Archive for February, 2012

Professora da rede estadual de São Paulo é torturada pela PM na USP

Monday, February 27th, 2012

violência USP PM estudantes

Terror psicológico, agressões físicas e verbais, o jogo com a insegurança de uma mulher sozinha em uma sala escondida e cheia de homens armados, marcam o relato dessa professora.

Reproduzido da página Pragmatismo Político

(Nadya Krupskaya (nome fictício), 25, é professora de filosofia na rede estadual e estudante da USP.)

Uma estudante da USP denuncia, em depoimento, que foi agredida e ameaçada por PMs na ação de reintegração de posse da reitoria. Ela tentou registrar as agressões na polícia, mas não conseguiu. “Um deles pegou na minha nuca, bateu minha cabeça no chão várias vezes, na parte do couro cabeludo, para não deixar hematoma. Nisso passou um repórter da Globo, o primeiro a chegar no local. Quando eu o vi achei que era minha salvação: comecei a gritar e falar o que estava acontecendo. O repórter olhou com o maior desprezo e passou direto”.

Ela foi uma das detidas após a reintegração de posse da reitoria da universidade. Na operação, conduzida no dia 8 de novembro, participaram cerca de 400 policiais, com carros, cavalos e helicópteros. Para desarmar os possíveis protestos de alunos, PMs impediram a saída de moradores do Crusp (conjunto habitacional da USP) durante a ação, usando inclusive bombas de gás para tal fim.

Nadya afirma que não estava na reitoria durante a operação e que foi presa e levada para dentro do prédio por PMs, após tirar fotos da operação. Ela está sendo indiciada, junto a mais de 70 pessoas, por desobediência à ordem judicial e dano ao patrimônio público.

Dentro da reitoria, ela alega ter ficado sozinha por 30 minutos com policiais homens, que a teriam agredido e ameaçado. Na delegacia, diz que tentou registrar as agressões, mas segundo a delegada que ouviu os detidos, não era possível registrar tal depoimento.

Segundo advogados que representam os estudantes detidos, o relato dela será a base de uma denúncia que deve ser feita ao Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), após o resultado dos exames de corpo de delito, ainda não finalizado.

Depoimento dado a Raphael Sassaki:

Eu ocupei a reitoria, participei do movimento, mas na noite da reintegração de posse, eu não dormia lá. Eu estava no meu apartamento no Crusp, quando acordei assustada com os barulhos dos helicópteros iluminando meu quarto. Em seguida, desci pra ver o que acontecia, muitos amigos estavam na reitoria.

Lá embaixo, PMs impediam as pessoas de sair, inclusive as que tinham que ir trabalhar ou pessoas que tem que acordar de madrugada para tocar pesquisas nos instituto, e também, claro, quem queria ir para a reitoria ver o que acontecia. Ainda estava bem escuro.

Eu desci junto com essas pessoas e, passado alguns minutos vendo aquela situação, começamos a sair por uma lateral do prédio.

Chegando próximo à reitoria, eu comecei a tirar fotos em frente ao cordão de isolamento da polícia, para registrar o que acontecia. Nisso apareceu um policial por trás de mim, apontando uma arma de grosso calibre. Eu fiquei paralisada; na minha frente o cordão de isolamento e atrás um cara armado.

Ele me pegou , me disse que eu estava detida e me mandou deitar no chão. Chegaram mais dois PMs, que já me jogaram no chão para me imobilizar; eu comecei a gritar, já que eu não estava lá dentro e eles não tinham justificativa legal para me deter, eu só estava filmando.

Foi quando um deles falou: “É melhor levar ela pra dentro”. Na delegacia falaram que eu tentei entrar na reitoria. Como eu vou entrar em um lugar cheio de polícia, passando pelo cordão de isolamento?

Eles me levaram arrastada pra frente da reitoria, quebraram o vidro e entraram. Era uma sala escura, não havia nenhum aluno, só policiais homens.

Lá, me colocaram de pé e mandaram deitar no chão. Como eu não fiz imediatamente o que me pediram, eles chutaram minha perna, que ficou roxa. Acredito que isso conste no exame de corpo de delito.

Quando me jogaram no chão, um homem sentou nas minhas pernas, próximo ao meu bumbum, e dois no meu tronco, pressionando com o joelho meu corpo no chão. Havia vários em volta fazendo uma roda, porque como estavam ao lado do vidro, se alguém estivesse passando poderia ver.

A única visão que eu tinha era das botas. A sala estava toda escura. Devia ter uns 12 homens ali, algo descomunal para imobilizar uma mulher. O que me chocou e o que os advogados querem caracterizar como crime de tortura foi que nesse momento os policiais apertaram meu pescoço e taparam minha boca e meu nariz.

Eu sou asmática e quase desmaiei. Eles são sarcásticos, riam de mim, falavam que eu não ia sair dali. Eu gritava e batia as mãos no chão, e eles falavam “você está pedindo arrego?”

Um deles pegou na minha nuca, bateu minha cabeça no chão várias vezes, na parte do couro cabeludo, para não deixar hematoma. Eu tentei reagir e mordi a mão do PM que segurava minha boca. Quando fiz isso, eles me falaram: “Você conhece o porco?”.

O porco é uma bolacha de plástico que enfiaram na minha boca e me impedia de falar e dificultava minha respiração, pois sou asmática. Eu fiquei com isso na boca enquanto eles falavam: “é melhor ficar quieta senão vai ser pior”.

Eu pensei que não havia mais ninguém lá dentro, que todo mundo já havia sido retirado e que iam fazer o que quisessem comigo. Depois eu soube que tinha uma sala ao lado, onde as meninas ouviram tudo o que aconteceu ali, elas são minhas testemunhas. Onde eu estava, não tinha uma mulher, ninguém.

Depois de vários minutos dessa situação, me prenderam com um lacre, com as mãos pra trás. Apertaram isso muito forte e me levantaram pelos cabelos do chão; tiraram o ‘porco’ da minha boca e me levaram pra outro lugar, mais iluminado.

Eu reclamava do meu braço, que ficou roxo; isso não saiu tanto no corpo de delito, já que ele foi feito às 2h da quarta-feira, e a reintegração foi às 5h do dia anterior.

Eu reclamava que meu braço doía muito quando passou um repórter da Globo, o primeiro a chegar no local, o que fez toda a cobertura da desocupação. Quando eu o vi achei que era minha salvação: comecei a gritar e falar o que estava acontecendo. O repórter olhou com o maior desprezo e passou direto.

Mas os câmeras filmaram um pouco, tanto que as imagens estão no Jornal Nacional, onde eu reclamo da minha mão. Eu falando o que tinha acontecido eles não colocaram. Um cara [PM] ainda me falou “viu, não adianta nada você reclamar”.

Eu não conseguia ficar de pé, mas eles me forçavam; um PM pegou o cassetete e apertou contra a minha garganta pra eu ficar em pé, junto à parede.

Eu estava assim, quando chegou uma policial mulher, uma loira, que imagino que eu possa identificar no processo –foram 25 mulheres presas e apenas 3 policiais mulheres, que contamos, essa era a única loira.

Eu achei que ela fosse ter o mínimo de sensibilidade. Eu falei [para o PM] ‘você vai me bater de novo?”. Nisso a policial mulher chegou, tirou ele de lá e falou: “Ele não pode te bater, mas eu sou mulher e posso” e pegou na minha blusa e me jogou duas vezes contra a parede. Eu reagi e dei uma cotovelada; ela saiu.

Eles continuaram em volta de mim. Essa loira reapareceu com minha máquina dentro da caixinha; achei delicado terem guardado, somente para ver depois que a máquina estava quebrada e sem o cartão de memória.

A policial [mulher] ainda me falou: “Se você colaborar eu vou te levar junto das meninas, senão, você vai ficar aqui com os meninos [os PMs] viu?”.

Me levaram para a sala, onde todas as mulheres estavam sentadas no chão com vários policiais, que tampavam o vidro com escudos para que não pudessem vê-las.

Tinha mais polícia do que meninas, como se fossem oferecer grande risco. Elas disseram que eles falaram: “Não se preocupem com os gritos, é procedimento normal”. Ainda disseram, ‘não é nada, é só uma louca que entrou gritando’. Depois, soube que foram 30 minutos aproximadamente que eu fiquei sozinha com os PMs.

Ficamos um bom tempo nessa sala e começaram a me ligar. Eu atendi e disse que estava lá dentro; ninguém entendeu o que eu tava fazendo lá. Eu disse que passava mal, que precisava da minha bombinha. Aí sim os policiais acreditaram que eu tinha asma e 20 minutos depois me trouxeram minha bombinha, que meu namorado levou.

Depois mandaram eu desligar o celular e ficamos incomunicáveis. Havia vários policias sem farda, à paisana, filmando nossos rostos. Todos os PMs estavam sem identificação, dentro e fora. Reclamamos disso e a PM que me agrediu disse: “O que você entende de Polícia Militar pra saber o que PM pode ou não?”.

Fomos levados para a sala principal, onde ficam os quadros dos reitores. Colocaram a gente na parece e nos obrigaram a sermos fotografadas, armados e ameaçando, vestidos com roupa normal e sem identificação. Sem identificação por quê? Porque se acontecesse algo muito sério ninguém poderia ser punido?

Eles sabem onde eu moro, sabem meu nome, por isso não me identifico. Eu estou visada por que eles sabem que o que fizeram foi irregular. Eles têm imagens nossas, de perfil, de lado, fizeram um ‘book’ da gente. Estávamos todos assustados, porque não sabíamos o que ia acontecer.

Nos levaram para a delegacia, onde ficamos mais de 20 horas. Durante o interrogatório, nos perguntaram nosso número USP. Por que isso importa? Pra reitoria nos perseguir?

Eles disseram que íamos somente assinar um termo circunstancial e ser liberados, mas depois de um ligação recebida, mudaram e decidiram nos imputar os crimes, inclusive formação de quadrilha e crime ambiental, que depois foram desconsiderados.

Fui atentidada pela delegada [Maria Letícia Camargo], tentei falar para ela sobre a violência que praticaram comigo; ela me disse que o questinário partia do pressuposto que eu estava lá dentro, e que não havia uma lacuna onde ela pudesse relatar o que que queria falar.

Então resolvi declarar em juízo. Quando eu saí, tinha um policial gordinho de olhos azuis, que quis botar as meninas que estavam fumando para dentro do ônibus. Como questionamos isso ele me disse: “É pra você acatar, que você já conhece minha força”; Eu disse ‘então você estava lá, seu filha da puta, você me agrediu’. Depois disso ele desapareceu e eu não o vi mais.

Eu tentei fazer o boletim de ocorrência, mas a delegada se negou a registrar.

E é por isso que eu estou dando esta entrevista, porque ela teve a pachorra de dizer depois, em entrevista, que nenhum estudante alegou ter sido agredido.

O Movimento

Havia uma comissão para fazer material, outra para falar com a imprensa. Tinha a comissão de segurança, para garantir que não entrassem PMs nem imprensa, e que não fotografassem as pessoas. Tinha comissão de cultura, música, dança. É um absurdo falar que era um movimento de traficantes. Acha que tantas pessoas se organizaram dessa forma pra defender somente o direito de fumar maconha?

Ninguém ali está lutando pelo direito individual, polícia tem em todo lugar. Defendemos o direito de ter uma universidade de fato pública e aberta, para que as pessoas não tenham suas bolsas revistas e sejam punidas por crimes que não cometeram.

Agora os policiais estão ali, sabem onde eu moro, e podem me intimidar para eu não denunciar. Você pode achar um exagero, mas na USP há um programa de vigilância, com câmeras escondidas e funcionários do Coseas registrando as pessoas, inclusive relatórios da vida íntima e política das pessoas.

É estranho a mídia nos tachar de burguesinhos, porque se de fato fôssemos, o que íamos querer era justamente polícia pra nos proteger ‘dos favelados’.

Eu já fui babá, monitora escolar, bóia fria, frentista de posto de gasolina, trabalhei em fábricas, em telemarketing, no comércio.

Hoje sou professora na rede pública estadual, dou aulas de filosofia para crianças. Quando eu voltei para a escola os alunos falaram: “Êba, a professora foi solta!”. Eles já sabem que as coisas não são como mostram.

Eu nasci no sul do país, meu pai era militante e coordenador do MST, já morei em acampamento e isso sempre foi natural. Eu vim para a USP porque aqui me parecia um lugar livre, onde tinha moradia estudantil e jovens podiam pensar livremente; tudo engano.

Desde criança sempre tive um veia crítica sobre as coisas; eu não sou direita, mas também não sou xiita ou radical, como falam.

Sou só uma estudante que se indigna, que quer uma universidade que não seja só para ela; a USP pra mim foi um sonho, e eu queria que outras pessoas pudessem compartilhar isso.

Não queremos universidade para a elite, mas para os trabalhadores e filhos de trabalhadores, algo que o reitor tenta impedir, bancado pelo governo.

Sou apenas uma indignada, que gosta de estudar, fazer política e morar no Crusp. Espero que eu não seja jubilada e possa prestar concurso para dar aula como professora efetiva, sem sofrer nenhuma represália, principalmente da própria universidade.

De http://fragmentosativos.wordpress.com/2012/02/27/professora-da-rede-estadual-de-sao-paulo-e-torturada-pela-pm-na-usp/

[Suíça] Zurique: Biblioteca anarquista será inaugurada no próximo dia dez

Monday, February 27th, 2012

[Uma nova biblioteca anarquista, que recebe o nome de “Fermento”, será inaugurada em 10 de março, em Zurique.]

Comunicado:

Queremos que esta biblioteca seja um espaço de encontro entre pessoas e ideias que aspiram à liberdade. Entre rebeldes do presente e rebeldes do passado. Entre as lutas sociais daqui e de lá. Um ponto de encontro entre aqueles que rejeitam esta sociedade, baseada no princípio da autoridade, e abraçam a ideia da anarquia, com base na solidariedade e na auto-organização. Entre aqueles que buscam, atualmente, as linhas do caminho para combater a opressão, e as linhas que outros já deixaram neste caminho. Entre aqueles que querem entender e radicalizar a sua realidade local e a realidade internacional que está causando, cada vez, mais conflitos sociais.

Atualmente, está mais claro para muitas pessoas que a miséria emocional e material é um produto desta sociedade e só aumenta. Hoje, podemos ver como, cada vez mais pessoas encontram a coragem de se rebelar contra essa miséria, por isso decidimos abrir esta biblioteca para fornecer, através deste novo espaço, resposta a um antigo tema: a revolução social. Esta questão não é uma questão de partido ou de uma “organização”! É uma questão de todos aqueles que, como indivíduos, estão cansados de fraudes da política, não estão dispostos a aceitar mais a delegação, os patrões, os líderes. É uma questão de todos aqueles que aspiram à conquista própria de suas ideias, suas perspectivas, suas vidas.

Não pretendemos que os livros desta biblioteca sejam bens de mera distração, nem mero material de estudo, ou velhas histórias para escapar em nostalgia, nem ideologias em busca de seguidores. Estes livros apontam para a fermentação de ideias que podem colocar a mistura social a ferver e que podem estimular o desejo de agir. Queremos que seja um instrumento para a subversão da atualidade reinante e a construção de relações livres.

O novo espaço está na rua Rosengartenstrasse 10, 8037. Para chegar à biblioteca, pode apanhar o bonde 13 até Wipkingerplatz, o ônibus 46 para Rosengartenstr, ou o trem para a estação Bahnhof Wipkingen. O espaço está aberto às terças-feiras (17h – 21h) e sábados (14h – 19h), e será inaugurado no sábado, 10 de março, das 14h às 22h. Os próximos eventos serão anunciados através de comunicados ou e-mails. Vale destacar que, no espaço, também pode se encontrar uma copiadora, material de divulgação (textos, folhetos, cartazes, publicações diversas) em vários idiomas, como alemão, francês, italiano, inglês e outros. Para dúvidas e/ou contribuições de livros, jornais, etc., pode escrever aqui: bibliothek-fermento@riseup.net.

agência de notícias anarquistas-ana

Pé de ipê!

Dá dó de varrer

o tapete lilás.

Cumbuka

Aumento da luta radical na Rússia

Friday, February 24th, 2012

[Os resultados falsificados das eleições parlamentares parecem ser uma séria oportunidade para milhares de indignados expressarem o seu desacordo contra a autoridade durante as massivas manifestações na Rússia. Ao mesmo tempo, o número de ações diretas associadas com a sabotagem de instituições públicas aumenta rapidamente. A seguir breves de algumas atuações.]

10 – 13 de dezembro de 2011

Nos distritos urbanos de Moscou: em Novogireevo e Donskoy, as janelas da sede do partido Rússia Unida (do Primeiro-Ministro Vladimir Putin) foram destruídas. As ações foram feitas por pessoas anônimas.

15 de dezembro de 2011

Em Yuznho-Sakhalinsk, desconhecidos ativistas da liberdade atacaram o escritório local do partido Rússia Unida, com o fogo.

22 de dezembro de 2011

À noite, um grupo de anarquistas insurgentes incendiou o escritório do partido Rússia Unida, no distrito de Ivanovskoe (Moscou). Em sua declaração, os companheiros disseram: Abolir o regime de Putin não é suficiente. Os novos líderes do país não governarão de acordo com os interesses do povo. O problema é o Estado em si. Nossa alternativa de sociedade é baseada em valores como liberdade, igualdade e solidariedade. Nessa dita sociedade, todas as decisões serão tomadas em assembleias comunitárias. Este é o caminho para satisfazer os nossos próprios direitos e interesses e não os da minoria privilegiada e opressora. É hora de ações contundentes!

23 de dezembro de 2011

Na cidade de Ufa, o grupo revolucionário “Spravedlivost” (“Justiça”) incendiou o escritório do partido Rússia Unida na região.

24 de dezembro de 2011

Em Krasnodar, o escritório do partido Rússia Unida foi atacado por anarquistas à noite. Os companheiros quebraram algumas janelas e gritavam palavras de ordem, diante do espanto das pessoas que estavam nas proximidades.

30 de dezembro de 2011

Pessoas do grupo Exército Insurgente Revolucionário atacaram o escritório do presidente plenipotenciário N. Vinnichenko em São Petersburgo, com uma bomba de fumaça.

31 de dezembro de 2011

O coletivo artístico Voyna (Guerra) queimou um veículo de transporte de presos no estacionamento.

Na mesma noite, em Kaliningrad, o escritório do partido Rússia Unida foi incendiado. Feliz ano novo!

3 de janeiro de 2012

Mais uma vez em Kaliningrado, um coquetel molotov foi atirado na janela do escritório do partido Rússia Unida.

9 de janeiro de 2012

Um escritório central do partido Rússia Unida no noroeste de Moscou foi atacado por pessoas anônimas.

10 de janeiro de 2012

Em Moscou, um grupo de guerrilha anarquista ateou fogo na delegacia da rua Lenskaya.

20 de janeiro de 2012

Em Sarov, o carro Mercedes de um membro da administração foi completamente destruído pelo fogo ateado por rebeldes desconhecidos.

agência de notícias anarquistas-ana

O grito é mudo

o olhar no entanto

Diz tudo!

Kirah

Lançamentos da Biblioteca Terra Livre

Friday, February 24th, 2012

No ano de 2011 a Biblioteca Terra Livre iniciou seus trabalhos editoriais. Os
dois primeiros títulos (Escritos sobre Educação e Geografia / Élisée
Reclus: Retratos de um anarquista) foram publicados ao longo do Colóquio
Internacional Élisée Reclus e a Geografia do Novo Mundo realizado no mês de
dezembro. Para o ano de 2012, centenário de fundação da Escola Moderna n°1
de São Paulo, a editora está preparando dois títulos sobre pedagogia.

INFORMAÇÕES:
http://bibliotecaterralivre.noblogs.org/editora/escritos-sobre-educacao-e-geografia/
Título: ESCRITOS SOBRE EDUCAÇÃO E GEOGRAFIA
Autor: ÉLISÉE RECLUS e PIOTR KROPOTKIN
Editora: BIBLIOTECA TERRA LIVRE
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Dimensão: 18 x 11,5 cm
Edição: 1ª
Ano de Lançamento: 2011
Número de páginas: 78
Preço: R$20,00

http://bibliotecaterralivre.noblogs.org/editora/elisee-reclus-retratos-de-um-anarquista/
Título: ÉLISÉE RECLUS: RETRATOS DE UM ANARQUISTA
Autor: EMÍLIO COSTA; PIOTR KROPOTKIN; JEAN GRAVE; MAX NETTLAU; RUDOLF
ROCKER; LUIGI GALLEANI e PAUL RECLUS
Editora: BIBLIOTECA TERRA LIVRE e EDIÇÕES NEGRAS TORMENTAS
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Dimensão: 18 x 11,5 cm
Edição: 1ª
Ano de Lançamento: 2011
Número de páginas: 103
Preço: R$20,00

Os títulos estão disponíveis para a venda e podem ser encomendados através
do email: bibliotecaterralivre@gmail.com

Lei do “Anarquismo” na Indonésia concede à polícia um cheque em branco para violência

Thursday, February 23rd, 2012

por Ronna Nirmala

O regulamento utilizado pela polícia para justificar a violência contra manifestantes, e que levou a uma série de mortes e outros abusos de poder nas últimas semanas, foi formulado para segurança presidencial, disseram os ativistas na terça-feira.

Os famosos “Procedimentos Padrão para Lidar com o Anarquismo” forneceram o pretexto para a polícia usar de medidas violentas, incluindo atirar em manifestantes desarmados com armas de fogo, disse Poengky Indarti, diretora do grupo não-governamental de direitos humanos “Imparcial”.

“As medidas padrão são altamente vulneráveis ao uso de medidas violentas e abuso de poder”, disse ela, acrescentando que a lei provê à polícia um “cheque em branco” para usar da violência armada sob o pretexto de manutenção da ordem.

A polícia relatou mais cedo que os procedimentos foram emitidos em 2010 baseados nos “Princípios Básicos das Nações Unidas para o Uso de Força e Armas de Fogo”, mas que o primeiro teste prático foi para conter protestos durante uma manifestação massiva que ocorreu no mesmo ano no primeiro aniversário do segundo mandato do presidente Susilo Bambang Yudhoyono.

“Nós acreditamos que os procedimentos foram adotados apenas para proteger RI-1 [o presidente] de qualquer perigo em potencial”, disse Poengky. O uso de armas de fogo deveria ser a última opção, visto que a polícia ainda pode usar gás lacrimogêneo, canhões d’água e balas de borracha para dispersar multidões, disse ela.

“Armas de fogo são apenas permitidas quando a situação está fora do controle, para autodefesa, ou contra criminosos perigosos que tentam fugir da justiça”, disse Poengky.

No entanto, durante os confrontos recentes em Mesuji, Lampung e Bima, Nusa Tenggara oriental, não há evidências indicando resistência pública contra a polícia, mas um determinado número de civis foram assassinados.

Os procedimentos foram praticados pelo então chefe da polícia nacional Bambang Hendarso Danuri.

Poengky disse que os procedimentos existentes deveriam ser abolidos ou ao menos atenuados.

“Algumas questões específicas precisam ser esclarecidas, incluindo quando os policiais podem carregar armas de fogo e que tipo de armas de fogo e munição. Elas precisam ser restringidas apenas aos policiais autorizados”, disse ela.

Os procedimentos padrão não limitam os oficiais que podem portar armas de fogo quando os motins ocorrem.

Os confrontos de Bima e Mesuji ocorreram em função de disputas de terra entre residentes locais e empresas visitantes, e a raiz deste problema é que a regulação de terras do governo favorece o setor privado, disse Idham Khalid, do grupo não-governamental Consórcio da Reforma Agrária.

Na regulação de terras que Idham descreveu como “capitalista”, o governo explicita o favorecimento do negócio e oferece grande autoridade para as entidades corporativas para explorar a terra.

“Isso “justifica” porque muitas empresas pagam a polícia para proteger seus negócios”, disse Idham.

Bambang Widodo Umar, um analista que estuda a polícia, disse que a polícia deveria imediatamente retornar ao asseguramento das leis que serve e protege as pessoas, e não a elite dominante.

“Na Indonésia, a lei pertence àqueles que detêm o poder, e na prática a lei é a própria reguladora. É muito obscuro aqui”, disse Bambang. “E o padrão de desenvolvimento se refere a um crescimento que favorece investidores. Isso é consentimento entre os oficiais que “asseguram” a lei, então não é surpreendente que a polícia tenha tendência de se alinhar com os investidores”.

A não ser que essa tendência preocupante seja propriamente redirecionada, é muito provável que o governo venha a enfrentar resistência social em larga escala, engatilhada pelo desapontamento público com a polícia, disse ele.

Tradução > Malobeo

agência de notícias anarquistas-ana

estou meio tonto

descobri, ontem, dormindo

que morre-se e pronto

Bith

Crônica do evento “10 anos do Ativismo ABC”

Wednesday, February 22nd, 2012

[Neste último 28 de janeiro, na Casa da Lagartixa Preta, em Santo André (SP), o Coletivo Ativismo ABC realizou um evento em comemoração aos seus 10 anos de existência. A seguir um relato do acontecimento enviado pelo Coletivo.]

Pensar nestes 10 anos, não é como completar aniversário. É pensar que há 10 anos atrás fizemos uma escolha política e social, escolhemos construir uma sociedade sem opressão (em todas as suas formas), mesmo que no princípio essa outra sociedade fosse mais ingênua, foi essa ingenuidade que nos trouxe aos 10 anos de hoje. Atualmente mais velhos e com um acúmulo teórico e prático tanto do dia-a-dia, quanto das relações macro, aquela ingenuidade, que nunca deixou de ser lutadora, rebelde e anticapitalista, enxerga melhor o mundo e propõe com mais afinco aquilo que se quer no presente, visando abrir novas possibilidades para o futuro. Não somos todos do Ativismo ABC que estão desde o começo, alguns saíram, outros se aproximaram, porque 10 anos são suficientes para se mudar muita coisa e pensamentos, mas estas pessoas que hoje não mais estão presentes, desempenharam um papel importante nos seus momentos dentro do coletivo, pessoas que recordamos com carinho.

A comemoração não poderia ter sido melhor. Pela primeira vez em 10 anos escrevemos um texto coletivo. No “El Saleroso” nº 10, ele pode ser lido. A Casa da Lagartixa Preta estava cheia, companheiros e companheiras históricos apareceram, mostrando que ainda que o anarquismo tenha suas diferentes linhas, podemos construir ações pontuais!!!

Havia muita comida e conversas… O início do dia se deu com o lançamento dos livros do geógrafo e anarquista Élisée Reclus, pelo Selo Editorial da Biblioteca Terra Livre e Edições Negras Tormentas. Acompanhada posteriormente de um debate sobre os 10 anos de coletivo.

A noite se adentrava e em meio as atividades foi declarado o vencedor da rifa Durruti, não poderia ter sido outro: o Ativismo ABC (não foi marmelada!) ganhou de presente para a biblioteca dois lindos livros do Buenaventura Durruti. A noite agradável foi acompanhada com a música dos companheiros do Ordinaria Hit, Minininha Pirracenta e um sambinha para fechar a noite!!! Assim como o já cotidiano futebol de rua!!!

São 10 anos, que não construímos sós, o apoio de outros companheiros e companheiras, familiares, amigos e amigas e “desconhecidos” foram importantes para manter em pé nossa ideia. Foram relações de apoio mútuo, alianças políticas, que demonstram na prática que uma sociedade com liberdade e sem opressão é possível e realizável agora. Que não precisamos ter alguém decidindo por nós, que lado a lado podemos fazer essa escolha, e que ela não significa um único caminho, mas caminhos diversos construídos com outros valores!!!

Ativismo ABC

Se passaram dez anos

A vida deixou de ser a mesma

Dizem que um pode ter tudo

E nós escolhermos outro caminho

O caminho da liberdade

Se passaram dez anos

E se foi tempo de nossas vidas

Lutando

Criando

Amando

Imaginando que uma vida em igualdade

Não se consegue

Vendo televisão

Ou

Sentado no sofá

Se passaram dez anos

E de jovens rebeldes

Passamos a libertadores

De nós mesmos

Ainda com rebeldia

Mas também construtores da sociedade futura

Com diversidade, apoio mútuo e liberdade

Mais infos:

http://www.ativismoabc.org

Link do “El Saleroso” especial de 10 anos:

http://www.4shared.com/office/3ljsl_TI/El_Saleroso_10.html

agência de notícias anarquistas-ana

caem as mangas

no pátio do sonho

talvez em outros

Jorge B. Rodríguez

[Grécia] Egaleo, Atenas: Assembleia Popular dissolve concentração direitista com deputados fascistas

Wednesday, February 22nd, 2012

Na segunda-feira, 20 de fevereiro, o líder do bando direitista do bairro de Egaleo, Atenas, organizou no Centro Cultural do bairro a festa anual da rosca do Ano Novo, convidando três membros do partido direitista Nova Democracia. Há poucos dias um deles foi deputado do partido nacionalista ultradireitista Laos, e outro da tendência neoliberal deste partido.

Muitos participantes da Assembleia Popular do bairro se reuniram em frente ao Centro Cultural, gritaram slogans e, em seguida, entraram na sala onde acontecia a festa. Os guarda-costas dos políticos tentaram protelar e conter a invasão, desta forma seus amos saíram e evitaram as vaias. Os três políticos escaparam pela porta dos fundos. Junto com eles se foram quase todos os direitistas e sua festa foi cancelada. Em seguida aconteceu uma assembleia aberta, como ocorre todas as segundas-feiras.

Alguns dos slogans que foram gritados e que se ouve no vídeo (link abaixo): “Fora fascistas do bairro de Egaleo”, “Aos fascistas ministérios e ao povo pobreza e desemprego”.

Vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=hpWwCdPLwPs&feature=player_embedded

Fonte: http://lasynaigaleo.blogspot.com/

agência de notícias anarquistas-ana

um raio de sol

transluz — balança a cortina…

borboleta amarela!

Douglas Eden Brotto

[Grécia] Atenas: Polícia dissolve brutalmente a manifestação de 19 de fevereiro

Wednesday, February 22nd, 2012

A Polícia reprimiu e dissolveu brutalmente a manifestação do dia 19 de fevereiro na Praça Syntagma de Atenas, uma semana após a maciça manifestação de 12 de fevereiro.

Desde poucas horas antes do horário programado para a manifestação, grupos de policiais da chamada tropa de choque, policiais à paisana e motorizados estavam espalhados por todo o centro de Atenas, parando os transeuntes, fuçando suas bolsas, mochilas e pertences e realizando umas 60 prisões preventivas, tentando aterrorizar aqueles que iam para o ponto de encontro da manifestação e especialmente aos que pretendiam participar dela.

A Polícia, como de costume, fechou as estações de metrô do centro da cidade, impondo uma espécie de toque de recolher. Apesar do terrorismo cerca de 6.000 manifestantes (incluindo um grupo de manifestantes motorizados) responderam ao apelo dos sindicatos de base, dos “indignados” e de várias assembleias de bairros e coletividades. Um pouco depois das 20h e ao mesmo tempo em que a manifestação estava em curso, os policiais começaram a provocar os manifestantes. Um grupo reagiu, atirando pedras e outros objetos. Quando a Polícia começou a disparar gás lacrimogêneo e outros gases cancerígenos alguns manifestantes responderam com coquetéis molotov e pedras. Então começou uma perseguição implacável pela Praça Syntagma e ruas circundantes. Poucos minutos depois, a perseguição dos manifestantes chegou até um bairro que fica quase meia hora de caminhada da Praça Syntagma…

Durante os incidentes vários manifestantes foram feridos, incluindo algumas pessoas mais velhas. Houve detenções cujo número de momento é desconhecido. Para os meios de desinformação a manifestação foi como se ela não tivesse acontecido…

Uma semana após a grande manifestação de 12 de fevereiro, o Regime reprimiu um protesto muito menor e menos combativo, enviando uma mensagem clara. A da submissão ao totalitarismo, da obediência à lei do silêncio. Poucas horas antes tinha sido feito um ataque contra o Indymedia Atenas. O Regime quer impor a ditadura a qualquer custo. A sociedade tem que responder.

agência de notícias anarquistas-ana

Excesso de chuvas

a desequilibrar a árvore

raízes se afogam.

Haruko

HAITI – COMEM A CARNE E NÃO QUEREM ROER O OSSO

Wednesday, February 22nd, 2012

* Por Lucia Skromov

Maquiando o Haiti

Até o terremoto, a mídia retocava cinicamente o retrato deste país, com recursos encomendados pelos exércitos dos governos invasores, obedecendo a recomendações dos experts políticos sob os auspícios da referida comunidade internacional, que tem à testa os EUA, França e Canadá. Encobrindo a realidade e se escondendo através de reportagens e documentários visivelmente montados, os governos comprometidos com a invasão, que já vai para o seu oitavo ano, inventaram um Haiti todo fantasiado de paz e controle e, mais: feliz com a presença das tropas “amigas”!

Mesmo sendo reproduzido o modelo adotado no Afeganistão e Iraque, não estava claro para muitos o sentido da ocupação militar. A desgraça natural fez aflorar as desgraças em nada naturais e ajudou a revelar a que veio essa ocupação: proteger os interesses de toda sorte de imperialismo, instalado numa região geopoliticamente bem localizada, que estabeleceu zonas fabris baseadas em trabalho escravo, com isenção de taxas, retirando lucros astronômicos em cima da miséria e da fome; impedir o direito de organização, cortando literalmente a cabeça das direções e imputando-lhes crimes fabricados para conter rebeliões e colaborar com a burguesia local, que busca tomar as terras secularmente ocupadas pelos trabalhadores do campo, para impedir a reforma agrária.

Ficou claro que o Haiti foi transformado em moeda de troca: exércitos e polícias de governos submetidos às determinações dos EUA, orientados e treinados para derrubar toda e qualquer tentativa de libertação no país, por algum tipo de benesse. O Brasil aceitou o papel, posando de amigo e primo rico, e entrou com patas, tanques e armas. Derrubando a soberania do país, garantiu um bom lugar no ranking do sub-imperialismo. Não ajudou a população em estado visível de desgraça, mas, serviu aos interesses do Grande Império, cujo lema é “Ocupar, Assumir e Controlar”.  Foi substancial para o álibi dos EUA, na sua política de reforço da presença militar na região, o apoio do Brasil. No entanto, apesar de fazer a lição de casa direitinho, este não conseguiu, pelos serviços prestados, nem o reconhecimento, nem o prêmio desejado: uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

O Avesso do Controle

Não obstante, o calor da desgraça dissolveu a cosmética que pretendia construir a imagem de.um povo satisfeito e vestido para a festa da invasão estrangeira. O tão decantado controle do comando brasileiro caiu por terra. Com a presença de 14 mil marines mais tropas regulares do exército estadunidense que controlaram todas as saída e entradas do país, ficou claro quem realmente detinha o controle.

O número de mortos e feridos até hoje não foram computados devidamente, pois as estatísticas de qualquer natureza de um Estado falido são pouco ou nada confiáveis, e, somadas ao levantamento fictício realizado pelos governos das tropas invasoras, demonstram o desprezo pelo povo haitiano e o apego a uma política de devastação, para justificar que a invasão se prolongue indefinidamente.

Hoje, ainda que haja a promessa de retirada de 2.750 soldados, o quadro é composto por 12.200, sendo 2.300 brasileiros, que continuam estuprando e cometendo todo tipo de abusos e violações aos Direitos Humanos dos haitianos.  Assisti-se ao desespero de uma população. A maioria desabrigada vive nas ruas, à mercê das intempéries, e uns poucos – os mais “contemplados” – em barracas cedidas por entidades, doadas por organizações internacionais. Foram erguidos, pelo exército estadunidense, acampamentos à imagem e semelhança dos campos de concentração, em perímetros não urbanos, onde os haitianos são obrigados a se cadastrarem para obter comida e lugar para dormir – atentem: sem colchão! – obedecendo a toques de recolher, a usar identificações, tipo pulseiras, e sujeitos, em seu próprio país, a medidas mais condizentes a prisioneiros.

Zero de Reconstrução

No segundo aniversário do terremoto, a crise se aprofundou e segue à devastação natural, a econômica e a social. O caos político virou lugar comum e moeda corrente e escancarou o fracasso da Minustah. Que, apesar da repressão com os conselhos do Bope – Batalhão de Operações Policiais Especiais – e tudo mais, sequer conseguiu debelar as rebeliões dentro do Haiti. Paripassu com o desemprego e repressão feroz, estão a criação de novos negócios lucrativos para os fabricantes de armas, as empresas de segurança e as grandes construtoras dos Estados Unidos e de seus aliados, incluindo as Odebrechts da vida.
A reconstrução tão necessária não veio. O prometido montante de ajuda humanitária – o 1% de US$ 4 bi destinado à ajuda humanitária (dos EUA), os US$ 1.600 bi de assistência emergencial (várias países), os US$ 1.4 bi  de doação (de organizações para projetos) – se veio, não se sabe onde foi aplicado. A situação em nada alterou para a massa famélica. E ninguém presta contas. Não é de se admirar, pois quem governa de direito o país é Michel Martelly, em aliança com Baby Doc e macoutes, mas quem governa de fato é Bill Clinton, que maneja o dinheiro, à testa da Comissão Interina para a Reconstrução do Haiti e como membro do Conselho Presidencial do Haiti para o Crescimento Econômico – junto com empresáriod como O’Brien, da telefonia digital. A política atual é a mesma: reconstruir o poder absoluto dos EUA. Visam um mercado possível, dando espaço a financiamentos de moradia àquela classe que ainda detém emprego e pode se endividar por longos anos até que o bem adquirido seja quitado ou devolvido aos bancos.

O Êxodo

Não bastasse o quadro relatado, o vibrião do cólera, trazido por soldados nepaleses, sob a bandeira da Minustah, grassa nos quatro cantos de um país cujas estruturas estão aquém do imaginável. A fome campeia. A corrida pela comida num primeiro momento gerou um inusitado êxodo: à diferença do tempo dos Duvaliers, a população tomou a estrada da cidade para o campo, causando um desequilíbrio letal. A magra colheita não tem condições de abraçar os famintos dos centros urbanos.  Fechando os olhos para o caos, o Estado incentiva indiretamente o êxodo ao exterior. Para alívio dos EUA, a leva migratória se dirige à América Latina, em especial ao Brasil – país do futuro, celeiro do mundo.
São levas e levas de imigrantes clandestinos cobrando aqui o que lhes foi prometido lá. Nada mais justo.
A diáspora haitiana elege senderos possíveis. Além da República Dominicana, onde os haitianos vendem a força de trabalho ganhando um salário de fome nos canaviais com o bônus do preconceito, dirigem-se à Argentina para estudar ou trabalhar e a grande maioria não consegue um lugar nas universidades e sequer emprego – também por conta do impedimento do idioma. Os que migram para a Venezuela têm melhor sorte, pois o trabalho de vendedor de sorvetes nas ruas, para as empresas locais, não exige senão o manuseio do troco. Há os que buscam a Guiana Francesa, pelo conforto do idioma, mas batem de frente com o preconceito do negro local.
Quando o destino é o Brasil, saem pela Venezuela, e, chegando a Santa Elena de Uairen, entram em Roraima; ou saem pelo Panamá, alcançam o Equador, e fazem a triste travessia pela Bolívia ou Peru, entrando em Brasiléia ou Epitaciolândia ou Assis Brasil, no Acre, ou em Tabatinga, no Amazonas; há os que vêm diretamente ao Rio de Janeiro ou São Paulo. Já há uma colônia na Baixada Fluminense que abriga os “vitoriosos”. Na sua grande maioria trabalham na construção civil. São Paulo é o caminho daqueles um tanto mais qualificados, com experiência em eletricidade ou hidráulica, e dos mais estudados que costumam dar aulas de Francês em empresas como a Wizard. Estes têm mais status. Seus salários, obviamente, estão no patamar da clandestinidade, sem direito aos benefícios decretados pelas leis brasileiras.

A saga dos haitianos pauta uma diversidade de transporte. Os mais comuns são o bote e a caminhada a pé e contratam ou não intermediários, dependendo do destino elegido.
Pagam até US$ 4 mil a coiotes por uma jornada incerta e perigosa. Um dinheiro, resultado de privações, que significa economias de toda uma vida, mais o dinheiro arrecadado com a promessa de sucesso para, posteriormente, trazer os seus financiadores. Na triste travessia há marcas indeléveis de mortes e violências. Sabemos que as mulheres são estupradas e os que reagem a esse estado de coisas são mortos. Os que logram chegar, assustados, aglomeram-se em locais improvisados como albergues, esperando a decisão dos poderes públicos.

Comem a carne, mas não querem roer o osso

De início, a entrada era silenciosa. Não causava tumulto e nem deixou às claras o que se passava por trás dos bastidores da relação empregador brasileiro e empregado haitiano. A exploração atingiu as raias do absurdo. Face aos perigos inerentes à clandestinidade, nenhum haitiano podia reclamar da remuneração bem abaixo do estipulado aos trabalhadores brasileiros.

A partir de 2010 começou o êxodo em massa para o Brasil, impossível esconder o número e a situação desses imigrantes. São de 1.500 a 3 mil pessoas nas regiões do Norte do país e a cada mês entram mais. O governo federal teve que se pronunciar. Sob pressão, seguiu a linha assistencialista e criou o Visto Humanitário para regularizar a situação dos haitianos. Até o presente, dos 4 mil que estão no Acre e no Amazonas, apenas 1.600 têm a situação regularizada e vivem em guetos. Os demais foram cadastrados e aguardam  ou o visto ou a deportação.

O governo federal, representado pelo Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, já manifestou o seu “espírito solidário” implementando medidas de restrição à entrada de haitianos e contando para isto com o apoio da ONU e do Estado Haitiano. Além disto, já é papel do Brasil ser o mentor das medidas a serem implementadas nos países vizinhos – Equador, Peru, Bolívia e outros contemplados no roteiro dos imigrantes haitianos – para inibir e erradicar a considerada invasão haitiana.

A onda migratória rumo ao Brasil será contida com base na Lei 6.815, de 1980, que decreta o visto de validade por cinco anos para os que vão exercer atividade regular no país. E apenas 100 haitianos, por mês, poderão entrar no Brasil. Os demais serão deportados, porque causam impacto no mercado de trabalho brasileiro. Esqueceram-se de que os brasileiros causaram mais do que impacto no território haitiano. Diante disto, os haitianos continuarão praticando a “marronaj” (escondendo-se e negando informações) e não entrarão com pedido de asilo, pois o “visto humanitário” pode ser uma espécie de armadilha para detectar imigrantes non gratos.

Empresários brasileiros, “imbuídos de pena” e “querendo ajudar os pobres haitianos”, estão oferecendo empregos em diversos Estados do Brasil, do Oiapoque ao Chuí.  Alguns até se mantendo dentro da legislação trabalhista.  Mas esmola demais, o santo desconfia. Foi, na verdade, instalada uma zona de conforto. Dar emprego a um haitiano, neste momento, melhora a imagem do empresariado, além da garantia que não haverá lutas ou reivindicações trabalhistas. O Capital vê nisto uma grande oportunidade para arrefecer a luta de classes numa conjuntura de crise, porque, neste contexto, o haitiano “agradecido” pelo emprego “concedido” não se voltará jamais contra o seu empregador. Quem sabe o empresariado aposta que o empregado haitiano se tornará um excelente lacaio.

Mais uma reintegração de posse na usp

Sunday, February 19th, 2012
* extraído de http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/02/503926.shtml
Em meio ao carnaval Polícia Militar de SP age contra a moradia autônoma da USP

Durante a madrugada de hoje, dia 19 de fevereiro, a Polícia Militar de São Paulo aproveitou o momento de esvaziamento devido ao carnaval para agir contra o espaço de moradia autônomo dos estudantes, conhecido como Moradia Retomada da Universidade de São Paulo.

Bombas foram utilizadas e nenhum estudante dos outros blocos de moradia puderam se aproximar para ao menos filmar as ações. 12 estudantes foram presos e há ao menos uma menor de idade. Os estudantes estão neste momento no 14º DP da Polícia Militar localizado na R. Deputado Lacerda Franco, 369.

Os estudantes detidos estão sendo acusados de desobediência civil e danos ao patrimônio público e só sairão sob fiança. Poucos estudantes que estão acompanhando os detidos pedem para que todxs que estejam em São Paulo para comparecerem à delegacia para apoiar o movimento e pensar próximas ações

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Na manhã da segunda-feira, dia 6, o aviso sobre movimentação de policiais perto da portaria principal da Cidade Universitária mobilizou Movimento Estudantil e apoiadores. Era o prazo final para a execução da reintegração de posse da Moradia Retomada, localizada no térreo do bloco G do Conjunto Residencial da USP (CRUSP).

Depois de uma série de violações de Direitos Humanos durante a reintegração de posse da Reitoria Ocupada no final do ano passado, perseguição ao Sindicato dos Trabalhadores, demissões em massa, e ataque ao espaço do Núcleo de Consciência Negra, o reitor segue sua gestão coordenando a USP como se fosse uma empresa. Desta vez decidiu fazer a “limpeza” da Cidade Universitária poucos dias antes da matrícula dos calouros que se dará nos dias 8 e 9 deste mês.

O prédio onde hoje é a Moradia Retomada é um espaço auto-gestionado desde 17 de março de 2010. O local era antes a administração da COSEAS, Coordenadoria de Assistência Social. Os estudantes exigem políticas de permanência estudantil e o fim da vigilância que a COSEAS exerce sobre os moradores do Conjunto Residencial dos Estudantes da USP, CRUSP, mantendo relatórios sobre suas atividades políticas e pessoais.

O espaço é legítimo e provou ao longo de quase 2 anos dar mais assistência aos calouros do que o sistema burocrático destinado a isto. Contando com organização interna os integrantes da Moradia Retomada planejam atividades para recepção dos novos alunos. O espaço deve ser preservado como pólo importante para a luta dos estudantes.