Arquivo da Sessão ‘Anti-cárcere e repressão’

[São Paulo] Manifestação pela libertação imediata das integrantes da banda punk feminista Pussy Riot

Friday, August 17th, 2012

431561_10150975045275950_1471641924_nNo dia de hoje, 17 de agosto, Nadezhda Tolokonnikova, Yekaterina Samutsevic e Maria Alekhina, integrantes da banda punk feminista Pussy Riot, foram condenadas na Rússia a dois anos de prisão, sob a acusação de “vandalismo motivado por ódio religioso”. A causa foi uma manifestação de repúdio ao presidente russo Vladimir Putin, realizada na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, onde a banda cantou em voz alta “Ave Maria, Virgem Maria, livrai-nos de Putin”.
O protesto foi feito após uma declaração do patriarca ortodoxo russo, que pediu voto para Putin às vésperas das eleições presidenciais.
O julgamento e prisão destas três mulheres tem clara motivação política, e reflete uma crescente criminalização das mobilizações e protestos populares que vem ocorrendo em todo o mundo, em um contexto político onde atos contrários ao sistema vigente são considerados inaceitáveis e motivos para prisão e perseguição, muitas vezes enquadrados em duras legislações que tratam a questão como “terrorismo”.

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Diversas manifestações pela liberdade das três integrantes feministas da Pussy Riot tem sido feitas pelo mundo, e hoje, durante o julgamento e após o veredito, aconteceram protestos em Moscou e outros países.
dsc03663Em São Paulo, o Movimento Anarcopunk convocou uma manifestação de apoio e solidariedade às Pussy Riot, exigindo sua libertação imediata, com participação de companheiras anarco-feministas, anarcopunks e libertári@s. A manifestação aconteceu em frente ao Consulado da Rússia, na região do Morumbi, com faixas, distribuição de panfletos e leitura de uma “oração” de protesto, em referência à “oração” que causou a prisão das três feministas.
@s manifestantes também tentaram protocolar uma carta de repúdio no Consulado, o que porém lhes foi negado. Ao saírem para fora do casarão que sedia o Consulado, os altos funcionários do mesmo afirmaram que as mulheres “já haviam sido condenadas e ponto”.

Todas as manifestações de solidariedade internacional às três companheiras são de extrema importância!
LIBERDADE PARA PUSSY RIOT!
ATÉ TOD@S ESTAREM LIVRES ESTAREMOS TOD@S APRISIONAD@S!

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Leia abaixo a “oração” que foi lida durante a manifestação em São Paulo:

Ave Maria: Livrai-nos de Putin!
Livrai-nos da Igreja e do Estado
Livrai-nos da perseguição política e da criminalização do protesto popular que têm ocorrido de forma brutal e sistemática em todo o mundo
Livrai-nos do genocídio da população pobre e excluída que é levada a cabo pelo Estado e pela Polícia que o defende
Livrai-nos das prisões, tod@ pres@ é um/a pres@ polític@
Livrai-nos do machismo, sexismo, homofobia e racismo, cotidianamente manifestados pelo Estado, pela Igreja, pelas instituições e nas relações sociais
Livrai nossos corpos e mentes da opressão, exploração e escravidão do capital
Livrai-nos dos estupros, das violências físicas e psicológicas a que somos submetidas diariamente pelo simples fato de sermos mulheres
Livrai Pussy Riot, Mumia Abu Jamal, os 9 do MOVE, e tod@s @s noss@s companheir@s espalhad@s pelos cárceres deste mundo!

Ave Maria: Libertaremo-nos a nós mesm@s, porque nossa liberdade está em nossas próprias mãos.
Nos livraremos da Igreja e do Estado
Nos livraremos da perseguição política e da criminalização do protesto popular que têm ocorrido de forma brutal e sistemática em todo o mundo
Nos livraremos do genocídio da população pobre e excluída que é levada a cabo pelo Estado e pela Polícia que o defende
Nos livraremos das prisões, tod@ pres@ é um/a pres@ polític@
Nos livraremos do machismo, sexismo, homofobia e racismo, cotidianamente manifestados pelo Estado, pela Igreja, pelas instituições e nas relações sociais
Livraremos nossos corpos e mentes da opressão, exploração e escravidão do capital
Nos livraremos dos estupros, das violências físicas e psicológicas a que somos submetidas diariamente pelo simples fato de sermos mulheres
Libertaremos Pussy Riot, Mumia Abu Jamal, os 9 do MOVE, e tod@s @s noss@s companheir@s espalhad@s pelos cárceres deste mundo!

Em nome da liberdade, da diversidade e da autonomia!
Amém!

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* Sobre a Pussy Riot:

A banda punk russa Pussy Riot é uma banda feminista com  letras de crítica direta a Vladimir Putin, que se formou em setembro de 2011 após anúncios de que Putin planejava se candidatar novamente à presidência e permanecer no governo por pelo menos mais 12 anos.
O objetivo era criar uma banda militante que tocasse nas ruas e praças de Moscou, mobilizando e fortificando uma oposição cultural e política.
Outros pontos de grande importância para elas são a questão de gênero, feminismo, LGBT, dentre outros.
Já foram presas anteriormente após tocar “Revolt in Russia” na Praça Vermelha, enquadradas em uma dura legislação contra protestos ilegais, tendo sido liberadas logo em seguida. Em outra ocasião, fizeram um show no telhado de um dos prédios do Centro de Detenção de Moscou, após prisão de várias pessoas em protestos pós-eleição de 5 de dezembro.
Em todas as suas aparições usam sempre balaclavas coloridas, se afastando da personificação e criando um anonimato que propicia um contínuo revezamento nas apresentações, mais pessoas possam se juntar ao grupo, que nunca se saiba quem está ali tocando, e que sua luta prossiga com quaisquer garotas que possam dar continuidade à sua luta contra os símbolos de poder Putinistas.

PELA LIBERTAÇÃO IMEDIATA DAS TRÊS INTEGRANTES DA BANDA RUSSA PUSSY RIOT!

Friday, August 3rd, 2012

488255_349933435082286_1041618011_nEm rechaço às demonstrações de apoio ao então candidato a presidência Russa Vladimir Putin, no dia 21 de Fevereiro de 2012, integrantes da banda russa Pussy Riot ocuparam a Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, e cantaram em voz alta “Ave Maria, Virgem Maria, livrai-nos de Putin”.

As três integrantes da banda, Nadezhda Tolokonnikova, Yekaterina Samutsevic e Maria Alekhina, acabaram presas pouco tempo depois, acusadas de atos de vandalismo. Embora inúmeras pessoas tenham participado da ação, apenas as três foram presas. Elas admitem participar do Pussy Riot, mas negaram envolvimento com o protesto na catedral. Mesmo sem provas concretas o tribunal russo já decidiu que as três feministas ficarão em prisão preventiva até o próximo ano.

Diversos protestos em solidariedade a elas tem acontecido pelo mundo pedindo sua libertação imediata, e o Coletivo Anarcopunk Diversidade vem por meio desta nota prestar solidariedade e requerer a IMEDIATA LIBERTAÇÃO DAS INTEGRANTES DO PUSSY RIOT!  TODOS OS PRESOS SÃO PRESOS POLÍTICOS!

O julgamento começou em 30 de julho, e a pena delas pode chegar a 7 anos de cadeia. Durante o dia 1 de agosto, o julgamento foi interrompido porque as três se sentiram mal e pediram ajuda médica. Um dos advogados de defesa da banda informou que no dia anterior elas haviam esperado pelo jantar durante horas e nenhuma refeição lhes foi servida. Antes mesmo de que se iniciasse o julgamento, Nadezhda Tolokonnikova já havia criticado o sistema de saúde e as condições da prisão, em entrevista que concedeu a jornalistas. Seu recado aos que lhes prenderam: “Para aqueles que nos prenderam, eu e minhas colegas de cela mandamos nossos melhores desejos. Desejamos que eles vivam em condições semelhantes a que temos vivido no último mês e meio”, disse.

pussy-riotO julgamento, de caráter claramente político, prossegue. E trás a tona mais uma vez a crescente escalada de criminalização e repressão do protesto e das mobilizações populares, que vem ocorrendo mundo afora. Trás a tona a situação de divers@s pres@s polític@s, algun/mas del@s pres@s há décadas, como nosso companheiro afro-americano Mumia Abu-Jamal.

Nesse momento toda forma de manifestação de solidariedade e apoio a elas é muito importante, reivindicando sua LIBERTAÇÃO IMEDIATA!

SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL À PUSSY RIOT!

SOLIDARIEDADE A TOD@S @S PRES@S!

Coletivo Anarcopunk Diversidade | diversidade@anarcopunk.org

* Sobre a Pussy Riot:

A banda punk russa Pussy Riot é uma banda feminista com  letras de crítica direta a Vladimir Putin, que se formou em setembro de 2011 após anúncios de que Putin planejava se candidatar novamente à presidência e permanecer no governo por pelo menos mais 12 anos.
O objetivo era criar uma banda militante que tocasse nas ruas e praças de Moscou, mobilizando e fortificando uma oposição cultural e política.
Outros pontos de grande importância para elas são a questão de gênero, feminismo, LGBT, dentre outros.
Já foram presas anteriormente após tocar “Revolt in Russia” na Praça Vermelha, enquadradas em uma dura legislação contra protestos ilegais, tendo sido liberadas logo em seguida. Em outra ocasião, fizeram um show no telhado de um dos prédios do Centro de Detenção de Moscou, após prisão de várias pessoas em protestos pós-eleição de 5 de dezembro.
Em todas as suas aparições usam sempre balaclavas coloridas, se afastando da personificação e criando um anonimato que propicia um contínuo revezamento nas apresentações, mais pessoas possam se juntar ao grupo, que nunca se saiba quem está ali tocando, e que sua luta prossiga com quaisquer garotas que possam dar continuidade à sua luta contra os símbolos de poder Putinistas.

Embaixada/Consulados da Rússia no Brasil:

* Email para contato: embaixada.russia@gmail.com a/c SR Embaixador Sergey Pogóssovitch AKOPOV

* Embaixada da Rússia no Brasil
Embaixada da Federação da Rússia em Brasília – DF
SES – Av. das Nações, quadra 801, lote A
CEP: 70476-900 Brasília – DF
Telefone – ( 61) 3223-3094, 3223 4094
Fax – (61) 3226-7319
Site – www.brazil.mid.ru

Setor Consular da Embaixada da Rússia em Brasília – DF
SES Av. das Nações, Qd. 801, Lote A CEP 70476-900 – Brasília -DF
Telefone – (61) 3223-5094
Jurisdição – DF-AC-AP-AM-CE-GO-MA-MT-PA-PB-PI-RN-RO-RR-TO

Consulado da Rússia em Belo Horizonte – MG
Praça Carlos Chagas, 49, 8° andar, Santo Agostinho
CEP 30170-020 – Belo Horizonte – MG
Telefone – (31) 3292-5003, ramal 2988
Fax – (31) 3291-9212

Consulado da Rússia em Porto Alegre – RS
Av. Erico Veríssimo, 720
CEP 90160-180 – Porto Alegre – RS
Telefone – (51) 3217-7056 / 3557
Fax – (51) 3343-1927 / 3217-7056

Consulado Geral da Rússia no Rio de Janeiro – RJ
Rua Prof. Azevedo Marques, 50, Leblon
CEP 22450-030 – Rio de Janeiro – RJ
Telefone – (21) 2274-0097
Fax – (21) 2294-4945
Site – http://www.consrio.mid.ru

Consulado Geral da Rússia em São Paulo – SP
Av. Lineu de Paula Machado, 1366 – Jardim Everest
CEP 05601-001 – São Paulo – SP
Telefone – (11) 3814-4100
Fax – (11) 3814-1246
Site – http://www.sao-paulo.mid.ru

[França] Paris: Terminou o julgamento antiterrorista contra 6 compas

Wednesday, July 18th, 2012

4Em Paris, entre 14 e 22 de maio de 2012, realizou-se o primeiro julgamento sob jurisdição antiterrorista aos militantes designados pela investigação como pertencentes ao movimento “anarco-autônomo”. Os seis inculpados, como milhares de pessoas, tomaram parte de diferentes lutas sociais: movimento CPE, revoltas à volta das eleições presidenciais de 2007, lutas contra o internamento dos indocumentados e pela liberdade de circulação… desde manifestações selvagens até sabotagens, a conflitualidade que se expressava dentro das lutas transbordava frequentemente o quadro legal ou as habituais mediações políticas e sindicais. Inês, Javier, Damien, Ivan, Franck e Bruno cumpriram entre 5 e 13 meses de prisão preventiva, e continuaram sob controle judicial até ao julgamento.

Em 25 de junho o tribunal anunciou a sua decisão.

De acordo com a decisão:

O Frank foi considerado inocente e absolvido de todas as acusações. Poderá exigir uma indenização pelos 6 meses de detenção.

O Ivan, eliminado da acusação de pertencer ao grupo, por causa da recusa de amostra de DNA, foi considerado culpado dos outros atos praticados, condenado a 1 ano de prisão, dos quais 6 meses suspenso, indeferimento do pedido de não registro criminal.

O Bruno foi eliminado da acusação de pertencer ao grupo por causa da recusa de amostra de DNA. Foi considerado culpado dos restantes atos praticados, condenado a 1 ano de prisão, dos quais 6 meses são suspensos.

O Damien foi eliminado da acusação de pertencer ao grupo do grupo por causa da recusa de amostra de DNA. Foi considerado culpado dos restantes atos praticados, sentenciado a 2 anos de prisão, dos quais 1 ano é suspenso.

A Inês foi considerada culpada de todas as acusações contra ela, condenada a 30 meses de prisão, dos quais são suspensos 18 meses, indeferimento do pedido de não registro criminal.

O Javier foi considerado culpado de todas as acusações, condenado a 3 anos de prisão, dos quais 2 anos suspensas, indeferimento do pedido de não registro criminal.

Note-se que o período de sua detenção (preventiva) abrange quase a totalidade das penas, por isso é improvável que algum deles regresse à prisão. Aqueles para os quais restam algumas semanas ou meses, serão convocados posteriormente para se apresentarem num julgamento especial que decide sobre a aplicação de sanções.

Tudo o que serviu de evidência experimental foi apreendido. A natureza terrorista do caso foi mantida na acusação final.

As sanções são mais ou menos consistentes com as recomendações do Ministério Público (no caso de Inês e Javier são ligeiramente reduzidas), das exceto para Frank, que foi absolvido de todas as acusações.

Foi dado um prazo de 10 dias para recorrerem, tanto para a defesa como para a acusação.

Crônica dos três primeiros dias do julgamento dos 6 compas

No primeiro dia muitos se reuniram em solidariedade em frente ao local onde o julgamento teria lugar, 10ª vara, apesar do grande número de policiais e de câmeras na entrada do tribunal. A defesa entrou na sala de audiências, e os seis foram instalados no banco dos réus.

No início, a juíza pediu a cada um deles que se identificasse e indicasse a profissão. Todos eles estão no fundo de desemprego, o que levou um dos juízes a dizer que um verdadeiro contestatário não deveria depender do Estado. Comentário estúpido de um velho reacionário que, deliberadamente, esquece que a prisão aniquila a vida e destrói qualquer perspectiva. Em seguida, perguntou-lhes se eram inocentes ou culpados. Ninguém se declarou culpado apenas negam o rótulo e se recusam a fornecer DNA. Damien explicou sobre esta questão que é uma questão de princípio, não fornecer as suas impressões digitais.

A presidente do tribunal expôs as acusações contra eles e, em seguida, veio o momento mágico (quando os companheiros fora da sala começaram a gritar com raiva). A juíza continuou a ler as acusações, enquanto do lado de fora podia-se ouvir os slogans “polícia, porcos, assassinos” e “Abaixo o estado, a polícia e os patrões”. Por fim seriam expulsos pela polícia.

O primeiro ato desta farsa judicial é o convite aos compas para virem ao banco dos réus, de modo a que lhes peçam informações sobre a sua vida escolar e profissional – como se estivessem examinando animais selvagens numa feira! Por outras palavras, como é que, numa sociedade tão aberta e tolerante, algumas pessoas podem levantar-se e contestar a máquina estatal?

Mais uma vez, o mesmo juiz fez um comentário estúpido sobre Bruno – acerca do conceito de ser um contestatário e de aceitar um controle judicial depois de o negar.Outra interrogação da juíza é sobre a escrita de cartas (que leu integralmente) e da sua publicação no site Indymedia.

Obviamente, tal ação é particularmente incomoda – certamente, para isso é que o Indymedia é a movida do movimento anarco-autónomo tal como o Al Jazzera para a Al-Qaeda!

Bruno, Ivan e Damien refutam a acusação de intenção de fabricar explosivos, explicando que só pretendiam fazer um fumigénio. Além disso, um relatório pericial confirma que a mistura que tinham feito não era suficiente para tal. E os pregos que foram encontrados na sua posse eram destinados a ser colocados na estrada para irritar os motoristas de carros no trajeto da manifestação contra o CRA de Vincennes.

Todos eles negaram o termo “movida anarco-autónoma parisiense”, invenção da polícia e da mídia. A presidente considerou ainda que não se pode definir este termo que apareceu na imprensa e, especialmente, no jornal “le Parisien”, onde os artigos foram citados durante esta audiência. Colocar este gênero de questões coloca em evidência a ignorância seguida da provocação.

Confrontado com as perguntas da presidente do tribunal, Frank preferiu mencionar as condições de isolamento carcerário na DCRI. Ele disse que a partir do momento em que cruzou o limiar do serviço, um informante exclamou: “Bem-vindo a Guantánamo”. Descreveu as condições de isolamento sensorial e referiu-se à luz acesa durante toda a noite.

A juíza observou que ele tinha sido comunista… lógico, uma vez que tinha sido encontrado em sua casa material para o “Novo Partido Comunista Italiano” (em suma, não se pode ser informado sob pena de se ser catalogado). Uma tal consciência política mantém perplexa a interrogadora.

Ela pergunta-lhe (aos outros compas também): “Por que não entram na Anistia Internacional ou no Social SAMU (próximo da Cruz Vermelha)?”

Em seguida, refere-se ao famoso frigorífico de Frank e aos seus autocolantes de Ação Direta, Georges Ibrahim Abdallah e ao EZLN (que alega ser um movimento basco!). Ah! Se gosta da violência como nas fotos da revolta na Grécia, então tem um comportamento potencialmente perigoso. Além disso, em sua casa, encontrou-se um texto em árabe evocando a guerra civil na Argélia, o que levou o tradutor supostamente independente à conclusão de que é simpatizante da Frente Islâmica de Salvação (FIS) da Argélia! O promotor foi ainda mais longe ao dizer que as condições de detenção nas prisões de segurança na DCRI estão descritos na imaginação do acusado, querendo saber como apoiar os prisioneiros de Ação Direta (presume ter sido cometido sete assassinatos) e Ibrahim Georges Abdallah, sem ter modos violentos.

Para a Inês, as mesmas questões de novo. A interrogadora interroga novamente, dizendo que, tendo DNA, é útil em caso de violação. No final do segundo dia da audiência, Ivan foi convidado a dar explicações quando se visitasse o conteúdo do site, também correndo, até que o presidente perguntou: “Por que não criar seu próprio site para expressar os seus pontos de vista?” E é melhor assistir também…

O terceiro dia começou com o interrogatório de Javier. Na altura de sua prisão, foi encontrado, no seu saco, o livro “Da Memória”, de Jean-Marc Rouillan (ex-membro da Ação Direta na Prisão, que foi libertado sob medidas restritivas). Contudo de más intenções. O companheiro pronuncia-se precisamente sobre a recolha suposta do seu DNA e da sua fragilidade científica como meio de prova. Insurge-se, também, sobre a presença da sua inscrição como militante da fantosmagórica MAAF nos ficheiros da RG e calcula que o tribunal já os tenha condenado. A juíza, grosseira, respondeu que isso era casual. A audiência finda pela leitura fastidiosa de todos os aborrecimentos do relatório RG sobre as ações em manifestações e outras de “anarquistas” nos outonos, desde 2006!

A audiência terminou com a leitura entediante com referência para ações durante as marchas e diversas outras ações de “anarquistas” a partir de 2006. Sempre o mesmo desejo de criar uma conexão com um nebuloso caso terrorista…

Fonte: http://paris.indymedia.org/spip.php?article10917

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana

Sulco fundo de arado.

A terra aberta ferida

Eis a vida.

Eunice Arruda

[Turquia] Anarquistas presos em Istambul precisam da solidariedade internacional contra a repressão do Estado turco

Tuesday, June 12th, 2012

Ativistas da Associação Liberdade para a Terra (Yeryüzüne Özgürlük Derne?i, em turco), que defendem a libertação animal, da terra e humana, e ainda anarquistas verdes e outros anarquistas no sentido geral, foram levados de suas casas simultaneamente durante uma mega operação policial realizada por forças especiais antiterrorismo do Estado turco, no último dia 14 de maio, por volta das 5 horas da madrugada, e mantidos sob custódia policial durante 4 dias.

Apesar de todos os membros da Associação Liberdade para a Terra estarem agora em liberdade, outras 9 pessoas, incluindo vegans e vegetarianos, foram levadas para a prisão onde permanecem até hoje. O nosso coletivo, Liberdade para a Terra, trabalha com alguns assuntos como direitos dos animais, direitos humanos e ecologia.

Esta é a primeira vez que uma operação antiterrorismo foi realizada pela polícia contra os ativistas dos direitos dos animais e anarquistas. A polícia afirma que os indivíduos presos foram responsáveis pelos ataques a bancos e lojas de empresas multinacionais em Istambul, durante os protestos do 1º de maio.

No entanto isso não é nem pode ter sido o caso, visto que esses mesmos indivíduos são contra a violência. Na realidade, a polícia estava simplesmente tentando silenciar e criminalizar iniciativas como as lutas de libertação animal, de defesa da terra e de libertação humana.

Tanto a polícia como os meios de comunicação corporativos afirmam que os ataques perpetuados sobre os bancos foram um ato de violência. Contudo, o verdadeiro ato de violência foram as prisões infundadas e a detenção de 60 pessoas em toda a Turquia. A liberdade é mais importante do que alguns vidros quebrados.

Nós sofremos quatro dias de interrogatório policial e hoje 9 pessoas ainda estão na prisão pelos seus supostos crimes. No entanto o seu único crime era ser um anarquista. Este é o verdadeiro crime. Isto é terrorismo de estado! Durante os interrogatórios, nem poderíamos mesmo dizer quais eram os alegados “criminosos” considerando que nós, na realidade, não os conhecemos.

Nos últimos anos, o governo turco aumentou a repressão contra os dissidentes que estão criticando as suas medidas antidemocráticas e repressivas. O Estado policial está em franca expansão e as prisões turcas estão cheias de presos políticos. Agora estão tentando aterrorizar a nossa luta contra o sistema e todos os tipos de dominação, através da criação de uma organização terrorista imaginária ligada às associações libertárias e alguns anarquistas, adeptos da libertação animal e ecologistas. Trata-se de uma repressão total contra anarquistas, antiautoritários, a luta pela libertação animal e defesa da terra, as suas ideias e atividades.

Perante este quadro, todas as pessoas que estão presas e as que estão preocupadas com as previsíveis próximas prisões, estão agora na expectativa de alguma solidariedade e apoio dos companheiros e amigos de todo o mundo.

Para uma solidariedade ativa, apelamos a todos os anarquistas, antiautoritários, dos direitos dos animais e ativistas ecologistas a gritar Liberdade para os anarquistas e todos os prisioneiros do 1º de maio! junto dos consulados e embaixadas turcas em todo o mundo.

Com solidariedade e amor…

Associação Liberdade para a Terra (Yeryüzüne Özgürlük Derne?i)

yeryuzuneozgurluk@gmail.com

http://yeryuzuneozgurluk.blogspot.com

Tradução > Liberdade à Solta

Notícia relacionada:

http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2012/05/21/turquia-istambul-nove-anarquistas-sao-enviados-para-a-prisao/

agência de notícias anarquistas-ana

Insetos que cantam

parecem adivinhar

minha solidão…

Teruko Oda

Solidariedade xs anarquistxs acusadxs de terrorismo na Bolívia!

Friday, June 1st, 2012

Fonte: http://autogestao.org/solidariedade-xs-anarquistxs-acusadxs-de-terrorismo-na-bolivia/

O que escrevo poderia ser sobre uma lista de militantes perseguidos por um governo e que agora perdem suas vidas na prisão. Mas infelizmente, esse post é sobre o cenário geral de criminalização das lutas sociais, sobre Estados de exceção permante que usam leis anti-terroristas para desmobilizar e enfraquecer movimentos, sobre sociedade de controle e sobre mídias de massa vendendo merda e criando novelas baratas.

Sobre como todxs nós que lutamos contra a dominação e contra o autoritarismo, que temos vozes dissonantes, que nos mobilizamos pelo direito dxs trabalhadorxs, que estamos com  o povo e não com o kapital, somos terroristas em potencial para o Estado e todxs podemos de um dia para o outro ter que largar nossas vidas e companheirxs.

Enquanto no Rio de Janeiro temos sem-teto sendo acusados de organização criminosa, professores e advogados que lutam por causas populares sendo condenados, os demais governos de esquerda da América Latina também nos mostram que não importa quem esteja no poder, estará sempre contra o povo. Essa semana na Bolívia 10 militantes libertárixs foram acusadxs de terrorismo pelo serviço de inteligência do Estado que rastreou suas atividades políticas na internet, invadiu suas casas, apreendeu computadores, zines e outros pertences e xs deteve. São estudantes, artistas, veganxs, ambientalistas, anarquistas, mães, feministas, academicos, lutadorxs pela causa indígena, etc.

Quatro delxs, Nina Mancilla, Henry Segarrundo, Víctor Gironda e Renato Vicenti receberam a culpa de vários atentados terroristas a bomba a bancos e caixas eletrônicos e foram presxs. Com todo tipo de prova falsa, mentiras baratas e argumentos esdrúxulos, então nas capas dos principais jornais sendo tratados como uma organização criminosa. Estão usando pacthes e zines para comprovar as acusações de procedência duvidosa de terrorismo! Outro fato assustador é a liberdade que o serviço de inteligência tem de rastrear as atividades online, como os foruns anarquistas que participavam, e que isso é o suficiente para forjar provas e ter mandato para invadir suas casas pra revistar tudo. Xs presxs são anarquistas de diferentes coletivos e frentes, mas têm em comum o fato de que estiveram presentes no ato de apoio ao TIPNIS.

O TIPNIS é o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro-Securo, abriga milhares de indígenas e uma área rica em plantas e animais silvestres. Com o IIRSA (mais info também aqui) e todos os projetos de “desenvolvimento” nos países latino-americanos, o governo boliviano tem assumido políticas extrativistas, construindo imensas estradas que cortam florestas e desalojando indígenas (qualquer semelhança com o norte do Brasil não é coincidência). É uma luta de extrema importância na Bolívia e que contradiz toda a imagem indigenista e pachamamista feita pelo governo Evo.

O que é terror num mundo onde o Estado e o Kapital, com todo o seu aparato de corporações, bancos e máquinas para manter a marcha de seu “desenvolvimento”, pressupõe e gera a fome, a humilhação do trabalho capitalista, os total e sistematicamente excluídos, o ar e comida podres que botamos pra dentro todos os dias entre cidades imundas e latifúndios e desertos verdes? A liberdade parece ser o maior crime e a luta pelas nossas vidas o maior terrorismo.

O governo boliviano tenta assustar a população com histórias de mocinhos, bandidos e bombas, e os ativistas com o medo de ter sua vida desperdiçada entre grades. Precisamos ser fortes, nos organizarmos e prestar toda a solidariedade para aquelxs que resistem!

NENHUMA PRISÃO A MAIS!

Todxs xs que lutam estão ameaçadxs com essas novas formas de controle dos Estados!

LIBERDADE A TODXS XS PRISIONEIRXS DO TERRORISMO DE ESTADO!

Mais informações:

Territórios em Resistência

Pronunciamento de coletivos e individualidades anti-autoritários em Cochabamba

Dez anarquistas são presos na Bolívia sob acusação de terrorismo

Wednesday, May 30th, 2012

tipnis-flyerDez anarquistas foram detidos nesta terça-feira (29) durante uma operação policial em La Paz. O Serviço de Inteligência da Polícia Nacional invadiu as suas casas com um mandato de prisão e os prenderam sob a acusação de terrorismo.

Todos os detidos são estudantes e trabalhadores, mulheres e homens, que apoiam a causa indígena TIPNIS (Território Indígena e Parque Nacional Isiboro-Secure). Dos 10, já se sabe o nome de pelo menos 4 presos: Nina Aruma, Jeffer, Renato e Viko.

Mais infos e atualizações:

www.territoriosenresistencia.org

Territórios em Resistência é uma comunidade de ativistas, pensadores e pensadoras, libertárias e libertários que acreditam na autonomia e autodeterminação dos povos, na defesa da Mãe Terra e na luta anticapitalista e antifascista por justiça social.

Vídeo sobre a luta em defesa do TIPNIS:

http://vimeo.com/20555570

agência de notícias anarquistas-ana

lavrando o campo

a nuvem imóvel

se foi

Buson

[Grécia] Serres: Passeata em solidariedade com o anarquista Rami Syrianos, um prisioneiro em greve de fome desde 15 de maio

Wednesday, May 30th, 2012

soliNo sábado, 19 de maio, cerca de 100 camaradas tomaram as ruas da cidade de Serres, norte da Grécia, para mostrar sua solidariedade com o anarquista expropriador Rami Syrianos, que está em greve de fome desde 15 de maio, exigindo o fim imediato do regime de confinamento no qual se encontra há mais de 2 meses e a sua transferência da prisão de Nigrita.

A presença de policiais durante a passeata foi grande, porque Serres é uma cidade pequena. Dois esquadrões da tropa de choque MAT acompanharam de perto o protesto anarquista, enquanto que um grupo grande de policiais a paisana tentou infiltrar-se na manifestação, mas as reações dos companheiros e companheiras os obrigaram a manter distância. Outros esquadrões eram responsáveis ??pela proteção de edifícios governamentais no centro, e a polícia motorizada circulava em torno do percurso da passeata.

Cabe destacar que em 15 de maio, aproximadamente 20 companheiros e companheiras tinham feito uma intervenção no tribunal da cidade de Serres, onde distribuíram folhetos em solidariedade com Rami e jogaram bombas de tinta na fachada do edifício, e ainda picharam palavras de ordem contra o promotor Theodouli Epigaridou, que é o principal responsável pelo confinamento que já dura mais de 2 meses do companheiro Rami Syrianos.

A paixão pela liberdade é mais forte do que todas as celas!

Solidariedade com Rami Syrianos, preso anarquista em greve de fome!

agência de notícias anarquistas-ana

na ordem alfabética

conseguir captar

a desordem poética

Jandira Mingarelli

[Turquia] Istambul: Nove anarquistas são enviados para a prisão

Saturday, May 26th, 2012

img_123568_anarsistlere-tutuklamaNa madrugada de 14 de maio, 48 pessoas, a maioria anarquistas de vários grupos, foram detidas pela polícia com a justificativa de que elas estavam envolvidas nos distúrbios do Primeiro de Maio em Istambul. 13 pessoas foram liberadas nesta terça-feira (15) e quarta-feira (16) na delegacia, enquanto que outras 20 foram libertadas com acusações na quinta-feira (17).

Na noite de sexta-feira (18), 15 pessoas foram enviadas para o tribunal com um pedido de prisão do Ministério Público. O tribunal decidiu enviar 9 destes anarquistas para a prisão sob a acusação de danos públicos e danos à propriedade privada, causando indignação entre o público presente no tribunal, enquanto liberava o resto.

Manifestação em frente à Embaixada da Turquia em Berlim

Ocorreu em frente da embaixada turca em Berlim, na Alemanha, na última sexta-feira (18), um ato em solidariedade e pela libertação dos presos anarquistas em Istambul. Durante a manifestação foi apresentada uma palestra sobre a repressão do Estado turco contra o anarquismo e os anarquistas daquele país, também foram distribuídos folhetos (em turco e alemão) para os transeuntes. O evento foi organizado por “Alguns Anarquistas Amantes da Liberdade”.

Fotos:

http://de.indymedia.org/2012/05/330269.shtml

Notícia relacionada:

http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2012/05/17/turquia-comunicado-de-imprensa-sobre-a-operacao-policial-e-a-prisao-de-dezenas-de-anarquistas-em-istambul/

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A lua minguante

procura com quem falar

na boca da noite

Ronaldo Bomfim

Onda de repressão contra anarquistas na Turquia, pelo menos 60 pessoas foram detidas

Thursday, May 17th, 2012

330041Ontem à noite, 14 de maio, forças policiais especiais fortemente armadas e mascaradas do Estado turco realizaram uma invasão em várias casas e centros sociais anarquistas em Istambul. 60 pessoas foram presas, mas este número pode aumentar. Computadores, discos rígidos, publicações e documentos também foram apreendidos.

A “razão” aparente para os ataques das autoridades turcas são às ações promovidas por “insurrecionalistas anarquistas” durante os protestos do último 1º de maio em Istambul, onde várias lojas de luxo, redes multinacionais e bancos foram alvejados. No entanto, as pessoas detidas não fazem parte dos círculos “anarquistas insurrecionais”. Um deles é anarco-comunista de um grupo chamado “Terra e Liberdade” (Toprak ve Ozgurluk), outro é da “Atividade Revolucionária Anarquista” (Devrimci Anarsist Faaliyet).

Até agora não foi permitido que nenhum anarquista encarcerado se pronunciasse. Nem mesmo deixaram que eles falassem com seus advogados. Ainda não se sabe os nomes de todos os detidos. Entre eles se encontra uma mulher grávida de 8 meses, que sequer participou do protesto do 1º de maio.

O Estado turco vem desenvolvendo nos últimos tempos a tática de ataques em massa contra todos os tipos de correntes de esquerda. Centenas de membros do partido curdo (BDP) e esquerdistas já foram presos por anos sem julgamento e até mesmo sem uma denúncia criminal clara. Esta é a primeira operação maciça contra os anarquistas.

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Desfolha-se a rosa.

Parece até que floresce

O chão cor-de-rosa.

Guilherme de Almeida

[Uruguai] Liberdade para David Lamarte, anarquista preso em Montevidéu

Thursday, May 17th, 2012

tn1Na manhã da última quarta-feira, 9 de maio, dois companheiros foram presos em Montevidéu, um deles em seu local de trabalho e outro em casa. Em seguida foram transferidos para o Departamento de Operações Especiais e na manhã de quinta-feira (10) para o Tribunal, onde foram interrogados pelas autoridades.

Um deles ficou livre, enquanto que o companheiro David Lamarte foi processado com prisão por atacar um táxi que estava em serviço em 1º de maio, durante um ato classista que acontecia nesta data.

David é um companheiro anarquista que está entre nós lutando há mais de quinze anos, desde a antiga Resistência Anarco Punk, na atualidade nas fileiras do Sindicato Único de Automóvel com Taxímetros e Telefonistas (SUATT) e em vários grupos anarquistas.

O SUATT, antigamente SUA, foi o reduto sindical de ação direta que manteve em pé a velha Federação Obreira Regional Uruguaia durante décadas ao longo do século XX. Hoje é um dos sindicatos mais combativos do país, que luta contra a arrogância de uma patronal mafiosa e o assédio policial constante.

A sentença final contra David provavelmente ficará entre três meses e três anos de prisão segundo o parecer de um juiz, que se pronunciará no espaço dos próximos dez dias e irá acusá-lo de violência privada e danos materiais.

Mas o que o Estado condena não é só a ação, não só se condena a agressão contra os proxenetas de seus patrões, o que se está condenando é não ficar parado ou calado, é não baixar a cabeça ou olhar para outro lado, é não resignar-se ante este mundo de exploração.

Ao mesmo tempo, a repressão também serve como uma lição para aqueles que não aceitam as condições de vida impostas a nós pelos poderosos e os exploradores. Funciona como uma lição para aqueles que pretendem romper com este modo de vida. Eles buscam criar medo.

É por isso que apelamos à solidariedade, que se saiba que nenhum companheiro está sozinho.

Liberdade imediata para David, preso por lutar!

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luzes acesas

vozes amigas

chove melhor

Alice Ruiz