e vivenciar a anarquia nos mantinha um tanto engessados. Foi aí que decidimos okupar a 171 pela terceira vez. Mas aí fizemos diferente… fomos conversar com o pessoal do DCE, mas eles não estavam nem um pouco interessados em usar a casa, nem em deixar alguém usar. Depois de muita lenga-lenga, nós perguntamos se eles chamariam a polícia se nós reokupássemos a casa. Como a resposta foi negativa (afinal, ficaria muito feio pra eles, que não usavam a casa pra nada, chamar a polícia para bater em quem queria fazer algo com o espaço) nós entramos e cá estamos. A okupa completou 2 anos no final de 2011. Ah! Alguns chamam de 171 por causa do número de endereço da casa, que é… 171.

ANA > Então a okupação serve como moradia e espaço cultural?

Coletivo Tranca Rua < Sim. Nossa proposta com este espaço é garantir um canto para a vivência libertária, obviamente, num sentido fraco, já que viver isso plenamente numa cidade é muito difícil, e divulgar as ideias e a cultura libertária. Basicamente, nossa intenção aqui é criar espaços que rasguem com a malha da ordem sistemática da sociedade e propiciem o florescimento da anarquia.

ANA > E quais as atividades regulares do espaço?

Coletivo Tranca Rua < Isso varia com o tempo. Têm o grupo de estudos anárquicos que funciona de forma semestral, nesse momento estamos no recesso dessa atividade, digamos assim. Nesse grupo nós fazemos leituras coletivas e discussões em cima de textos clássicos e contemporâneos anarquistas. Recentemente as meninas daqui criaram o grupo Desconstruindo Gênero, cuja proposta é discutir temas ligados ao corpo e autonomia da mulher, com oficinas práticas e discussões. Também acontece, meio desordenadamente, o cine debate, com projeções e conversas sobre temas variados e previamente noticiados, e nesse momento estão acontecendo os cursos de verão da 171, que constituem-se em uma série de oficinas voltadas para a comunidade em geral.

Além disso, produzimos um programa anarquista na Rádio Comunitária de Pelotas, chamado Subversão.

Fora essas atividades fixas, acontecem muitas outras espontâneas, sejam elas puxadas pelo Coletivo Tranca Rua, ou que a gente acaba se agregando, se apropriando ou simplesmente somando forças.

ANA >Todo tipo de gente frequenta a okupação?

Coletivo Tranca Rua < O pessoal que frequenta a 171 é bem variado, acho que com exceção dos fascistas e partidários fanáticos, tem de tudo.

ANA > E é um lugar culturalmente conhecido na cidade?

Coletivo Tranca Rua < Essa é uma questão complicada de responder. Acreditamos que em alguns setores da sociedade somos mais conhecidos que em outros. Entre os estudantes, movimentos sociais e o pessoal que mora nos bairros próximos somos bem conhecidos. As pessoas que participam das atividades que acontecem aqui, normalmente, ajudam a divulgar o que está rolando no espaço e é assim que mais ou menos funcionam as coisas por aqui.

ANA > A okupa completou 2 anos. Qual o salto qualitativo desde a sua criação?

Coletivo Tranca Rua < É gigantesco. Muita coisa melhorou desde que ocupamos a casa, tanto em estrutura física, quanto nas dinâmicas e relações dentro do espaço. Quando o ocupamos, era uma casa caindo aos pedaços, passamos quase um ano sem energia elétrica e com poucos recursos para a reforma da casa. Nessa época dormíamos em barracas dentro da casa. Quando chovia, não tinha como fazer nenhuma atividade (e aqui em Pelotas chove muito). O pátio era cheio de entulho e poucas pessoas colaboravam pra melhorar o espaço. Mas tocávamos as atividades na medida do possível. Com o tempo, fomos ficando conhecidos fora de Pelotas e mais pessoas que passavam pela cidade apareciam por aqui. Essas pessoas quase sempre contribuíam para elevar o nosso ânimo (claro que de vez em quando apareciam alguns que só atrasavam o andamento das coisas) e aos poucos tudo foi tomando forma. Hoje a nossa situação já é bem diferente, podemos conversar sem se preocupar que o telhado caia nas nossas cabeças.

ANA > A okupa já foi alvo de alguma agressão fascista?

Coletivo Tranca Rua < Não, esse tipo de situação já ocorreu nas ruas com algumas pessoas do coletivo, mas nunca atacaram a okupa. Eles não seriam tão loucos de aparecerem por aqui.

ANA > Vocês também editam um jornal, certo?

Coletivo Tranca Rua < Sim. O “Povo Livre” é um informativo aperiódico que editamos desde 2005, mas que tomou corpo somente em 2008, quando começamos a imprimir em intervalos menores de tempo. Hoje o “Povo Livre” já vai para a 15° edição, com artigos, notícias e coisas do gênero, que circundam o anarquismo.

ANA > Recentemente vocês organizaram a “I Feira do Livro Independente e Autônoma de Pelotas”. Qual o balanço que vocês fazem desta jornada?

Coletivo Tranca Rua < Foi a primeira feira do livro que organizamos. A nossa proposta era (e segue sendo) reunir alguns artistas independentes que se expressam através da música, do teatro, da dança, e, principalmente da literatura para construir um espaço onde pudéssemos compartilhar nossos trabalhos. Apesar dos contratempos, muita coisa rolou harmonicamente, tivemos a oportunidade de conhecer uns trabalhos independentes muito bons e estreitar alguns laços. Na 14° edição do “Povo Livre” colocamos um relato da FLIA com mais detalhes do que rolou no evento. A nossa ideia agora é organizar a segunda edição da feira para o início do mês de abril, quem quiser unir força na construção será muito bem-vindo.

ANA > Além das atividades de interesse cultural e políticas, na okupa há também iniciativas agroecológicas?

Coletivo Tranca Rua < De certa forma. Temos uma humilde horta em nosso quintal, onde plantamos algumas leguminosas, ervas e hortaliças para consumo próprio. Alguns de nós somos muito ligados a agroecologia e a permacultura, buscando formas alternativas de construção como o barro e o telhado vivo (que está em fase de construção). Tentamos, apesar de vivermos em um espaço urbano, colocar essas atividades em prática, em parceria com outros coletivos também.

ANA > Essa é a primeira experiência okupa em Pelotas ou tem notícias de outras?

Coletivo Tranca Rua < Que nós temos conhecimento, em 4 de abril de 2005 a primeira casa de cunho anarquista foi okupada nessa cidade, eram quatro compas que na época formavam o que é hoje o Tranca Rua. Provavelmente, muitas outras okupas rolaram por aqui para os mais variados fins, mas sobre isso não temos informação suficiente para falar. Algo que temos que ressaltar é a profunda influência que tivemos de okupas mais antigas, principalmente dos anarcopunks de Porto Alegre, cujo movimento em torno desta prática já perdura por alguns anos.

ANA > E como está atualmente o panorama de espaços okupados no Rio Grande do Sul?

Coletivo Tranca Rua < Talvez este nosso panorama deixe de fora muitas okupas ou iniciativas semelhantes que existam pelo Rio Grande do Sul, por falta de conhecimento ou de relações. O que podemos é falar um pouco sobre nossos compas okupas mais próximos. Provavelmente, a cidade de Porto Alegre seja a mais agitada no que se trata de okupações de cunho político e/ou anárquico. Podemos citar aqui o Bosque Ibirapijuca e a Comunidade Autônoma Utopia e Luta; A primeira é fruto de um movimento Squatter que já deve ter uns seis anos de atuação em Porto Alegre, e está nesse momento correndo sério risco de desalojo devido a reorganização do espaço urbano para receber a Copa do Mundo de 2014, e a segunda é uma comunidade autônoma que habita um edifício okupado no centro de Porto Alegre que serve de moradia e espaço social. Se não nos enganamos ela começou como uma demanda do Movimento de Luta Pela Moradia e, existindo há mais de cinco anos, transcende este propósito, sendo um lugar de resistência e formação política.

Ao mesmo tempo em que alguns espaços sofrem ou são ameaçados de desalojo, outros nascem por aqui. Como é o caso do Squatt Atazana de Rio Grande, que tem algumas semanas de existência, e pretende ser mais um espaço fértil para a cultura e ação libertária. E falando em Rio Grande, também podemos citar os terrenos okupados pelo Coletivo Catch a Fire no Cassino, cuja proposta é fomentar a prática agroecológica urbana e educacional.

ANA > E como vai a movida anarquista em Pelotas?

Coletivo Tranca Rua < Hoje, a movida anarquista em Pelotas é puxada pelo Coletivo Tranca Rua e indivíduos que fazem o anarquismo à sua forma, como por exemplo, nosso companheiro Jarbas Lazzari, produtor do programa de rádio “Samba e Liberdade”, um dos primeiros programas a abordar a temática anarquista em Pelotas.

Mais infos: http://coletivotrancarua.noblogs.org/

agência de notícias anarquistas-ana

Maré outonal.

As ondas quebram na areia

Bem devagarinho.

Benedita Silva de Azevedo