Arquivo da Sessão ‘Mulher’

[São Paulo] Manifestação pela libertação imediata das integrantes da banda punk feminista Pussy Riot

Friday, August 17th, 2012

431561_10150975045275950_1471641924_nNo dia de hoje, 17 de agosto, Nadezhda Tolokonnikova, Yekaterina Samutsevic e Maria Alekhina, integrantes da banda punk feminista Pussy Riot, foram condenadas na Rússia a dois anos de prisão, sob a acusação de “vandalismo motivado por ódio religioso”. A causa foi uma manifestação de repúdio ao presidente russo Vladimir Putin, realizada na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, onde a banda cantou em voz alta “Ave Maria, Virgem Maria, livrai-nos de Putin”.
O protesto foi feito após uma declaração do patriarca ortodoxo russo, que pediu voto para Putin às vésperas das eleições presidenciais.
O julgamento e prisão destas três mulheres tem clara motivação política, e reflete uma crescente criminalização das mobilizações e protestos populares que vem ocorrendo em todo o mundo, em um contexto político onde atos contrários ao sistema vigente são considerados inaceitáveis e motivos para prisão e perseguição, muitas vezes enquadrados em duras legislações que tratam a questão como “terrorismo”.

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Diversas manifestações pela liberdade das três integrantes feministas da Pussy Riot tem sido feitas pelo mundo, e hoje, durante o julgamento e após o veredito, aconteceram protestos em Moscou e outros países.
dsc03663Em São Paulo, o Movimento Anarcopunk convocou uma manifestação de apoio e solidariedade às Pussy Riot, exigindo sua libertação imediata, com participação de companheiras anarco-feministas, anarcopunks e libertári@s. A manifestação aconteceu em frente ao Consulado da Rússia, na região do Morumbi, com faixas, distribuição de panfletos e leitura de uma “oração” de protesto, em referência à “oração” que causou a prisão das três feministas.
@s manifestantes também tentaram protocolar uma carta de repúdio no Consulado, o que porém lhes foi negado. Ao saírem para fora do casarão que sedia o Consulado, os altos funcionários do mesmo afirmaram que as mulheres “já haviam sido condenadas e ponto”.

Todas as manifestações de solidariedade internacional às três companheiras são de extrema importância!
LIBERDADE PARA PUSSY RIOT!
ATÉ TOD@S ESTAREM LIVRES ESTAREMOS TOD@S APRISIONAD@S!

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Leia abaixo a “oração” que foi lida durante a manifestação em São Paulo:

Ave Maria: Livrai-nos de Putin!
Livrai-nos da Igreja e do Estado
Livrai-nos da perseguição política e da criminalização do protesto popular que têm ocorrido de forma brutal e sistemática em todo o mundo
Livrai-nos do genocídio da população pobre e excluída que é levada a cabo pelo Estado e pela Polícia que o defende
Livrai-nos das prisões, tod@ pres@ é um/a pres@ polític@
Livrai-nos do machismo, sexismo, homofobia e racismo, cotidianamente manifestados pelo Estado, pela Igreja, pelas instituições e nas relações sociais
Livrai nossos corpos e mentes da opressão, exploração e escravidão do capital
Livrai-nos dos estupros, das violências físicas e psicológicas a que somos submetidas diariamente pelo simples fato de sermos mulheres
Livrai Pussy Riot, Mumia Abu Jamal, os 9 do MOVE, e tod@s @s noss@s companheir@s espalhad@s pelos cárceres deste mundo!

Ave Maria: Libertaremo-nos a nós mesm@s, porque nossa liberdade está em nossas próprias mãos.
Nos livraremos da Igreja e do Estado
Nos livraremos da perseguição política e da criminalização do protesto popular que têm ocorrido de forma brutal e sistemática em todo o mundo
Nos livraremos do genocídio da população pobre e excluída que é levada a cabo pelo Estado e pela Polícia que o defende
Nos livraremos das prisões, tod@ pres@ é um/a pres@ polític@
Nos livraremos do machismo, sexismo, homofobia e racismo, cotidianamente manifestados pelo Estado, pela Igreja, pelas instituições e nas relações sociais
Livraremos nossos corpos e mentes da opressão, exploração e escravidão do capital
Nos livraremos dos estupros, das violências físicas e psicológicas a que somos submetidas diariamente pelo simples fato de sermos mulheres
Libertaremos Pussy Riot, Mumia Abu Jamal, os 9 do MOVE, e tod@s @s noss@s companheir@s espalhad@s pelos cárceres deste mundo!

Em nome da liberdade, da diversidade e da autonomia!
Amém!

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* Sobre a Pussy Riot:

A banda punk russa Pussy Riot é uma banda feminista com  letras de crítica direta a Vladimir Putin, que se formou em setembro de 2011 após anúncios de que Putin planejava se candidatar novamente à presidência e permanecer no governo por pelo menos mais 12 anos.
O objetivo era criar uma banda militante que tocasse nas ruas e praças de Moscou, mobilizando e fortificando uma oposição cultural e política.
Outros pontos de grande importância para elas são a questão de gênero, feminismo, LGBT, dentre outros.
Já foram presas anteriormente após tocar “Revolt in Russia” na Praça Vermelha, enquadradas em uma dura legislação contra protestos ilegais, tendo sido liberadas logo em seguida. Em outra ocasião, fizeram um show no telhado de um dos prédios do Centro de Detenção de Moscou, após prisão de várias pessoas em protestos pós-eleição de 5 de dezembro.
Em todas as suas aparições usam sempre balaclavas coloridas, se afastando da personificação e criando um anonimato que propicia um contínuo revezamento nas apresentações, mais pessoas possam se juntar ao grupo, que nunca se saiba quem está ali tocando, e que sua luta prossiga com quaisquer garotas que possam dar continuidade à sua luta contra os símbolos de poder Putinistas.

[México] Ação feminista contra os abusos de professor universitário

Wednesday, August 17th, 2011

Cenas Ativistas Não São Espaços Seguros Para Mulheres: Sobre o Abuso de Mulheres Ativistas por Homens Ativistas

Tuesday, April 5th, 2011

Tamara K. Nopper

Versão em inglês em: http://tinyurl.com/4so5jmq

Como uma mulher que tem experimentado abuso físico e emocional de homens, alguns dos quais eu tive longos relacionamentos, foi sempre difícil aprender de outras mulheres ativistas que elas estavam sendo abusadas por homens ativistas.
As questões interrelacionadas do sexismo, misoginia e homofobia em círculos ativistas são excessivas, e não é surpreendente que mulheres são abusadas física e emocionalmente por homens ativistas com os quais elas trabalham em vários projetos.
Eu não estou falando abstratamente aqui. Na verdade, eu sei de vários relacionamentos entre homens ativistas e mulheres nos quais as últimas são abusadas se não fisicamente, emocionalmente. Por exemplo, há muito tempo uma amiga minha me mostrou ferimentos em seu braço que ela me disse que foram causados por outro homem ativista. Essa mulher certamente luta emocionalmente, o que é um tanto esperado dado que ela experimentou abuso físico. O que era adicionalmente desolador de ver era como a mulher era evitada por círculos ativistas quando ela tentava falar sobre seu abuso ou o ter abordado. Alguns disseram a ela para ultrapassá-lo, ou para se focar em “verdadeiros” homens bacacas tais como proeminentes figuras políticas. Outros disseram a ela para não deixar “problemas pessoais” entrarem no caminho da “realização do trabalho”.
Eu lutei com a recuperação de minha amiga também. Como sobrevivente de abuso, era difícil encontrar uma mulher que de certa forma era um espectro de mim. Eu buscaria essa mulher, e ela iria ao acaso dizer-me sobre outra briga que ela e seu namorado haviam tido. Eu encontraria a mim mesma evitando essa mulher porque, francamente, era difícil olhar para uma mulher que me recordava muito de quem eu não era há muito tempo: uma pessoa assustada, envergonhada e desesperada que balbuciaria para qualquer pessoa disposta a ouvi-la sobre o que estava acontecendo com ela. Em outras palavras, eu, como essa mulher, tínhamos atravessado o desespero de tentar sair de uma relação abusiva e necessitando finalmente contar às pessoas o que estava acontecendo comigo. E similarmente a como essa mulher era tratada, a maioria das pessoas, até mesmo aqueles que eu chamava de amigos, se esquivavam de me escutar porque eles não queriam ser incomodados ou estavam lutando com suas próprias lutas emocionais.
A vergonha associada em contar às pessoas que você tem sido abusada, e como eu, centrada em uma relação abusiva, é feita ainda pior pelas respostas que você obtem das pessoas. Ao invés de serem simpáticas, muitas pessoas ficaram desapontadas comigo. Muitas vezes fui dita por pessoas que elas estavam “surpresas” em descobrir que eu havia “me envolvido com esta merda” porque diferentemente de “mulheres fracas”, eu era uma mulher “forte” e “política”. Essa resposta é completamente misógina porque ela nega quão dominante é o patriarcado e o ódio por mulheres e o “feminino”, e ao invés disso, tenta colocar a culpa nas mulheres. Isso é, estamos a ignorar que mulheres estão sendo abusadas por homens e, ao invés disso, enfatiza o caráter de mulheres como a razão definitiva pela qual algumas são abusadas e outras não “se envolvem com esta merda”.
Não posso ajudar a não ser pensar que outras mulheres ativistas que têm sido abusadas, querem seja por homens ativistas ou não, também enfrentam dificuldades semelhantes recuperando-se do abuso. Independentemente da política de alguém, as mulheres podem ser e são abusadas. Qualquer um que se recuse a acreditar nisso ou simplesmente não escuta às mulheres ou não pensa sobre o que as mulheres passam regularmente. E isso é porque eles são simplesmente hostis em reconhecer quão pervasivos e normalizados o patriarcado e a misoginia são – ambos fora e dentro de círculos ativistas.
Mais, várias de nós queremos acreditar que homens ativistas são diferentes de nossos pais, irmãos, antigos namorados e machos estranhos com os quais nós confrontamos em nossas rotinas diárias. Nós queremos ter alguma fé que o cara que escreve um ensaio sobre sexismo e o posta em seu website não o está escrevendo somente para fazer uma boa aparência dele, obter sexo, ou encobrir algumas de suas perigosas práticas com relação às mulheres. Nós queremos acreditar que as mulheres estão sendo respeitadas por suas habilidades, energia e compromisso político e não estão sendo solicitadas a fazer trabalho porque elas são vistas como “exploráveis” e “abusáveis” por homens ativistas.
Nós queremos acreditar que, se um homem ativista fez um avanço indevido ou fisicamente/sexualmente agrediu uma mulher ativista, isso seria prontamente e atenciosamente lidado por organizações e comunidades políticas – e com a contribuição da vítima. Nós queremos acreditar que grupos ativistas não são tão facilmente seduzidos pelas habilidades ou pelo “poder nomeado” que um ativista masculino trás a um projeto que eles estão dispostos a deixar uma mulher ser abusada ou não ter sua recuperação abordada em troca. E nós gostaríamos de pensar que a “cultura de segurança” em círculos ativistas não somente foca nas questões do protocolo do listserv ou usa nomes falsos em comícios, mas na verdade inclui pensar proativamente sobre como lidar com misoginia, patriarcado e heterossexismo ambos fora e dentro de cenários ativistas.
Mas todos esses desejos, todos esses sonhos obviamente não tendem a ser abordados. Em vez disso, eu sei de homens ativistas que trollam espaços políticos como predadores procurando por mulheres que eles possam manipular politicamente ou foder sem responsabilização. Como padres abusivos, alguns desses homens literalmente movem-se de cidade a cidade procurando recriar a si mesmos e encontrar carne fresca no meio daqueles que são infamiliares com sua reputação. E eu tenho visto mulheres ativistas darem seu trabalho e destrezas a homens ativistas (que frequentemente ficam com o crédito) na esperança de que o homem ativista abusivo irá finalmente adquirir seu agir correto ou a apreciará enquanto ser humano.
Enquanto o romance entre ativistas é aprazível, eu acho que é nojento como os homens ativistas usam o romance para controlar as mulheres politicamente e manter as mulheres emocionalmente comprometidas em ajudar esses homens politicamente, mesmo quando essas políticas são piegas ou problemáticas. Ou, em alguns casos, homens ativistas se envolvem em políticas para encontrar mulheres que eles possam envolver em relações abusivas e controle. E dado que esse abuso trás para fora o pior da vítima, eu tenho visto onde mulheres interagem com outras ativistas (particularmente mulheres) de maneiras que elas não normalmente estariam se elas não estivessem sendo politicamente e emocionalmente manipuladas por homens. Por exemplo, eu sei de mulheres ativistas abusadas que têm espalhado rumores sobre outras mulheres ativistas ou têm-se envolvido em brigas políticas entre seu namorado e outros ativistas.
O que é assustador é que eu sei de ativistas homens que estavam abusando e manipulando mulheres ativistas e, ao mesmo tempo, escrevendo ensaios sobre sexismo ou competição entre mulheres. Às vezes o homem ativista irá redigir o ensaio com sua namorada ativista de forma a obter mais legitimidade. Eu sei de homens ativistas que uma hora citam bell hooks, Gloria Andalzua ou outras escritoras feministas e estão incomodando ou espalhando mentiras e fofocas sobre suas namoradas ativistas em outra. E homens ativistas irão ensinar mulheres a serem menos competitivas com outras mulheres para dissimular seu comportamento abusivo e manipulador.
O que é mais desolador é o nível de suporte que homens ativistas encontram de outros/as ativistas, homens ou mulheres, mas mais habitualmente, outros homens. Não somente as mulheres ativistas têm de confrontar e negociar com seu agressor em círculos ativistas, elas devem normalmente fazê-lo em uma comunidade política que se designa comprometida mas no final não dá importância alguma sobre a segurança emocional e física da vítima. Em muitas ocasiões eu tenho ouvido as histórias das mulheres sobre abuso serem recontadas e reformuladas por homens ativistas de uma maneira hostil e sexista. E quando eles remodelam essa história, eles geralmente o fazem naquela voz, a voz que é falsa, acusatória e zombeteira.
Por exemplo, quando eu estava dividindo com um homem ativista minhas preocupações sobre como uma mulher ativista estava sendo tratada por um homem ativista que mantinha uma posição proeminente em um grupo político, o homem “ouvindo” a minha história disse naquela voz “Oh, ela só está provavelmente brava porque ele começou a namorar outra pessoa” e passou a tirar sarro dela. Ele continuou a me dizer que, enquanto ele “reconhecia” que o homem estava errado, a mulher necessita impor-se ao homem se ela quer que o tratamento pare.
Infelizmente essa marca de misoginia do homem disfarçou-se enquanto o feminismo masculino é muito comum em círculos ativistas dado que muitos homens em geral acreditam que mulheres são abusadas porque elas são fracas ou secretamente querem estar em relacionamentos com homens abusivos. Mais, seus comentários revelaram uma atitude que assume que, se mulheres ativistas têm problemas com homens ativistas, elas estão “chorando pelo abuso” para encobrir desejos sexuais ocultos e raiva por terem sido rejeitadas por homens que “não irão fodê-las”.
Eu acho repulsivo que a segurança física e emocional de mulheres é de pouca preocupação a homens ativistas em geral. Enquanto homens ativistas irão falar da boca para fora sobre como eles precisam ficar com suas bocas caladas quando as mulheres estão falando ou como espaços somente de mulheres são necessários, muito frequentemente pessoas “críticas” e “políticas” não querem confrontar o fato de que as mulheres estão sendo abusadas por homens ativistas em nossos círculos. Quando essa questão é “abordada”, mais frequentemente do que não, a atenção será dada a “batalhar com” o homem (ou seja, o deixando permanecer e talvez só fofocando sobre ele). Eu tenho visto algumas situações onde homens abusivos tornam-se adotados, assim dizendo, por outros ativistas, que vêem reabilitar o homem como parte de seus projetos e pensam pouco sobre o que isso significa para as mulheres que estão tentando se recuperar. Em alguns casos, o homem ativista abusador foi adotado enquanto a mulher foi rejeitada como “instável”, “louca” ou “muito emocional”. Basicamente, esses grupos iriam antes ajudar um cara frio e calculista que pode “mantê-lo unido” enquanto ele abusa de mulheres ao invés de lidar com a realidade que o abuso pode contribuir para as dificuldades emocionais e sociais entre vítimas enquanto elas trabalham para se tornarem sobreviventes.
E em alguns casos, ativistas mulheres irão evitar ir à polícia porque ela é crítica ao complexo industrial penentenciário, mas também porque outros homens ativistas irão dizer-lhe que ela está “contribuindo para o problema” ao “conduzir o Estado para dentro”. Mas na maioria dos casos, o homem ativista não é castigado pelos problemas que ele criou. Deste modo, as mulheres estão presas tendo que descobrir como garantir sua segurança sem ser rotulada uma “traidora” por seus colegas ativistas.
Enquanto eu sou uma forte crente que nós devemos tentar trabalhar pela cura ao invés da punição em si, eu estou dolorosamente consciente que nós frequentemente damos mais ênfase em ajudar homens a permanecerem em círculos ativistas do que apoiar mulheres através de suas recuperações, o que pode envolver a necessidade de ter o homem removido de nossos grupos políticos. Basicamente, o grupo irá normalmente determinar que o ativista abusador deve ser deixado a se curar sem perguntar à mulher o que ela necessita do grupo para curar-se e ser apoiada em seu processo. Eu sei de vários exemplos de onde mulheres eram forçadas a tolerar a indisposição do grupo para abordar o abuso. Algumas irão permanecer envolvidas em organizações porque elas acreditam no trabalho e, francamente, há poucos espaços para se ir, se houverem, onde ela não sofra o risco de ser abusada por outro ativista ou ter seu abuso não abordado. Outras irão simplesmente deixar a organização. Eu tenho visto como essas mulheres são tratadas por outros/as ativistas – homens e mulheres – que tratam mulheres friamente ou fofocam que elas são egoístas ou traidoras por deixarem o pessoal entrar no caminho do “trabalho”.
Ou, se mulheres ativistas que têm sido abusadas são “apoiadas”, é usualmente porque ela faz “bom trabalho” ou que não abordar o abuso será “ruim para o grupo”. Nesse sentido, a saúde física, emocional e espiritual de mulheres é ainda sacrificada. Em vez disso, o abuso das mulheres deve ser abordado porque, se ele não for, ela pode não continuar a fazer “bom trabalho” para a organização ou pode haver muita tensão no grupo para que ele funcione de forma eficiente. De qualquer forma, a segurança das mulheres não é vista como digna de preocupação em e de si mesma.
Em geral, cenários ativistas não são um espaço seguro para mulheres porque misóginos e homens abusivos existem no interior deles. Mais, muitos desses abusadores usam a linguagem, ferramentas de ativismo e apoio de outros ativistas como meio de abusar mulheres e esconder seus comportamentos. E infelizmente, em muitos círculos políticos, independentemente de quanto nós falemos sobre o patriarcado ou misoginia, mulheres são sacrificadas de forma a manter o “trabalho” ou salvar a organização. Talvez seja tempo de realmente nós só se importarmos que as mulheres ativistas estão vulneráveis a serem manipuladas e abusadas por homens ativistas e considerar que abordar isso proativamente é uma parte integral do “trabalho” que ativistas devem fazer.

Livro: Mulheres objetoras de consciência – Uma Antologia

Friday, July 16th, 2010

A objeção de consciência é vista geralmente como um tema masculino, tal como os soldados. Este livro rompe com essa presunção. As mulheres se opõem conscientemente ao serviço militar e ao militarismo. Não só nos países que recrutam mulheres, como Eritréia e Israel – mas também em países sem recrutamento feminino. Ao fazer isso, elas redefinem o antimilitarismo desde uma perspectiva feminista, opondo-se não só ao militarismo, senão também a uma forma de antimilitarismo que põe ao objetor de consciência masculino como o “herói” da luta antimilitarista.

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