No dia de hoje, 17 de agosto, Nadezhda Tolokonnikova, Yekaterina Samutsevic e Maria Alekhina, integrantes da banda punk feminista Pussy Riot, foram condenadas na Rússia a dois anos de prisão, sob a acusação de “vandalismo motivado por ódio religioso”. A causa foi uma manifestação de repúdio ao presidente russo Vladimir Putin, realizada na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, onde a banda cantou em voz alta “Ave Maria, Virgem Maria, livrai-nos de Putin”.
O protesto foi feito após uma declaração do patriarca ortodoxo russo, que pediu voto para Putin às vésperas das eleições presidenciais.
O julgamento e prisão destas três mulheres tem clara motivação política, e reflete uma crescente criminalização das mobilizações e protestos populares que vem ocorrendo em todo o mundo, em um contexto político onde atos contrários ao sistema vigente são considerados inaceitáveis e motivos para prisão e perseguição, muitas vezes enquadrados em duras legislações que tratam a questão como “terrorismo”.
Diversas manifestações pela liberdade das três integrantes feministas da Pussy Riot tem sido feitas pelo mundo, e hoje, durante o julgamento e após o veredito, aconteceram protestos em Moscou e outros países.
Em São Paulo, o Movimento Anarcopunk convocou uma manifestação de apoio e solidariedade às Pussy Riot, exigindo sua libertação imediata, com participação de companheiras anarco-feministas, anarcopunks e libertári@s. A manifestação aconteceu em frente ao Consulado da Rússia, na região do Morumbi, com faixas, distribuição de panfletos e leitura de uma “oração” de protesto, em referência à “oração” que causou a prisão das três feministas.
@s manifestantes também tentaram protocolar uma carta de repúdio no Consulado, o que porém lhes foi negado. Ao saírem para fora do casarão que sedia o Consulado, os altos funcionários do mesmo afirmaram que as mulheres “já haviam sido condenadas e ponto”.
Todas as manifestações de solidariedade internacional às três companheiras são de extrema importância!
LIBERDADE PARA PUSSY RIOT!
ATÉ TOD@S ESTAREM LIVRES ESTAREMOS TOD@S APRISIONAD@S!
—
Leia abaixo a “oração” que foi lida durante a manifestação em São Paulo:
Ave Maria: Livrai-nos de Putin!
Livrai-nos da Igreja e do Estado
Livrai-nos da perseguição política e da criminalização do protesto popular que têm ocorrido de forma brutal e sistemática em todo o mundo
Livrai-nos do genocídio da população pobre e excluída que é levada a cabo pelo Estado e pela Polícia que o defende
Livrai-nos das prisões, tod@ pres@ é um/a pres@ polític@
Livrai-nos do machismo, sexismo, homofobia e racismo, cotidianamente manifestados pelo Estado, pela Igreja, pelas instituições e nas relações sociais
Livrai nossos corpos e mentes da opressão, exploração e escravidão do capital
Livrai-nos dos estupros, das violências físicas e psicológicas a que somos submetidas diariamente pelo simples fato de sermos mulheres
Livrai Pussy Riot, Mumia Abu Jamal, os 9 do MOVE, e tod@s @s noss@s companheir@s espalhad@s pelos cárceres deste mundo!
Ave Maria: Libertaremo-nos a nós mesm@s, porque nossa liberdade está em nossas próprias mãos.
Nos livraremos da Igreja e do Estado
Nos livraremos da perseguição política e da criminalização do protesto popular que têm ocorrido de forma brutal e sistemática em todo o mundo
Nos livraremos do genocídio da população pobre e excluída que é levada a cabo pelo Estado e pela Polícia que o defende
Nos livraremos das prisões, tod@ pres@ é um/a pres@ polític@
Nos livraremos do machismo, sexismo, homofobia e racismo, cotidianamente manifestados pelo Estado, pela Igreja, pelas instituições e nas relações sociais
Livraremos nossos corpos e mentes da opressão, exploração e escravidão do capital
Nos livraremos dos estupros, das violências físicas e psicológicas a que somos submetidas diariamente pelo simples fato de sermos mulheres
Libertaremos Pussy Riot, Mumia Abu Jamal, os 9 do MOVE, e tod@s @s noss@s companheir@s espalhad@s pelos cárceres deste mundo!
Em nome da liberdade, da diversidade e da autonomia!
Amém!
* Sobre a Pussy Riot:
A banda punk russa Pussy Riot é uma banda feminista com letras de crítica direta a Vladimir Putin, que se formou em setembro de 2011 após anúncios de que Putin planejava se candidatar novamente à presidência e permanecer no governo por pelo menos mais 12 anos.
O objetivo era criar uma banda militante que tocasse nas ruas e praças de Moscou, mobilizando e fortificando uma oposição cultural e política.
Outros pontos de grande importância para elas são a questão de gênero, feminismo, LGBT, dentre outros.
Já foram presas anteriormente após tocar “Revolt in Russia” na Praça Vermelha, enquadradas em uma dura legislação contra protestos ilegais, tendo sido liberadas logo em seguida. Em outra ocasião, fizeram um show no telhado de um dos prédios do Centro de Detenção de Moscou, após prisão de várias pessoas em protestos pós-eleição de 5 de dezembro.
Em todas as suas aparições usam sempre balaclavas coloridas, se afastando da personificação e criando um anonimato que propicia um contínuo revezamento nas apresentações, mais pessoas possam se juntar ao grupo, que nunca se saiba quem está ali tocando, e que sua luta prossiga com quaisquer garotas que possam dar continuidade à sua luta contra os símbolos de poder Putinistas.











