Arquivo da Sessão ‘Libertação Animal’

[Holanda] Entrevista a SVAT, Grupo de Apoio a Veganos Atrás das Grades

Wednesday, October 26th, 2011

Pergunta > Por favor, apresente brevemente o grupo e explique o trabalho que vocês realizam…

Resposta < Olá! Nosso grupo se chama “Steungroep Veganisten Achter Tralies” (SVAT), que traduzido seria “Grupo de Apoio a Veganos Atrás das Grades”. Somos um coletivo de voluntários que trabalham para ajudar veganos que acabam na cadeia aqui na Holanda. Este trabalho consiste em manter contato com o prisioneiro e tornar pública sua prisão, para que outros possam escrever-lhe (se o prisioneiro quiser que as pessoas o escrevam), contatar a carceragem para ver se o preso irá receber uma dieta vegana adequada e enviar um guia vegano à prisão.

Pergunta > Como podemos ler em seu site, atualmente não há prisioneiros veganos na Holanda. Então, quais são as atividades do grupo no momento?

Resposta < Neste momento estamos apoiando quatro pessoas que estão atualmente em liberdade sob fiança, por suspeita de envolvimento em uma liberação de visons. Alguns deles têm que enfrentar os custos quando visitam seus advogados, por isso estamos coletando dinheiro e bastante ocupados com a loja on-line do site, onde vendemos camisetas entre outras coisas mais para obter dinheiro para eles. A loja estará pronta em breve.

Pergunta > Sabemos que um grupo de apoio a prisioneiros veganos tem que lidar com instituições penitenciárias para obter permissão para envio de alimentos e produtos veganos aos presos. Como tem sido esse processo? Vocês encontram muitas dificuldades para obter essas licenças?

Resposta < Ao final de 2009, nos deparamos com a situação de ter vários prisioneiros veganos na Holanda, o que fez com que formássemos o SVAT. A princípio foi muito difícil fazer chegar comida vegana, tudo aconteceu de repente e ninguém havia lidado com situação semelhante. Ninguém sabia como funcionavam as prisões ou de onde se obtinha alimento. Como conseqüência, dois dos prisioneiros não receberam comida vegana, ou receberam comida vegana de péssima qualidade, por isso não tiveram muito com o que se alimentar. O tempo foi passando e o novo grupo começou a trabalhar duro nesse aspecto, encontrando finalmente uma maneira de garantir que os presos recebessem comida vegana. Mais tarde, quando outros veganos foram presos, foi muito mais fácil obter esse alimento.

Pergunta > No caso de alguém estiver pensando em criar um grupo de apoio a presos veganos, quais seriam os principais passos a seguir?

Resposta < Você tem que conhecer o sistema prisional de fora, usando informações que os presos possam dar. Isso permite saber de onde vem a comida que recebem, e que com quem tem que entrar em contato para se certificar de que essa comida é vegana. Quando começamos, criamos um pequeno guia explicando o que é o veganismo, que tipo de comida é vegana, receitas, e algumas informações básicas sobre nutrição. É uma boa idéia ligar ou enviar um fax para as carceragens, se nelas vão estar prisioneiros veganos (requer que ligue antes, para mantê-los informados). Outro passo essencial é arrecadar dinheiro. Pode ser enviado dinheiro para os prisioneiros e, normalmente, podem comprar produtos e alimentos na loja da prisão, então vai precisar de uma quantidade de dinheiro para ir enviando regularmente aos presos, para que possam sobreviver! O dinheiro também é necessário para honorários advocatícios no início de um processo de detenção, uma vez que normalmente leva algum tempo receber ajuda legal do Estado.

Pergunta > Como um grupo, vocês apóiam a todo tipo de presos veganos ou apenas aqueles envolvidos com atividades de libertação animal? Quero dizer, se souberem de algum prisioneiro que seja vegano por razões de saúde ou religiosas, vocês apoiariam?

Resposta < O caso mais recente que tivemos foi de uma presa vegana que não era ativista, e a apoiamos igualmente. Escreveu-nos pedindo ajuda e apoio (não teríamos sabido se não tivesse escrito). Estava tendo muitos problemas para conseguir comida vegana e a ajudamos, trabalhando com a carceragem para que obtivesse refeições apropriadas para ela e apoiando-a com cartas. Mas nosso principal objetivo é apoiar ativistas presos relacionados às atividades que têm a ver com direitos dos animais, e essa é nossa prioridade.

Pergunta > Qual é a situação legal atual dos acusados de libertar os visons?

Resposta < Os quatro ainda estão em liberdade sob fiança. Apenas um tem restrições, que o impede de deixar a Holanda sem a permissão de um juiz. Ainda não há data de julgamento, mesmo após dois anos se passarem, mas os advogados acreditam que será em algum momento de 2012.

Mais infos:

www.svat.nl/en/index.html

agência de notícias anarquistas-ana

Breve serei pó

e, então, quando me pisares,

cobrirei teus pés.

Evandro Moreira

[EUA] FBI procura pessoas para se infiltrar entre os ativistas de libertação animal

Tuesday, May 31st, 2011

Houve dois relatórios esta semana de que o FBI (da Flórida) está à procura de informantes para fornecer dados sobre o movimento local dos direitos dos animais.

No primeiro caso, uma mulher em West Palm Beach, que é ativa no resgate de cães, foi visitada em sua casa por um agente do FBI. Ele disse que os militantes anti-vivissecção estão “cruzando a linha”, tornando-se “perigosos” e que “causarão danos a alguém”. O agente disse: “você tem um acesso que eu não tenho”. Ele disse-lhe que iria ser “recompensada” por qualquer informação que você fornecer – o agente também se ofereceu para levá-la para almoçar. Ela disse ao agente que não estava interessada. Antes de sair, o funcionário avisou-lhe para não se associar aos ativistas de direitos animais.

No início de abril, um ativista que faz web design para ganhar a vida foi contatado por uma “personal trainer” para ajudar a criar um site. O ativista se reuniu com a mulher em um café e conversaram por uma hora sobre o projeto. A “treinadora” complementa a sua história com fotos de seu trabalho, etc. Durante uma segunda reunião, do nada, ela mencionou que seu namorado era amigo de alguém que trabalha para o FBI, e que o FBI iria pagar “muito bem” para obter informações sobre ativistas pelos direitos dos animais locais. Ela disse que estava preocupada que os ativistas “poderiam se tornar violentos”. O ativista rapidamente encerrou a conversa.

É importante sensibilizar quando o FBI começa a dar voltas. A melhor defesa é sempre o silêncio, e as histórias deste tipo devem fornecer uma mensagem aos ativistas para se lembrar por que nunca se pode falar com a polícia.

Se você tiver sido visitado pelo FBI, por favor, ligue para a linha direta da Green Scare: 888-NLG-ECOLAW.

Peter Young

agência de notícias anarquistas-ana

olhos de gato
luz dos faróis na noite
pulo no mato

Carlos Seabra

[EUA] O terceiro “terrorista” mais procurado pelo FBI é um ativista do movimento de Libertação Animal e da Terra

Tuesday, May 10th, 2011

Com a suposta morte do fundador e líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, o FBI, a polícia federal estadunidense, reorganizou em 2 de maio passado a lista dos mais buscados pelos Estados Unidos por atividades terroristas; Andreas San Diego, fugitivo do movimento de libertação animal é agora o número três.

San Diego foi acusado em 2004 pelos ataques sofridos a duas metas relacionadas com a campanha contra a HLS (Huntingdon Life Sciences), Chiron (Emeryville, Califórnia) e Shaklee (Pleasonton, Califórnia). Foi visto em 2003, depois que ele escapou da vigilância do FBI no centro de São Francisco.

Andreas San Diego é o principal suspeito referente ao bombardeio a Shaklee, pois foi detido por uma infração menor de trânsito, a menos de uma milha antes da detonação de explosivos (pelo que a polícia suspeita). Ele está em fuga por quase oito anos.

A adesão de San Diego na lista dos mais procurados é uma estratégia ousada do governo federal, vendendo ao público a falsa informação de que os ativistas pela libertação animal e a ALF são terroristas. Esse movimento em que, em mais de 30 anos de atividade, nenhum humano foi afetado. Os ataques de San Andreas foram realizados em edifícios de escritórios vazios e ninguém ficou ferido.

O FBI diz o seguinte sobre o fugitivo:

Daniel Andreas San Diego é procurado por seu suposto envolvimento no bombardeio de dois edifícios de escritórios na área de São Francisco, Califórnia. Em 28 de agosto de 2003, duas bombas explodiram, cerca de uma hora de diferença na Chiron Corporação, em Emeryville. Então, em 26 de setembro de 2003, uma bomba, amarrada com pregos, explodiu na Corporação Shaklee, em Pleasanton. San Diego foi acusado no Tribunal Federal Distrital, Distrito Norte da Califórnia, em julho de 2004”.

Depois disse, é claro, “deve ser considerado armado e perigoso” (a ficha de Peter Young, que estava foragido há 7 anos do FBI, continha a mesma anotação, embora ele nunca tenha tido uma arma de fogo).

É impossível saber onde se esconde Andreas San Diego, mas por favor, pergunte a si mesmo o que você faria se uma noite, em sua porta, ele pedisse ajuda. San Diego está enfrentando uma sentença de prisão perpétua se preso, e agora, literalmente, fugiu por sua vida.

agência de notícias anarquistas-ana

[EUA] A Suprema Corte não irá rever o caso do SHAC7

Monday, April 11th, 2011

A Suprema Corte anunciou a alguns dias que não irá rever o caso do SHAC7 (Stop Huntingdon Animal Cruelty), um notável exemplo de um caso envolvendo a Primeira Emenda, em que um grupo de ativistas pelos direitos dos animais foi condenado como “terrorista”, por levar adiante um controverso site.

A campanha do SHAC7 não tinha nada a ver com o Anthrax, bombas caseiras, ou um plano para seqüestrar um avião. Eles foram responsáveis pela manutenção de um site. Nesta página publicavam notícias sobre a campanha (ações legais, como protestos e ações ilegais, como resgatar animais de laboratório) e certamente havia adeptos.

Devido a isso, enfrentaram uma série de acusações de conspiração, incluindo conspiração por violar a Lei de Proteção à Empresa Animal e de cometer “terrorismo relacionado com a causa pelos animais.”

Os réus perderam o julgamento e foram condenados a entre 1 e 6 anos de prisão. Na apelação, o Terceiro Circuito emitiu uma “falha de varredura”. Considerou que a retórica da campanha SHAC era uma “ameaça real” (embora eles nunca fossem acusados de destruição de propriedade, ou violência, ou de incentivo a participar de tais atos), porque nessa mesma campanha, também existiram casos de atividades ilegais.

Dito de outra forma, o tribunal considerou que poderia limitar os direitos, sob a primeira emenda, de um grupo de pessoas por ações do passado cometidas por outros.

Por exemplo, um dos réus, Josh Harper, deu dois depoimentos em que falou sobre a campanha e sobre seu apoio, pessoal e teórico, à Frente de Libertação Animal, e a pequenas ações, como o envio de fax em preto para danificar as máquinas de fax de algumas empresas. A corte de apelações observou: “a conduta pessoal de Harper não cruza a linha da ilegalidade. Puni-lo por seus discursos políticos seria inconstitucional. No entanto, seu comportamento… dá indícios os quais o júri pode ter chegado à conclusão razoável de que Harper estava envolvido em uma conspiração para violar a Lei de Proteção à Empresa Animal”.

A Suprema Corte negou o auto de cerceamento do caso, o que significa que não serão atendidos. Em resumo, a sentença do tribunal de apelações está parada, dando caso do SHAC7 como encerrado.

A probabilidade de um caso ser revisto pelo Tribunal Supremo é pouca, claro. Mas estou um pouco surpreso que este seja o caso do SHAC7. A Suprema Corte revisou o caso da Igreja Batista Westboro (o mesmo que criou o slogan “Deus odeia os gays”), declarando finalmente que eles tinham o direito de realizar seus protestos em funerais militares. John G. Roberts, presidente da Suprema Corte, escreveu que sua conduta é “certamente prejudicial, e sua contribuição insignificante ao discurso público”, mas está protegida.

Todos, exceto um dos condenados do SHAC7 foram libertados, de modo que isto nada tinha a ver com a duração da pena. Teria a ver sobre o precedente que pode criar tais condenações, especialmente no âmbito da Lei de Proteção à Empresa Animal. Também a ver com o rótulo de “terroristas”, que perseguirá esses ativistas pelo resto de suas vidas.

Mesmo se você não concordar com a campanha SHAC, ou campanhas pelos direitos dos animais em geral, a rejeição do tribunal em conhecer este caso tem implicações graves para todos os ativistas de qualquer movimento de justiça social.

Aqui está uma resposta de Lauren Gazzola, uma das pessoas pertencente ao grupo SHAC 7:

“Hoje foi um dia difícil, mas acho que a recusa da Suprema Corte em rever o nosso caso é um erro. Não somente um erro jurídico, mas um erro moral. Nesse sentido, eu tive um monte de dias difíceis durante os últimos anos. Gostaria de falar sobre um dos “menos ruins”.

Algumas semanas atrás eu dei uma palestra sobre o caso do SHAC7 em uma aula de direito. Antes de começar a falar, o professor mostrou uns vídeos de investigações sigilosas dentro do laboratório HLS (Huntingdon Life Sciences), que mata 500 animais por dia em seus laboratórios. Foi a primeira vez que vi essas imagens desde que saí da prisão e foi superior a mim. Quando os vídeos terminaram, a diretora executiva da Sociedade Nacional Antivivissecção se levantou para me apresentar. Começou dizendo: “É difícil saber por onde começar”.

Eu estava perto dela, e até um pouco agitada ao ver aquelas imagens. Eu tinha planejado começar a minha intervenção agradecendo ao professor por me convidar, também à SNA (Sociedade Nacional Antivivissecção) por patrocinar o evento, e aos alunos para participar. Em vez disso, me dirigi à classe e disse: “Eu sei exatamente por onde começar. Eu passei três anos da minha vida tentando fechar HLS e outros três anos e meio de prisão por esse motivo. Cada um daqueles dias valeu a pena e faria de novo”. Hoje, eu só gostaria de repetir a mesma coisa: faria isso de novo. Valeu a pena.”

agência de notícias anarquistas-ana

Vento de primavera:
Sobre uma antena, um pardal
Trina e defeca

Edson Kenji Iura