Arquivo da Sessão ‘Atos e Eventos’

[Salvador/BA] Banquinha Libertária – A Propriedade é um Roubo

Saturday, April 20th, 2013

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Comunicado:

Nesse Sábado dia 20/04/2013 mesmo com alguns atrasos e chuva, a Banquinha Libertária – A Propriedade é um Roubo, foi armada pela primeira vez na Praça da Piedade em Salvador/BA, onde tivemos a experiência de colocar em prática a idéia de distribuir materiais libertários e anarquistas e também peças de bechó, no esquema “pegue e leve”, construindo desta maneira relações sem a mediação do dinheiro.

Pretendemos montar a Banquinha Libertária uma vez por mês na praça da piedade em salvador/ba, e que a partir de junho será sempre o primeiro sábado do mês.

Por isso quem tiver interesse apareça por lá.

CAMPANHA DE SOCIALIZAÇÃO DE MATERIAIS LIBERTÁRIOS E ANARQUISTAS:

Pedimos a todxs individualidades ou coletivos libertários e anarquistas, que compartilham do objetivo da banquinha libertária, mandarem seu material, seja presencialmente, nas datas que estivermos na praça da piedade, ou por email caso tenham em casa digitalizados zines, jornais, revistas ou mesmo livros libertários e anarquistas.

Nosso email é banquinhalibertaria@riseup.net

I Festival do Filme Anarquista e Punk de SP: Uma Visão

Tuesday, December 18th, 2012

* por Imprensa Marginal

A idéia era simples e direta: organizar um evento que reunisse a exibição de filmes e documentários recentes produzidos por anarquistas e punks mundo afora, ou com temática ligada a questões sociais e libertárias diversas, agregando ainda a realização de debates, palestras, oficinas e exposições fotográficas. Partimos da importância destas linguagens como ferramentas de luta e disseminação de idéias e discussões: a criatividade libertária tem cada vez mais adentrado o mundo das produções audiovisuais, seja por meio da criação de novos filmes e documentários, seja pela realização de cineclubes, festivais de filmes anarquistas, oficinas, etc. E tudo isto com olhares libertários, prática do faça-você-mesmx, poucos recursos e muito autodidatismo.
Foram meses de organização recebendo os filmes, confirmando as atividades, fechando a programação e todos os milhares de detalhes pra que tudo desse certo. E no decorrer desse tempo já ficamos muito contentes com a quantidade de filmes inscritos, e em perceber que, para além dos que já conhecíamos, têm surgido diversos novos projetos de produção audiovisual anarquista em muitos lugares, cineclubes libertários, e tantas outras movidas relacionadas a esta linguagem. A dificuldade para encaixar tudo isto em uma programação de dois dias foi imensa, e assim o festival ganhou 1 dia a mais, ficando então com 3 dias de duração e tendo como espaço o novo Centro Anarquista Ação Direta.
Estes meses de organização passaram voando e logo chegou o festival: muita chuva caindo durante todo o final de semana, o que para nossa surpresa não impediu que muita gente passasse por lá durante todos os dias, participando das atividades, vendo os filmes, debatendo, levando rango vegano, materiais libertários, e ajudando com a organização e realização do evento de todas as formas.

A sexta-feira começou muito bem, com estréia do documentário Punk In África por aqui, exibição do Relatos de uma Cena Anarcopunk, e, pra fechar da melhor forma, mais uma edição do sarau Sangue, Suor e Poesia Libertária, com uma mesa recheada de livros de poesia libertária, periférica e popular, muitas companheiras recitando poesias anarco-feministas, e um clima muito massa de confraternização.
Sábado e domingo foram dias de programação intensa. Na sala principal do espaço, diversas banquinhas de material e rango vegano, camisetas do festival, e muitas exposições: fotografias de grafites e pixos libertários pelo mundo por Ruivo Lopes; fotografias da ocupação São João dentre outras, de Elaine Campos; fotos com pinhole, por Jefferson Andrade; cartazes de festivais de filme anarquista pelo mundo; projeções de fotografias de movimentações sem-teto e manifestações populares, por Anderson Barbosa; e mais fotografias de Avelino Regicida, e imagens de manifestações como o A20, N9, S29, dentre outras.

Logo no início das atividades do sábado, a companheira Elaine Campos, da Coletiva Anarcafeminista Marana, deu uma oficina de fotografia faça-você-mesm@, com ótimas reflexões sobre como construímos nossos olhares, e a forma como damos direcionamento às nossas imagens. As fotografias tiradas durante este dia foram projetadas no dia seguinte. No andar de cima, uma sala de exibição. E, no quintal, no espaço onde será a futura biblioteca do Centro Anarquista Ação Direta, outra sala exibindo simultaneamente.
Assim foram 18 filmes exibidos neste dia: From The Back Of The Room (EUA); Desalojo Ilegal da Ocupação Abu-Jamal (RJ); A Céu Aberto (Venezuela); Fabricação Artesanal de Carvão de Coco Babaçu (MA); Lúcio: Anarquista, assaltante, falsificador, mas sobretudo pedreiro (Espanha); Barulho Bom (CE); Ecos de Revolta – Exibição Vide Urbe (RJ); Noite do Horror (BA); Unindo Quebradas (SP); Filme Plágio (SP); Ciclovida: Lifecycle (CE); Torcendo pelo time da casa (CE); Vozes de um Cárcere (SP); Na Prisão Minha Vida Inteira (EUA); El Ocaso Del Miedo (Chile); e ainda as estréias dos filmes Squat Toren (CE); Caixa Postal 195 (SP) e Todo Fim É Um Começo (SP). Xs companheirxs do coletivo Ciclovida-SP ainda fizeram uma discussão sobre a expansão do agronegócio e a perspectiva de resistência através do resgate, partilha e preservação das sementes crioulas, relacionando esta perspectiva a uma busca por maior autonomia no campo e na cidade. O lançamento de Todo Fim É um Começo também teve sala cheia, e foi seguido de um debate sobre experiências em espaços autônomos e libertários, com participação de companheirxs do Coletivo Cultive Resistência/Espaço Impróprio, Ativismo ABC, ex-integrantes do espaço Ay Carmela, dentre outrxs, que trouxeram a tona ótimas reflexões sobre nossas atuais experiências de gestão e atuação anarquista nestes espaços.

O domingo começou sem chuva, o que permitiu que logo após a primeira exibição do dia, do filme Escolarizando o mundo: O último fardo do homem branco, todxs pudessem sentar em roda no quintal para debater sobre educação com companheirxs do Ativismo ABC e Coletivo Desescolarizar. Enquanto isso, a sala 2 exibia o A Cultura em Luta Pela Paz, e, logo em seguida, foi espaço para uma intervenção/debate a partir da ação de mulheres lésbicas e feministas, sobre agressões e violência machista nos movimentos sociais e no meio anarquista/punk. Outros filmes que passaram durante o dia foram: Não São Um Por Cento: Anarquistas em Carrara; Crass: There Is No Authority But Yourself; Tid; Ugra the Karma; um workshop com Daniel Fagundes, do Núcleo de Comunicação Alternativa, sobre vídeo popular e representações, e uma troca de idéias com xs companheirxs da Biblioteca Terra Livre sobre as experiências acumuladas durante os 2 anos de realização do Cineclube Terra Livre, que aconteceu logo após a exibição do documentário Indomables: Uma Historia de Mujeres Libres, e do qual também pudemos participar agregando nossas experiências.
Enfim, foram três dias muito bons, bastante gente circulando, um clima de confraternização constante, e melhor ainda, muita gente se dispondo a apoiar, ajudar e se envolver da forma que pode, tornando este festival uma construção e realização coletiva!
Queríamos agradecer muito a todas essas pessoas, que apoiaram das mais diversas formas! Ao Centro Anarquista Ação Direta por ceder o espaço e pela enorme receptividade e confiança; Projeto Espremedor, Projeto Ocupação Cultural, CICAS e Quilombrasa pelo apoio com os equipos; Espaço Osomdoqsomos e Toddy pelas cadeiras; Biblioteca Terra Livre, Ativismo ABC, Coletivo Desescolarizar, Ciclovida-SP, Daniel & Núcleo de Comunicação Alternativa, Coletivo Cultive Resistência, Jefferson, Anderson, Elaine, Ruivo & Sarau Sangue, Suor e Poesia Libertária; MAP-SP; Gritão pelos catálogos; Valter Alves pela exposição enviada pelo correio, Agenda da Periferia pela divulgação, toda galera que enviou filmes, traduziu, legendou, terminou e compartilhou seu vídeo e suas idéias pra podermos exibir durante o festival, toda galera que ajudou nas banquinhas, levou rango vegano, recitou poesias, ajudou a telar as camisetas, limpar o espaço, carregar as coisas, exibir os filmes, enfim… sem todxs isso não teria sido possível! Ano que vem tem mais!

Um relato da 1a Feira Anarquista em Natal/RN

Monday, October 29th, 2012

Nos últimos anos tem se intensificado cada vez mais a realização de feiras anarquistas no Brasil, em eventos caracterizados por difusão de materiais e produções libertárias, realização de debates e atividades, e ampla circulação e participação de pessoas de diversas partes.
Estes encontros tem propiciado um espaço muito importante de convivência coletiva, compartilhamento de idéias, iniciativas e reflexões, e tem gerado possibilidades de aproximação e parcerias entre grupos, companheir@s e projetos anarquistas da atualidade.
Na cidade de São Paulo (SP), no início de novembro, irá acontecer a 3a Feira Anarquista, com organização d@s companheir@s do Ativismo ABC e Biblioteca Terra Livre. Em Porto Alegre (RS) a 3a edição da Feira do Livro Anarquista acontece também em novembro, tomando proporções cada vez maiores e agregando intervenções de companheir@s anarquistas de diversas partes do Brasil.
No dia 20 de outubro, seguindo neste mesmo rumo, aconteceu a primeira Feira Anarquista em Natal (RN), organizada por anarcopunks e libertári@s da região, e com participação de coletivos e pessoas de João Pessoa/PB, Campina Grande/PB, Recife/PE, São Paulo/SP, dentre outros.

A feira aconteceu em praça pública numa região central da cidade, se iniciando pela manhã com um café da manhã coletivo e um debate sobre anarquismo na atualidade, com apresentação inicial de tod@s @s presentes, que falaram um pouco sobre seus projetos, grupos e formas de atuação.
No almoço tod@s puderam se deliciar com uma feijoada vegana preparada por vári@s companheir@s e que foi distribuída gratuitamente pra tod@s que estavam na praça, e em seguida as banquinhas de materiais começaram a ser montadas, com zines, livros, camisetas, filmes, patches, artesanato e tudo o mais que a criatividade libertária pode trazer.
Quem por ali passava já podia ver à distância as bandeiras negras e faixas com dizeres anarquistas, e pouco a pouco mais pessoas foram se aproximando. Durante todo o dia circularam muitas pessoas, e aconteceu ainda uma intervenção teatral do grupo Cruor e uma oficina de confecção de livros artesanais que a Imprensa Marginal teve a oportunidade de dar, falando um pouco sobre algumas das técnicas e possibilidades, e partindo depois para a prática (cortar, furar, costurar…).
A feira seguiu durante toda a tarde e noite, em um clima de confraternização e companheirismo, e terminou com um enorme sentimento de satisfação de tod@s que puderam estar ali. A proposta é que a Feira Anarquista em Natal aconteça também anualmente, fortalecendo ainda mais estes encontros que cada vez mais tem acontecido em diversas partes. E que venham mais feiras anarquistas!

Outubro de 2012,
Imprensa Marginal

* Veja o vídeo produzido pel@s companheir@s de Natal e João Pessoa com imagens da feira:

[Campina Grande/PB] Okupe-se à praça!

Tuesday, September 25th, 2012
[No dia 31 de agosto @s companheir@s de Campina Grande (PB) organizaram uma atividade durante todo o dia em uma praça pública central da cidade. Essa atividade é parte de diversas movimentações libertárias que tem ocorrido por lá. Abaixo reproduzimos o relato sobre o evento, publicado no blog do coletivo Heresia Coletiva, onde também estão disponíveis alguns vídeos com imagens do que rolou durante o dia. Que venham muitos outros!]
* * *
Divulgação do Evento – link

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Esse evento, ocorreu como uma ideia simples de fazer movimentações onde as pessoas tivessem um acesso melhor aos zines, material libertário, livros, rango vegan, etc.
Assim com o intuito de movimentar um espaço urbano tão esquecido que é a praça, que nos dias atuais são apenas locais onde as pessoas passam rapidamente seguindo seu caminho para o trabalho, escola, universidade, etc.
Então, um evento numa praça central da cidade , onde poderemos estar mas a vontade, em um ambiente aberto, com sombra, árvores, amigos e um bom clima relaxante.
Assim foi uma sexta-feira a tarde na Praça da Morgação com um apelido altamente sugestivo. Em um dia ensolarado e agradável.
Chegamos na praça, ja tinha algumas pessoas nos esperando por la. Então montamos a tenda e organizamos  nosso material para divulgação.  Era o dia do lançamento dos zines Heresia Coletiva e do Não Humano, os dois ja com sua segunda edição, ambos produzidos por indivíduos envolvidos nas atividades atuais da cidade.
Várias pessoas de localidades diferentes foram, alguns trocaram ideias, outros pegaram material, uns comeram algum rango vegan, mas o que todos sentíamos era um clima alegre, relaxante e animado.
Estavamos também com distribuição de mudas de plantas no local, onde pessoas se interessaram em leva-las.
Muitas pessoas passaram por la, paravam pra saber o que estava acontecendo, outros ainda trocavam alguma ideia, mas de toda a forma o dia foi muito proveitoso, muita gente ficou ate o inicio da noite.
Como sempre agradecemos a todos os envolvidos diretamente e indiretamente com as atividades que vem acontecendo na cidade de Campina Grande, ao pessoal de outras cidades que estão sempre presente em nossas movidas, aos que vieram de carona de longe para fazer parte desse momento.
Um abraço aos que foram e agradecer também aos que não foram.

DECLARACAO FINAL DO ENCONTRO INTERNACIONAL DO ANARQUISMO

Thursday, August 23rd, 2012

08 AO 12 DE AGOSTO DE 2012 EM SAINT-IMIER

Após cinco dias de debates e de trocas para relembrar nossa história, preparar nossos combates futuros e converter nossos esforços, nós reafirmamos o valor das posicões e resolucões do congresso de Saint-Imier que funde o anarquismo social permitindo futuros desenvolvimentos, e assegurando as bases de uma unidade de acão sincera entre todos os setores combativos e antiburocráticos da luta social. O congresso de Saint-Imier esteve aberto à diversidade e à pluralidade de pensamentos e práticas do movimento trabalhista antiburocrático e federalista, construindo o movimento libertário crescente.

Foi recusado o partidarismo, hierarquisado, institucional e eleitoralista, defendido pelas correntes do socialismo autoritário. Foi combatida a concepcão estatal de mudanca que objetivou e objetiva hoje a conquista; a ocupacão do estado como forma de transformacão social. O congresso de 1872 igualmente proclamou sua vontade de combater todo tipo de organizacão hierarquisada, burocrática, constituída por exercer o comando e suscitar a delegacão, a submissão e a obediência. Por isso, o congresso se opôs à federacão das organizacões trabalhadoras e das lutas, bem como a livre iniciativa, o projeto socialista de gestão direta e de mudanca social; como propôs a maior parte das formas de organizacão de concepcões não hierárquicas no movimento trabalhista, em suas lutas e no projeto socialista libertário.

Numerosas lutas, acões militantes e tentativas revolucionárias precederam e acompanharam o congresso internacional de 1872. O anarquismo tem lugar nessa história. Ele constitue hoje um movimento político que reagrupa experiências numerosas e aquisições comuns à um grande número de coletivos e organizacões específicas, sindicais de luta social e populares. O anarquismo traz sua contribuição para a construção de um movimento coerente, capaz de uma intervenção eficaz e forte, que busca a coerência entre os meios e os fins afim de mudar radicalmente a sociedade.

Para nós, o anarquismo alimenta as lutas socias e se alimenta destas mesmas lutas. Ele traz a sua contribuição ao movimento popular de auto-emancipacão e de auto-organizacão. Cada resistência, cada luta, cada dissidência, cada alternativa remete à questão da liberdade e da igualdade. Cada combate social abre possibilidades que devem nos acompanhar à liberação social e política.
A transformação social radical que reinvindicamos e nos prepara para a nossa ação só pode resultar da vontade, da auto-determinação e compromisso consciente das classes populares, dos indivíduos, homens e mulheres que estão hoje dominados/as por este sistema injusto. Nós estamos em uma verdadeira guerra social e econômica, em diferentes intensidades, mas cada vez mais extensa, mais viva, mais brutal. Uma situação de insegurança social e de precariedade se generaliza, saqueia o bem comum, destruindo os servicos públicos, procurando instaurar o medo, a resignação e a submissão, impondo o capitalismo por toda parte. Esta política é conduzida tanto pelos capitalistas, que pelos governos, à seu saldo. Estes últimos tentam impôr uma colonização total em nossas condições de existência, mobilizando nossas atividades ao serviço da reprodução do sistema.

Paralelamente, existe um ressurgimento de antigas dominações: patriarcado, discriminação sexual e de gênero, xenofobia, racismo, servidão, exploração. Estas desigualdades renovadas servem a reforçar a valorização capitalista e garantir a reproducão geral do sistema.
O anarquismo denuncia um só sistema de enquadramento e de dominação que obedece cada dia mais a uma lógica oligárquica. O anarquismo não sub-avalia em nenhuma maneira os espaços de liberdades individuais e civis, os serviços publicos e de bem comum e os quais políticas de redistribuição de riquezas, transferida para a solidariedade social, que permanece. Os anarquistas acreditam defender e alargar estas aquisições. Todos estes avanços foram conquistados no passado por lutas sociais. A esperança de mudar a sociedade graças a conquista do poder do estado é largamente desqualificada. A conquista do poder institucional, a integração no poder estatal e a ação governamental, a participação às eleições não nos trazem nada de melhoras das condições de vida comuns, dos direitos políticos e sociais. Ao contrario, é recusando a delegacão do estado a definição e o governo do bem comum que a população pode defender eficazmente seus interesses e suas aspirações. É agindo pelas mesmas, multiplicando e reforçando suas organizações, tomando parte das riquezas sociais e dos meios de produção e de distribuição, impondo suas necessidades, criando suas próprias formas de organização e lutando sob o campo cultural que as classes populares podem se opor a barbárie do sistema, ganhar sua emancipação e melhorar suas condições de existência.
Os partidos de esquerda nao são mais forças de progresso e justica social. Já não defendem as aquisições anteriores.
Pelo contrário, eles precipitam a ruína e o desmantelamento das nossas conquistas sociais. A burocratização do movimento trabalhista e social, a poltica de delegação orientada à integração em instituições estatais, a recusa da luta e a imposição da paz social a todo preço, a submissão aos objetivos, as estratégias, aos valores capitalistas de globalização nos levam a uma regressão social, política e ecológica de grande envergadura.
Por isso a eficácia da luta e da construção de alternativas concretas estão ligadas à ação direta popular, porque ela se apóia na convicção de que os grupos sociais devem se emancipar e agir sob uma base federalista e solidária. Nessa sociedade de classes, não existe nem consenso nem compromisso possível que satisfariam o interesse comum. Nós reinvindicamos claramente o não senso com os poderes. A acão direta é encarregada da proposição plural da transformação social. Ela se inclina à uma pluralidade de formas organizacionais e de ações capazes de federar as resistências populares. Os anarquistas agem ao seio dos movimentos de luta afim de garantir sua autonomia, de as federar em uma perspectiva revolucionária e libertária, para construir o poder popular, à caminho de uma emancipação politica, econômica e social. Nosso projeto é o comunismo libertário. Nós reinvindicamos a convergência das tradições e das experiências acumuladas nesse senso: comunalismo livre, auto-governo municipal, autogestão, conselhos de trabalhadores e populares, sindicalismo de base, de combate e de gestão direta; livre acordo para a criação; a experimentação, a associação, o federalismo e as alternativas e atos. Isso significa a construção desde a base de um poder popular direto, não estatal.

Nós queremos a ruptura com o capitalismo. Nós lutamos pela autogestão em uma sociedade futura fundada sob a liberdade e a igualdade. Este objetivo implica formas de organização diversas sob todos os domínios da vida social e econômica. Uma tal orientação chama uma sociedade auto-instituida, um desenvolvimento social e econômico escolhido livremente. A socialização das forças de produção e de troca, a autogestão social constituindo a forma principal. Um acesso igualitário aos recursos disponíveis e renováveis, e aos meios da sociedade vem apoiar as possibilidades de livre associação, de experimentação econômica e de exploração da organização das condições de existência. A autogestão é fundada sob a livre organização dos e das trabalhadores/as, dos/as consumidores/as e são membros/as da sociedade após a abolição do estado, em um quadro de auto instituição politica, de democracia direta e de direito das minorias. O anarquismo social, o anarco sindicalismo e o sindicalismo revolucionário, bem como o comunismo libertário defendem um projeto político fundado sob uma coerência entre fins e meios, entre ações cotidianas e lutas revolucionárias, entre movimento crescente de auto emancipação e transformação social radical. Desde 1872 nosso movimento contribue com tantos outros homens e mulheres livres para abrir este caminho. Nosso engajamento hoje é de seguir com esse projeto longamente levando com ele a luta direta dos povos.

Saint Imier, 12 de agosto de 2012.

Fonte: OSL (Organizacao Socialista Libertaria) Suiça.

Traducão: Rafael Bosa (guillotine36@hotmail.com)

http://www.anarchisme2012.ch/

[São Paulo] Manifestação pela libertação imediata das integrantes da banda punk feminista Pussy Riot

Friday, August 17th, 2012

431561_10150975045275950_1471641924_nNo dia de hoje, 17 de agosto, Nadezhda Tolokonnikova, Yekaterina Samutsevic e Maria Alekhina, integrantes da banda punk feminista Pussy Riot, foram condenadas na Rússia a dois anos de prisão, sob a acusação de “vandalismo motivado por ódio religioso”. A causa foi uma manifestação de repúdio ao presidente russo Vladimir Putin, realizada na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, onde a banda cantou em voz alta “Ave Maria, Virgem Maria, livrai-nos de Putin”.
O protesto foi feito após uma declaração do patriarca ortodoxo russo, que pediu voto para Putin às vésperas das eleições presidenciais.
O julgamento e prisão destas três mulheres tem clara motivação política, e reflete uma crescente criminalização das mobilizações e protestos populares que vem ocorrendo em todo o mundo, em um contexto político onde atos contrários ao sistema vigente são considerados inaceitáveis e motivos para prisão e perseguição, muitas vezes enquadrados em duras legislações que tratam a questão como “terrorismo”.

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Diversas manifestações pela liberdade das três integrantes feministas da Pussy Riot tem sido feitas pelo mundo, e hoje, durante o julgamento e após o veredito, aconteceram protestos em Moscou e outros países.
dsc03663Em São Paulo, o Movimento Anarcopunk convocou uma manifestação de apoio e solidariedade às Pussy Riot, exigindo sua libertação imediata, com participação de companheiras anarco-feministas, anarcopunks e libertári@s. A manifestação aconteceu em frente ao Consulado da Rússia, na região do Morumbi, com faixas, distribuição de panfletos e leitura de uma “oração” de protesto, em referência à “oração” que causou a prisão das três feministas.
@s manifestantes também tentaram protocolar uma carta de repúdio no Consulado, o que porém lhes foi negado. Ao saírem para fora do casarão que sedia o Consulado, os altos funcionários do mesmo afirmaram que as mulheres “já haviam sido condenadas e ponto”.

Todas as manifestações de solidariedade internacional às três companheiras são de extrema importância!
LIBERDADE PARA PUSSY RIOT!
ATÉ TOD@S ESTAREM LIVRES ESTAREMOS TOD@S APRISIONAD@S!

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Leia abaixo a “oração” que foi lida durante a manifestação em São Paulo:

Ave Maria: Livrai-nos de Putin!
Livrai-nos da Igreja e do Estado
Livrai-nos da perseguição política e da criminalização do protesto popular que têm ocorrido de forma brutal e sistemática em todo o mundo
Livrai-nos do genocídio da população pobre e excluída que é levada a cabo pelo Estado e pela Polícia que o defende
Livrai-nos das prisões, tod@ pres@ é um/a pres@ polític@
Livrai-nos do machismo, sexismo, homofobia e racismo, cotidianamente manifestados pelo Estado, pela Igreja, pelas instituições e nas relações sociais
Livrai nossos corpos e mentes da opressão, exploração e escravidão do capital
Livrai-nos dos estupros, das violências físicas e psicológicas a que somos submetidas diariamente pelo simples fato de sermos mulheres
Livrai Pussy Riot, Mumia Abu Jamal, os 9 do MOVE, e tod@s @s noss@s companheir@s espalhad@s pelos cárceres deste mundo!

Ave Maria: Libertaremo-nos a nós mesm@s, porque nossa liberdade está em nossas próprias mãos.
Nos livraremos da Igreja e do Estado
Nos livraremos da perseguição política e da criminalização do protesto popular que têm ocorrido de forma brutal e sistemática em todo o mundo
Nos livraremos do genocídio da população pobre e excluída que é levada a cabo pelo Estado e pela Polícia que o defende
Nos livraremos das prisões, tod@ pres@ é um/a pres@ polític@
Nos livraremos do machismo, sexismo, homofobia e racismo, cotidianamente manifestados pelo Estado, pela Igreja, pelas instituições e nas relações sociais
Livraremos nossos corpos e mentes da opressão, exploração e escravidão do capital
Nos livraremos dos estupros, das violências físicas e psicológicas a que somos submetidas diariamente pelo simples fato de sermos mulheres
Libertaremos Pussy Riot, Mumia Abu Jamal, os 9 do MOVE, e tod@s @s noss@s companheir@s espalhad@s pelos cárceres deste mundo!

Em nome da liberdade, da diversidade e da autonomia!
Amém!

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* Sobre a Pussy Riot:

A banda punk russa Pussy Riot é uma banda feminista com  letras de crítica direta a Vladimir Putin, que se formou em setembro de 2011 após anúncios de que Putin planejava se candidatar novamente à presidência e permanecer no governo por pelo menos mais 12 anos.
O objetivo era criar uma banda militante que tocasse nas ruas e praças de Moscou, mobilizando e fortificando uma oposição cultural e política.
Outros pontos de grande importância para elas são a questão de gênero, feminismo, LGBT, dentre outros.
Já foram presas anteriormente após tocar “Revolt in Russia” na Praça Vermelha, enquadradas em uma dura legislação contra protestos ilegais, tendo sido liberadas logo em seguida. Em outra ocasião, fizeram um show no telhado de um dos prédios do Centro de Detenção de Moscou, após prisão de várias pessoas em protestos pós-eleição de 5 de dezembro.
Em todas as suas aparições usam sempre balaclavas coloridas, se afastando da personificação e criando um anonimato que propicia um contínuo revezamento nas apresentações, mais pessoas possam se juntar ao grupo, que nunca se saiba quem está ali tocando, e que sua luta prossiga com quaisquer garotas que possam dar continuidade à sua luta contra os símbolos de poder Putinistas.

Escracho a Geraldo Alckmin na re-inauguração do Arquivo Público do Estado de São Paulo

Monday, June 18th, 2012

O governador Geraldo Alckmin foi surpreendido por um escracho popular na manhã desta segunda-feira (18). Enquanto participava da reinauguração do Arquivo Público do Estado de São Paulo, Alckmin foi ‘recebido’ por faixas, panfletos e grito de ordem. Os manifestantes denunciaram os inúmeros casos de perseguições á movimentos sociais, desalojo de famílias sem-teto e o extermínio sistemático da população negra/pobre por agentes públicos no estado de São Paulo. Veja aqui imagens do escracho!


Segue abaixo o texto do panfleto distribuído:

São Paulo – 18 de junho de 2012

Re-Inauguração do Arquivo Público do Estado de São Paulo

QUEIMA DE ARQUIVO: OS NÚMEROS QUE O ESTADO NÃO QUER NOS MOSTRAR

• Cemitério clandestino Dom Bosco em Perus: 1.049 ossadas de presas e presos políticos, indigentes e vítimas de
esquadrões da morte (Fonte: Dossiê Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil)

• Mortes causadas por Agentes do Estado (Polícia Militar e Polícia Civil) de 2006 a 1º semestre de 2010: 1.154 (Fonte:
Observatório das violências policiais PUCSP)

• Mortes causadas pela ROTA de 2007 a 2011: 348 (Dados da corregedoria da PM)

• Mortes causadas Agentes do Estado (PM e PC) de 1980 a 2010: 6.033 (Banco de Dados da Imprensa – NEV/USP – CEPID)

• Desaparecidos e desaparecidas políticos de 1964 a 1980 : 136 (Dossiê já citado)

• Prisões de estudantes entre 2011 e 2012: 111 (Contagem de acordo com mídia independente)

VOCÊ SABE O QUE ACONTECERÁ DENTRO DE ALGUMAS HORAS?
O GOVERNADOR DO ESTADO GERALDO ALCKMIN, O SENADOR ALOÍSIO NUNES E O CANDIDATO A PREFEITURA DE SÃO PAULO JOSÉ SERRA DARÃO AS CARAS NA INAUGURAÇÃO DO NOVO PRÉDIO DO ARQUIVO DO ESTADO DE SÃO PAULO!

Na manhã de hoje, três representantes do Estado repressor e assassino estarão presentes na inauguração do prédio novo do Arquivo do Estado de São Paulo. Esse órgão público têm sob a sua guarda uma série de documentos muito importantes para a História. Dentre tais documentos estão os arquivos da Ditadura Militar, que esmagou a liberdade de expressão, matou e torturou muitas lutadoras e lutadores do povo. Por que trazemos esta informação?
Simplesmente pelo fato de que a Polícia Militar do Estado de São Paulo é atualmente uma das polícias mais violentas do mundo, e vêm praticando ações repressivas, extermínios, desalojos, e prisões em massa com a ordem do Governo do Estado contra organizações populares há muito tempo. Como exemplo recente dessas ações podemos destacar os massacres do Pinheirinho e da Cracolândia.
Ao mesmo tempo em que se inaugura um prédio novo para guardar documentos do período da Ditadura Militar, estes mesmos
documentos continuam inacessíveis ao público e as práticas descritas em suas páginas
acontecem a todo instante. Somos o único país da América Latina que não julgou seus torturadores e, pior, que continua mantendo uma instituição repressiva e violenta cuja necessidade de existência é condenada inclusive pela ONU.
O prédio é novo, mas as práticas são as mesmas: controle, censura, violência e morte.

ESSAS E OUTRAS FERIDAS AINDA NÃO CICATRIZARAM!
NÃO COMEÇOU NO CARANDIRU,
NEM TERMINOU NA CRACOLÂNDIA!

Saiba mais:

http://www.ovp-sp.org/viol_policial.htm

http://www.nevusp.org

http://www.torturanuncamais-sp.org

http://www.desaparecidospoliticos.org.br

[Alemanha] Feira da Mídia Anarquista em Bochum

Tuesday, June 12th, 2012

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Queridos/as editores/as, projetos de mídia e coletivos, temos a alegria de contar que a “Libertäre Medienmesse” acontecerá novamente em 2012. Devido ao apoio dos/as editores/as em 2010, pudemos organizar 3 dias de feira, apresentação de projetos, palestras, cultura, eventos, informação, encontrar pessoas e fazer planos para um mundo além da crise e exploração. Os preparativos para a segunda “LiMesse” estão em pleno andamento, para que possamos reconstruir este fim de semana de 24 a 26 de agosto de 2012.

É claro, algumas coisas mudaram durante os últimos dois anos.

Em 2010 oferecemos uma alternativa ao projeto comercial “Capitólio da Cultura RUHR.2010” e contrapropaganda de uma sólida e crescente economia cujos lucros iriam aumentar a riqueza geral de nossa sociedade – Como já mencionamos antes, era apenas uma fatura crescente da classe média.

Este ano, as cortinas do “Capitólio da Cultura” foram finalmente fechadas. Agora, a crise global pode também ser notada em plano popular e várias medidas econômicas afetam a maior parte da sociedade. Nós queremos te convidar como editores/as libertários/as, projetos de mídia e coletivos a apresentar suas próprias políticas organizadas e não comerciais. A crise do capitalismo é global, então apreciaremos se algum projeto de mídia internacional participe também. Você pode participar com uma apresentação sua em inglês ou então expor seu trabalho com uma banquinha.

Toda a informação básica importante e resenha para o “LiMesse 2012“, informações para expositores e formulário de contato estão em limesse.de (em alemão).

Se existirem quaisquer perguntas em inglês, por favor nos pergunte pelo contato de limesse.de.

Diferente da “LiMesse 2010“, que aconteceu na cidade de Oberhausen, este ano ela acontecerá – em cooperação com a equipe do centro social “Bahnhof Langendreer” -, em Bochum.

Lá você terá a oportunidade real de apresentar seu trabalho político para além da cena. Mais informação sobre o local e seus arredores podem ser encontradas na página do evento.

Devido a mudança de local uma festa está certamente no programa da “Bahnhof Langendreer” no sábado e as mesas de livros poderão ser colocadas durante a noite em um quarto trancado, próximo e adequado. A quantidade de trabalho irá afetar os/as editores/as o mínimo possível.

Se você decidir participar da “LiMesse“, por favor declare no formulário.

Você é bem vindo/a para sugerir projetos, palestras, livros, etc. para apresentação!

Estamos ansiosos/as por uma “LiMesse” excitante e versátil e esperamos te ver em agosto!

Coletivo organizador da “LiMesse 2012

Tradução > Marina Knup

agência de notícias anarquistas-ana

árvore seca

a lua é a mosca

em sua teia

Aclyse de Mattos

[Chile] Crônica da 1ª Feira do Livro e Propaganda Anarquista de Santiago

Wednesday, May 30th, 2012

f_003[No sábado, 12, e domingo, 13 de maio de 2012, aconteceu a 1ª Feira do Livro e Propaganda Anarquista em Santiago, capital do Chile. O comparecimento maciço, o ambiente agradável entre os participantes e o cumprimento do diversificado programa de atividades permitiram que o encontro se desenvolvesse totalmente e com êxito. A seguir faremos uma breve resenha, desde a coordenação do evento, do que foi esta autentica festa da cultura libertária.]

Da organização, a propaganda e o espaço

Embora a ideia de realizar um encontro deste tipo estivesse no ar há vários anos, o desejo de concretizá-lo surgiu de um pequeno grupo de afins, nos últimos meses de 2011. Depois de realizar uma breve sondagem entre os companheiros e companheiras sobre a viabilidade da Feira, e diante da resposta positiva, passamos a convidar todas as iniciativas conhecidas de propaganda anarquistas na região chilena, de diferentes características e tendências. A proposta foi recebida positivamente e começou os preparativos e reuniões de coordenação. Em 23 de março houve um jantar de solidariedade para levantar fundos. Graça a isso foi possível adquirir algum equipamento necessário e imprimir cartazes para divulgar o encontro. No entanto, quase toda a propaganda foi realizada pela internet.

Uma das complicações desta fase foi a definição do local para a Feira, pois temia-se que um local afastado do centro de Santiago não atrairia muitas pessoas, e seria mais complicado para os companheiros e companheiras de outras cidades. Embora não tivéssemos conseguido um espaço central e de fácil acesso, mas uma sede de vizinhos em um bairro próximo, a ampla divulgação de mapas explicativos e da boa vontade do público, permitiu que a Feira fosse muito movimentada. Não estava nos cálculos de ninguém o grande número de participantes que houve, que na avaliação de vários compas, facilmente ultrapassou um milhar. Vieram companheiros de diferentes partes do país (La Serena, Valparaíso, San Antonio, Rancagua, Talca, Chillán, Concepción, Talcahuano, Temuco, Valdivia, Punta Arenas), e também alguns de Lima, Montevidéu e Buenos Aires.

O último problema que surgiu foi o tempo, porque em caso de chuva o espaço ficaria reduzido e a assistência diminuída. Felizmente isso não aconteceu. Isto recomenda realizar as novas versões da Feira em meses mais favoráveis em termos climáticos. As instalações utilizadas, localizadas em El Lingue nº 330, Comuna da Estação Central, não foi o melhor lugar para este tipo de evento, pois não havia boa divisão de áreas para debates e oficinas.

Não obstante o escrito acima, e o ajustamento em uma hora do cronograma, as múltiplas atividades puderam se desenvolver normalmente. Houve discussões, palestras, apresentações de livros, vídeo-conferências, música ao vivo, exposições fotográficas, intervenções teatrais, oficinas de crianças. E paralelo a tudo isso, havia cerca de 50 mesas de divulgação, editoras, bibliotecas, jornais, e diversas iniciativas de propaganda anárquica.

Sábado, dia 12

Com algum nervosismo, fomos desde cedo acondicionando o local para a Feira. Não sabíamos ao certo se a convocatória tinha sido bem-sucedida e também era provável que a polícia e a imprensa burguesa viessem incomodar, já que sabiam do evento, pois houve acompanhamento policial quando se coordenava a jornada (em várias reuniões) e Las Últimas Noticias, um dos jornais de maior circulação no Chile, havia publicado uma ampla nota do evento em sua edição de sexta-feira, 11 de maio. Aparentemente, a imprensa não veio, e carabineiros só fizeram uma patrulha habitual. A presença de policiais disfarçados, é um fato. No entanto, ninguém interrompeu o desenvolvimento normal das atividades.

Quando já eram 11 horas da manhã, todo o espaço estava cheio, e as pessoas continuavam chegando. Existiu momentos em que caminhar estava realmente complicado. Contudo, as atividades puderam ser executadas.

Nesse dia teve um fórum coordenado pelo CSO Los Lecheros de Valparaíso, sobre a produção de conhecimentos nas universidades e espaços libertários. Depois, houve uma mesa sobre meios de comunicação anarquistas. Devido a limitação de tempo, os companheiros só puderam apresentar as iniciativas. Eles eram: Radio Mauricio Morales e Metiendo Ruido, ambas de Concepción; Video-revista Sinapsis, revista Política y Sociedad, periódicos Solidaridad e El Surco, todos de Santiago; periódico Acracia de Valdivia; periódico Acción Directa de Lima; e Radio ConCiencia de Valparaíso. Em seguida, teve uma mesa sobre sindicalismo e movimento estudantil, onde falou um membro da CNT espanhola e um da FEL [federação de estudantes libertários]. Depois disso, foi a vez do almoço em comum: lentilhas com quinua.

Mais tarde houve a apresentação de três livros: “Ciudadanxs no“, Ediciones Sin Nombre (Concepción) e Afila Tus Ideas (Santiago), “Una introducción al anarquismo“, publicado pela CRA, e “Creyeron que éramos rebaño”, Editorial Quimantú. Houve também um interessante fórum coordenado pelo Pikete Jurídico, juntamente com “81 razones“, sobre o sistema prisional, sua história e a legislação repressiva no país. Naquele dia também aconteceram oficinas sobre segurança na Internet e diagramação de livros. Fomos acompanhados pelo canto de “Nido del Cuco“, trovador de Montevidéu.

Domingo, dia 13

O domingo foi mais lento do que sábado. Não havia muitas pessoas como no dia anterior, mas pela tarde, os espaços estavam cheios. Algumas complicações técnicas, de som e computação, nos obrigaram a reajustar a ordem das atividades, mas os problemas foram resolvidos. Essas coisas devem ser melhoradas em futuras oportunidades.

O dia começou com um fórum sobre as relações de autoridade de homens e mulheres libertários. As atividades foram coordenadas pelas companheiras de Huelga de Vientres e Flor de Litre. Então veio uma palestra sobre antimilitarismo, a cargo de um membro da vídeo-revista Sinapsis. Ela foi seguida pelo lançamento da revista Víscera, editada por alguns companheiros na Alemanha e Chile. Nesse dia, o almoço em comum foi macarrão com molho.

Teve a apresentação de vários livros: “En la calle”, da Editora Madreselva de Buenos Aires; “Como la No violencia protege al Estado” de Peter Gelderloos, editado por Ediciones Crimental e Ignición Ediciones; “Cuando la patria mata. La historia del anarquista Julio Rebosio”, de Víctor Muñoz; “Rebeldías Líricas” de José Domingo Gómez Rojas, editado pelo CSO Los Lecheros de Valparaíso; Um livro sobre a VOP (1969-1972) publicado pela Editora Memoria Negra.

Nesse dia também houve uma concorrida conversa sobre Mauricio Morales e outra sobre as lutas antiprisões hoje, com a participação de companheiros da Defensoria Popular. Um companheiro da Rádio Mauricio Morales fez uma apresentação sobre o anarquismo em Concepción, desde 1988 até a atualidade, destacando a importância dessa região na rearticulação do movimento após a ditadura. Houve oficinas sobre segurança na Internet e encadernação de livros. Teve também uma intervenção teatral. Na música de acompanhamento: La Trova Record, a Lira Libertaria e Felipe Synapsis.

Um pequeno balanço

Apesar de alguns problemas e detalhes que devem ser superados em novas empreitadas, questões que já mencionamos acima, o resultado da Feira é avaliado muito positivamente pelos participantes e coordenadores. Cabe destacar que esta é a primeira deste tipo nesta região, e que felizmente foi conduzida em um ambiente agradável entre os companheiros e companheiras, e mesmo entre várias tendências e iniciativas libertárias que não se dão bem uns com os outros. Uma boa impressão ficou girando no ar. Alguns desejam replicar a Feira em outras cidades, e até mesmo em outros países. Trata-se de motivação e dar procedimento a livre iniciativa.

Os objetivos foram atingidos, ou seja, o evento serviu para que as diversas iniciativas se encontrassem, para que surgissem novos contatos e relacionamentos. A Feira estimulou os grupos de propaganda impressa a criar novo material, e com isso pudemos realizar uma visão geral da atividade editorial libertária atual. Fugimos dos circuitos institucionais de cultura.

Agradecemos a todos e todas que tornaram possível a realização deste evento. A Junta de Bairros de Villa O’Higgins na Estação Central, pela boa vontade de nos oferecer o espaço. Para todas as iniciativas de difusão que participaram e os coordenadores e participantes das oficinas, fóruns e conversatórios, pela compreensão e paciência ante as dificuldades de comunicação mútua, e perante os pequenos problemas técnicos. Congratulamo-nos com os participantes e aqueles que desde a distância espalharam e apoiaram a realização da Feira.

Ficamos muito felizes. Não há dúvida de que virão novas versões e faremos o possível para melhorá-la em todos os sentidos.

Até a próxima e que viva a anarquia!

O grupo coordenador

Fins de Maio, 2012

Santiago, Região chilena

Fotos:

http://periodicoelsurco.wordpress.com/2012/05/24/resena-y-proyecciones-1ra-feria-del-libro-y-la-propaganda-anarquista-de-santiago-12-y-13-de-mayo-de-2012/

agência de notícias anarquistas-ana

peixes voadores

ao golpe do ouro solar

estala em farpas o vidro do mar

José Juan Tablada

[Chile] Santiago: 1ª Feira do Livro e Propaganda Anarquista acontece neste fim de semana

Wednesday, May 9th, 2012

flchile[Neste final de semana, 12 e 13 de maio, acontece a 1ª Feira do Livro e Propaganda Anarquista, em Santiago. Haverá lançamentos de livros, fóruns, workshops, trova, comida, mesas de propaganda, mostras de fotos, arquivo histórico, espaço infantil e muito mais.]

Desde a sua criação, o aglomerado heterogêneo de grupos que compõem o anarquismo, gerou e difundiu milhões de folhas por todo o mundo, tanto para divulgar suas ideias como para facilitar o desenvolvimento cultural de homens e mulheres de seu tempo. Estas foram as razões fundamentais de sua existência passada e de sua urgente necessidade presente.

A América Latina não escapou deste processo. Muitos milhares de livros, folhetos, revistas e jornais foram editados desde o subcontinente, com especial força entre as últimas décadas dos séculos XIX e as quatro primeiras do século XX. E embora depois de várias tentativas notáveis, especialmente em Buenos Aires, apenas desde os anos noventa do século passado temos sido capazes de contemplar e desfrutar de um ressurgimento de iniciativas de propaganda.

A região chilena não ficou indiferente a tudo isso. Se fizermos um breve comentário ao passado da literatura impressa libertária – além de mencionar os cinquenta jornais que existiam nestas terras – podemos destacar valiosas editoras, como o “Lux”, em Santiago, “Adelante” em Rancagua, ou “Mas Allá” em Valparaíso, entre muitos outros. Lux, vinculada a IWW, entre 1920 e 1927 publicou vários títulos com milhares de cópias, reconhecendo a criação de alguns companheiros locais, como o poeta mártir José Domingo Gómez Rojas, o professor normalista Manuel Márquez, o IWW Armando Triviño, ou a companheira anarco-feminista Evangelina Arratia, editou também a outros agitadores da América Latina, como Juana Rouco Buela, e também aos clássicos de Emma Goldman, Kropotkin, Fauré, Mella ou Malatesta. Em 1922, por exemplo, após uma campanha de arrecadação voluntária; das oficinas da Lux saíram 4000 exemplares de “La Conquista del Pan”

Mas, como apontado acima, a propaganda dos anarquistas é também uma questão de urgente atualidade. Nossas diversas ideias, com as nossas diferentes tendências, estão ganhando alguma notoriedade nos últimos anos. Aparentemente, estamos no meio de um novo amanhecer. E contamos com várias editoras, com jornais, fanzines e mesmo uma vídeo-revista. Criações que são distribuídas em bibliotecas, alguns quiosques e especialmente através de atividades, manifestações e nas feiras de propaganda por toda parte.

O que nunca tivemos isso sim, é um grande encontro dedicado especialmente ao livro e à propaganda anarquista. Esta iniciativa pretende ser um ponto de convergência para os vários geradores deste material, para que se conheçam e reforcem uns aos outros se assim o gostam, mas acima de tudo, para oferecer aos companheiros e aos interessados em geral, uma visão geral do que nós estamos fazendo. Para propagar, para estimular a produção, para nos conhecermos, retroalimentar-nos, para compartilhar, para escapar dos circuitos de cultura institucional, para nos auto-educar. Por tudo isto e muito mais, nos encontraremos, na 1ª Feira do Livro e Propaganda Anarquista em Santiago.

Por agora, podemos anunciar que para além dos estandes que cada iniciativa terá, haverá espaço para a arte, música, história e reflexão teórica. Teremos também a presença de companheiros de outras regiões. Convidamos você, então, primeiro a dar um passeio lá, mas com maior intensidade, a participar ativamente na feira, divulgando-a, indo para as atividades de financiamento, ou gerando iniciativas, fóruns, exposições, expressões – para a mesma.

Nos vemos logo, na festa da cultura e da propaganda anarquista.

O grupo coordenador

Mais infos:

https://ferianarquistastgo.espivblogs.net/

agência de notícias anarquistas-ana

a criança nua

de tudo cata no lodo

farrapos de lua

Pedro Xisto