Arquivo da Sessão ‘Mundo’

Novo Movimento na Palestina

Thursday, May 17th, 2012

O dia 15 de novembro [2011] viu nascer um novo movimento de desobediência civil na Cisjordânia. Os manifestantes palestinos, chamados de Cavaleiros da Liberdade, entraram no ônibus segregacionista israelense em direção à Jerusalém e outros territórios ocupados. Estes ônibus são segregados não oficialmente, no sentido de que eles operam nas colônias – que são militarmente proibidos para os palestinos – são parcialmente subsidiados por Israel, e normalmente ignoram palestinos que querem embarcar. Sem “permissões oficiais” os palestinos não podem entrar em sua própria terra, podem ser presos e mesmo assassinados. O termo Cavaleiros da Liberdade é emprestado de um movimento histórico bastante conhecido – o movimento por direitos civis nos EUA que começou quando Rosa Parks se recusou a desistir de seu assento em um ônibus segregacionista, levando outras pessoas a seguir seu exemplo. Os Cavaleiros da Liberdade palestinos fizeram o mesmo, embarcando nos ônibus levando mensagens impressas com dizeres como “Pelo fim da Colonização”, “Boicote o Apartheid”, “Nós Iremos Vencer”, etc., e expondo bandeiras palestinas. Fizeram isso com dezenas de jornalistas presentes, transmitindo ao vivo e ao mesmo tempo gravando o protesto (o que pode prevenir uma repressão mais severa do Estado).

Diferente dos Cavaleiros da Liberdade mais antigos, o objetivo dos palestinos é muito mais radical. Eles dizem: “Ao tomar esta ação nós não procuramos a desagregação dos ônibus da colônia, visto que a presença destes colonizadores e a infraestrutura que os serve é ilegal e precisa ser desmantelada. Como parte da nossa luta por liberdade, justiça e dignidade, nós exigimos a capacidade de poder transitar livremente nas nossas próprias estradas, na nossa própria terra, incluindo o direito de viajar para Jerusalém”. (Comunicado de Imprensa, 16 de novembro) Mas como seus antecedentes históricos, estão protestando pacificamente, recusando a imposição de carregar permissões ou de sair do ônibus.

Apesar de terem sido permitidos no ônibus, eles foram parados – como esperado – antes de chegar em Jerusalém, e foram brutalmente retirados do ônibus por soldados israelenses, mesmo com os manifestantes tentando segurar em qualquer coisa que podiam. Os jornalistas judeus a bordo não receberam melhor tratamento. Seis dos manifestantes foram presos e mantidos na prisão durante a noite do 15 de novembro. Mas os palestinos não tem intenção de desistir. A imprensa diz mais: “Nós sabemos que ao agir dessa forma corremos o risco de sermos presos, o risco de sermos atacados de maneira virulenta pelos colonizadores israelenses, o risco de abuso por parte dos soldados israelenses, e mesmo a morte. Nós compreendemos este risco como um passo a caminho da liberdade, da justiça e da dignidade para as gerações futuras de palestinos e de todas as pessoas da região”.

Enquanto isso, manifestantes constroem seu próprio protesto em Nova Iorque, em solidariedade aos Cavaleiros da Liberdade, expressando mensagens como “Ocupe Wall Street, Não a Palestina”. Algo em torno de 42% da Margem Ocidental (Cisjordânia) é colonizada, enquanto o Estado de Israel continua conduzindo os colonizadores através dos ônibus segregacionistas e acelerando a construção apesar das vaias da “comunidade internacional”.

Tradução > Malobeo

agência de notícias anarquistas-ana

cortinas de seda

o vento entra

sem pedir licença

Paulo Leminski

[Grécia] O plebiscito anunciado como um meio pacificador

Thursday, November 3rd, 2011

[Na madrugada de 2 de novembro - após a ação de independência por parte de uma deputada, ficando o governo com 152 assentos no Parlamento, um a mais que o necessário para obter a maioria de votos, e depois de um conselho de ministros a noite - o primeiro-ministro da Grécia anunciou a decisão do governo de realizar um plebiscito dentro de três meses e meio. Quer se trate de um truque, uma farsa, um golpe de publicidade ou realidade, os fogos de artifício lançados pelo primeiro-ministro têm uma natureza pacificadora e de “combate a incêndios”. Publicamos a seguir a tradução de uma entrada sobre o assunto, postado em www.occupiedlondon.org.]

A notícia chegou: pela primeira vez desde o fim do regime militar da ditadura em 1974, o governo grego vai realizar um plebiscito para ratificar o acordo de pagamento da dívida. Muitos estão surpresos: porque arriscar de um arranjo feito, por que dar às pessoas uma voz, arriscando tudo?

O Poder não chegou a esta decisão levianamente. No entanto, a decisão de um referendo, neste momento, poderia ser um dos últimos bastiões contra um ruído que parecia tornar-se uma revolta popular incontrolável. Por um lado os desfiles militares em 28 de outubro se converteram em desfiles de raiva; por outro lado, a implantação de uma faixa com lemas políticos se estendendo nos estádios de futebol na Grécia. Muitos acordaram em muito pouco tempo.

O plebiscito é a última tentativa desesperada do Poder de recuperar o controle, de afastar o “fator decisivo” das ruas e conduzi-lo de volta aos mecanismos de segurança e conforto da democracia burguesa. “Você concorda?”, “Você não concorda?”. Claro, isso não importa, basta falar com a gente!”

Para a Ordem política, vendo seu discurso desmantelando-se nas ruas, a imagem da fúria crescente de muitos rebelando-se contra ela coletivamente deve ser aterrorizante. Seus agentes têm jogado a isca da promessa de um presente, para parar os urros. O truque irá funcionar?

agência de notícias anarquistas-ana

tordos em bando

nuvens viúvas

acima dos montes

Rogério Martins

[Espanha] 75 entradas do metrô amanhecem pintadas contra as touradas

Tuesday, March 22nd, 2011

Para marcar as touradas no início de inverno, com o assassinato de touros na Praça de Vistalegre, e outros locais na comunidade, queríamos levar a luta anti-touradas para as ruas, para dar visibilidade ao conflito e não deixar que mais uma vez, como há tantos anos, caia no esquecimento.

Nesta ocasião a meta que estabelecemos foi o de assegurar que todas as pessoas que vivem em nossos bairros percebam a importância dessa luta, e o quanto passa despercebido, como sempre tem acontecido.

Considerando que em Madri existem vários grupos, coletivos e indivíduos que compartilham essa luta, com abordagens muito semelhantes, não tem sido difícil coordenarmos para que, nas primeiras horas do último fim de semana de fevereiro, 75 entradas de metrôs de toda a Madri amanhecessem com frases anti-touradas e de libertação animal. Também foram visitados os arredores da praça de touros de Vistalegre e da Praça de Las Ventas, onde no mesmo momento dezenas de animais foram escravizados pelo Circo Mundial.

Este “pequeno” ato não é mais um lembrete de uma luta apequenada baseada em políticas abertamente touricidas e de controle forte da mídia, que estamos dispostos a combater.

Cada vez são mais os grupos anti-especistas que surgem em nossa cidade, e esperamos que esta ação incentive a levar suas reivindicações para a rua e ser ouvidos, como ouviremos a todos nós.

agência de notícias anarquistas-ana

Havia o escuro
mas eu não sabia onde;
teu rosto era sol.

Eolo Yberê Libera

[Grécia] Chamado de solidariedade internacional com o preso anarquista Simos Seisidis

Monday, March 21st, 2011

Quinta-feira, dia 30 de março de 2011, terá lugar no tribunal de primeira instância o caso dos “assaltantes de negro”. Se trata do caso do assalto ao Banco Nacional na rua Solonos em janeiro de 2006, e seis outros assaltos. É o mesmo caso pelo qual Giannis Dimitrakis foi finalmente condenado a 12,5 anos de prisão no tribunal de apelação. Desta vez o acusado é Simos Seisidis, que esteve procurado durante 4,5 anos. Simos foi detido em 3 de maio de 2010, após um encontro casual com uma patrulha de polícia. Dado que estava sendo procurado não parou quando lhe quiseram pegar, foi perseguido e um policial disparou pelas costas. Ainda que sua vida correu um risco muito grave, sobreviveu, mas a causa da gravidade dos ferimentos levou-lhe a amputar a perna direita.

Entretanto, por este acontecimento, está acusado de tentativa de homicídio do policial que lhe disparou pelas costas atrás de seu carro! De fato a juíza de instrução lhe mandou a prisão preventiva por este caso também, após “encerrar” o caso sem sequer esperar o resultado do diagnóstico do médico forense da perna amputada, assim o informe que foi apresentado com atraso de 9 meses. Outra coisa que confirma o que estamos afirmando.

A razão pela que Simos fugiu, foi uma ordem de busca e captura contra ele (e também seu irmão Marios Seisidis e o companheiro Grigoris Tsironis, que seguem fugitivos da lei) emitida depois do assalto durante o qual foi detido Giannis Dimitrakis. Sem nenhuma prova substancial, de fato suas relações pessoais e políticas estão sendo criminalizadas, os três companheiros se viram obrigados a fugir, não esperando que os tribunais burgueses, a maquinaria repressiva e os jornalistas, esses papagaios que simplesmente repetem o que diz o Poder, lhes aplicassem sua “justiça”.

Nenhum destes três poderes, judicial, policial e midiático, se precipitou em desmentir algo, todos colaboraram: o primeiro lhes condenou (em ausência) a 7,5 anos de prisão, e isso só pelos delitos menores de todos os sete assaltos, ademais tirando de Simos o direito de apelar contra a decisão do julgamento! O segundo, após colocar um preço enorme por suas cabeças (600.000 euros) tentou matar a Simos. O último, após contribuir durante todos esses anos difundindo informações vindas diretamente da polícia e publicando artigos que cultivavam o medo ao “terrorismo”, de fato apontou a bala que finalmente alcançou seu objetivo.

O companheiro tem mais um outro processo pendente. Se trata de um caso de roubo de armas, sendo que a única prova contra ele é supostamente seu DNA (que aliás foi encontrada em outro lugar, mas isto parece ser de menor importância se tratando de um anarquista procurado). Ultimamente os processos a base do DNA estão muito na moda na Grécia. A polícia grega encontrou uma maneira fácil para culpar a quem quiser, dado que o DNA de cada um de nós pode ser encontrado e transportado a qualquer lugar.

Com outro caso mais (pelo que se poderia ter sido absolvido se não estivesse sendo procurado) pendente, Simos está no momento condenado por dois casos e em prisão preventiva por outros três. Mas a parte jurídica não é a mais substancial de seu caso, ainda que uma descrição de seu caso é necessária pelos companheiros na Grécia ou em outras partes, para ter uma idéia mais clara possível da intensidade do esforço de aniquilar este companheiro, por parte do Estado.

Esperamos que até seu julgamento em 30 de março, a solidariedade seja da mesma intensidade e amplitude. Na Grécia esses últimos dois anos, “o império contra-ataca” Tendo medo das tensões sociais que podem estourar em qualquer momento como causa do ímpeto da crise econômica, o Estado tenta tirar do meio, deste fator que é capaz, com sua consciência política, de converter esta “explosão” em uma revolução: o movimento antiautoritário

Nesse seu esforço, a democracia nem sequer tenta parecer democrática. Manifestantes estão sendo golpeados brutalmente, locais anarquistas se convertem em “pisos francos de bandas armadas”, companheiros estão sendo levados a prisão por “pertencer a uns grupos armados sem nome” e, sem mais, outros são acusados de “terrorismo” porque andavam pela rua ou tomavam café com certas pessoas.

Mas, por desgraça deles, aí onde tentam reprimir um foco de resistência, outros dez novos surgirão. Tentam, por meio do medo, converter às lutas sociais em uma coisa do passado e sem sentido nenhum. É de nosso alcance devolver-lhes o medo em sua cara.

Tentam, por meio da aniquilação exemplar de lutadores presos, deter aos demais para que não resistam. Tentam converter nossos companheiros presos em fantasmas, presentes só na memória de uns poucos amigos e familiares. É de nosso alcance de não deixar esquecidos todos os nossos companheiros. É de nosso alcance tirá-los das mãos do Estado.

NÃO PERMITIREMOS A ANIQUILAÇÃO DE SIMOS SEISIDIS.

Não porque é “inocente”, nem porque foi “castigado” tão brutalmente pelos mecanismos repressores, senão PORQUE É UM LUTADOR.

EXIGIMOS SUA LIBERTAÇÃO IMEDIATA!

Não por “sensibilidade democrática”, nem por humanismo, senão PORQUE É NOSSO COMPANHEIRO.

CHAMAMOS AOS QUE LUTAM, AOS COMPANHEIROS DE TODO O MUNDO A JUNTAR SUAS VOZES COM AS NOSSAS PARA O JULGAMENTO EM 30 DE MARÇO.

Não por compaixão, nem por dever, senão PORQUE SOMOS ANARQUISTAS e A SOLIDARIEDADE É NOSSA ARMA!

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agência de notícias anarquistas-ana

Mar de tormento
mar de sustento –
ai, triste sina

Eugénia Tabosa

Isso não merece um Tribunal Penal Internacional?

Thursday, March 10th, 2011
Bombas sionistas propagam o câncer e más formações em Gaza: Alguns dias atrás, a Assembléia Geral da ONU expulsou a Líbia do Conselho de Direitos Humanos, enquanto os antecedentes da Líbia foram enviados ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. A decisão da ONU se baseia em “suposições” e “presunções”, porque não havia nenhuma evidência de mortos como foi falado, até então.

Veja aqui os dois pesos da chamada comunidade internacional, quando se trata de analisar o que torna uma das engrenagens mais simbólicas do Imperialismo – o sionismo:

O número de pacientes com câncer e má formação tem aumentado em Gaza, devido ao uso de urânio empobrecido pelo exército israelita, durante o violento ataque ao pobre enclave durante dois anos, segundo fontes médicas.

Após a guerra, os casos de câncer aumentaram mais de 30% em Gaza, informou o correspondente da PressTV esta semana.

“Temos visto um aumento acentuado em pacientes com câncer de sangue e outras doenças. Muitos pacientes vêm de áreas que foram atacadas por aviões israelenses que usaram armas químicas proibidas”, disse o oncologista Mohammed Atteya.

O Hospital Shifa, o maior provedor de cuidados de saúde na Faixa de Gaza, tem presenciado recentemente um forte aumento no número de pacientes com câncer.

Os médicos afirmam que a maioria dos pacientes de câncer reside em áreas que foram fortemente bombardeadas durante a ofensiva de Israel sobre Gaza, no inverno de 2008-2009.

O ataque israelense matou 1.400 palestinos e deixou milhares de feridos; a maioria das vítimas era civil.

Naquele momento, os médicos noruegueses, voluntários em hospitais de Gaza, afirmaram que algumas vítimas tinham traços de urânio empobrecido em seus corpos.

Os danos ambientais e a poluição é outro subproduto infeliz da guerra.

As medições do pós-guerra indicam que áreas no enclave são mil vezes mais radioativas do que os níveis normais, e os casos de câncer e má formação começaram a surgir diariamente.

“O número de pacientes com câncer tem aumentado significativamente. Israel usou urânio empobrecido, fósforo branco contra a cidade, que se tornou um campo de testes para essas armas proibidas”, disse o especialista ambiental Zekra Ajour.

Um denominador comum entre pacientes com câncer é que eles vivem em áreas que foram fortemente bombardeadas.

Atualmente, a maioria das armas da mais alta tecnologia contém urânio empobrecido e outros metais pesados.

O resíduo de uma arma com urânio empobrecido pode ser espalhado pelo vento, infectando os residentes nas proximidades e contaminando a cadeia alimentar.

De acordo com médicos especialistas e ambientalistas, a população e o meio ambiente da Faixa de Gaza sofreram graves conseqüências do uso de armas proibidas internacionalmente por Israel durante a guerra.

agência de notícias anarquistas-ana

A lua minguante
procura com quem falar
na boca da noite

Ronaldo Bomfim

Inglaterra participará de polêmico sistema da UE de monitoramento dos cidadãos

Friday, August 13th, 2010

LONDRES, Inglaterra, 15 de junho de 2010 — Sob o governo trabalhista
que acabou de ser despejado da Inglaterra, o país se uniu a um sistema
da UE para permitir que o governo colete dados sobre os cidadãos que
expressam ou compartilham opiniões políticas “radicais”.

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