[RJ] Ocupação Abu Jamal é invadida pela policia

May 17th, 2012

[Colômbia] Mural em memória do anarquista Nicolás Neira é sabotado

May 17th, 2012

mural-93O silêncio de nossos mortos grita liberdade

Mil colegas quedan tiraos por el camino

¿Y cuantos mas van a quedar?, ¿cuanto viviremos?

¿Cuanto tiempo moriremos?

En esta absurda derrota sin final…

La polla records

Nicolás Neira foi um jovem anarquista brutalmente assassinado pela tropa de choque móvel ESMAD, da polícia nacional. Na manifestação do 1º de maio de 2005 na cidade de Bogotá, este jovem foi brutalmente agredido na cabeça, os golpes lhe ocasionaram ferimentos graves, causando sua morte cinco dias depois. Nico é uma das muitas vítimas da violência estatal, que desde a formação deste corpo repressivo (ESMAD) em 2002, já matou mais de 50 pessoas e um incontável número de agressões e maus-tratos físicos a pessoas e comunidades que se manifestaram diante de leis injustas (embora não vemos nenhuma lei justa) ou simplesmente por terem protestado por alguma inconformidade e contra atos que ameaçam a vida, a Terra, a dignidade ou a integridade coletiva.

O Centro Social e Cultural Libertário [de Medellín] desde a Campanha Contra a Criminalização do Protesto e da Luta Popular tem vindo a visibilizar casos de violência do Estado e gerado ação, mobilização e denúncia contra esta realidade que não podemos ignorar nem tolerar. Em 13 de maio passado realizamos um evento, com um mural em memória de Nicolás Neira, que morreu em 6 de maio de 2005 por um traumatismo craniano causado por golpes da ESMAD.

Por nenhum motivo devemos permanecer em silêncio, ou ficar parado. Se protestamos é porque estamos lutando por uma mudança social, se saímos às ruas é porque queremos agitar o cotidiano, tocar a sensibilidade e a consciência de uma sociedade alienada que luta individualmente para sobreviver. A ESMAD e a polícia existem para materializar uma estratégia de repressão contra o povo, contra as pessoas, num sistema capitalista favorável as empresas e a propriedade privada. Devemos denunciar, relembrar, recuperar os sonhos, construir, não permitir que outros governem nossas vidas para o seu benefício. A ação direta é o nosso ás debaixo da manga, neste jogo onde nos jogamos a vida. Todas e todos aqueles que caíram sob a mão do poder, não morreram, viverão em cada um de nós, em cada ato, em cada recordação, em cada passo.

Sem perdão nem esquecimento, por que para lutar há que se recordar, Nico Vive! Assim como Oscar Salas, Simón Torres, Johnny Silva, Diego Becerra e muitos outros que caíram ante a brutalidade do Estado, nas mãos da polícia nacional e seu esquadrão da morte.

Porque a memória é a nossa arma, porque a solidariedade é mais do que palavras escritas agora quando o silêncio de nossos mortos grita liberdade.

Centro Social e Cultural Libertário

Campanha Contra a Criminalização do Protesto e da Luta Popular

Nota:

Cabe registrar que sem ter passado 24 horas da elaboração do mural, este sofreu uma intervenção e foi sabotado com tinta espirrada, por isso não é possível ler o que ali se denunciava. Sabemos e está claro que quando as pessoas falam e se manifestam, eles só querem silenciar, manter impune suas atrocidades e assassinatos. Este é um exemplo de como é criminalizado o protesto e a luta popular, como lhes dói quando a verdade é dita e como eles temem que as pessoas vejam o que eles realmente são. E deixar claro também que não vamos claudicar, contra a brutalidade policial nem um passo atrás, contra eles memória, arte e ação! Porque para lutar há que se recordar…

Galeria de imagens do mural antes e depois da sabotagem:

http://centrosocialyculturallibertario.wordpress.com/2012/05/15/el-silencio-de-nuestros-muertos-grita-libertad-2/#wpcom-carousel-559

agência de notícias anarquistas-ana

Pardas gotas de mel

voando em torno de uma rosa

Abelhas

Luís Aranha

Onda de repressão contra anarquistas na Turquia, pelo menos 60 pessoas foram detidas

May 17th, 2012

330041Ontem à noite, 14 de maio, forças policiais especiais fortemente armadas e mascaradas do Estado turco realizaram uma invasão em várias casas e centros sociais anarquistas em Istambul. 60 pessoas foram presas, mas este número pode aumentar. Computadores, discos rígidos, publicações e documentos também foram apreendidos.

A “razão” aparente para os ataques das autoridades turcas são às ações promovidas por “insurrecionalistas anarquistas” durante os protestos do último 1º de maio em Istambul, onde várias lojas de luxo, redes multinacionais e bancos foram alvejados. No entanto, as pessoas detidas não fazem parte dos círculos “anarquistas insurrecionais”. Um deles é anarco-comunista de um grupo chamado “Terra e Liberdade” (Toprak ve Ozgurluk), outro é da “Atividade Revolucionária Anarquista” (Devrimci Anarsist Faaliyet).

Até agora não foi permitido que nenhum anarquista encarcerado se pronunciasse. Nem mesmo deixaram que eles falassem com seus advogados. Ainda não se sabe os nomes de todos os detidos. Entre eles se encontra uma mulher grávida de 8 meses, que sequer participou do protesto do 1º de maio.

O Estado turco vem desenvolvendo nos últimos tempos a tática de ataques em massa contra todos os tipos de correntes de esquerda. Centenas de membros do partido curdo (BDP) e esquerdistas já foram presos por anos sem julgamento e até mesmo sem uma denúncia criminal clara. Esta é a primeira operação maciça contra os anarquistas.

agência de notícias anarquistas-ana

Desfolha-se a rosa.

Parece até que floresce

O chão cor-de-rosa.

Guilherme de Almeida

Novo Movimento na Palestina

May 17th, 2012

O dia 15 de novembro [2011] viu nascer um novo movimento de desobediência civil na Cisjordânia. Os manifestantes palestinos, chamados de Cavaleiros da Liberdade, entraram no ônibus segregacionista israelense em direção à Jerusalém e outros territórios ocupados. Estes ônibus são segregados não oficialmente, no sentido de que eles operam nas colônias - que são militarmente proibidos para os palestinos - são parcialmente subsidiados por Israel, e normalmente ignoram palestinos que querem embarcar. Sem “permissões oficiais” os palestinos não podem entrar em sua própria terra, podem ser presos e mesmo assassinados. O termo Cavaleiros da Liberdade é emprestado de um movimento histórico bastante conhecido - o movimento por direitos civis nos EUA que começou quando Rosa Parks se recusou a desistir de seu assento em um ônibus segregacionista, levando outras pessoas a seguir seu exemplo. Os Cavaleiros da Liberdade palestinos fizeram o mesmo, embarcando nos ônibus levando mensagens impressas com dizeres como “Pelo fim da Colonização”, “Boicote o Apartheid”, “Nós Iremos Vencer”, etc., e expondo bandeiras palestinas. Fizeram isso com dezenas de jornalistas presentes, transmitindo ao vivo e ao mesmo tempo gravando o protesto (o que pode prevenir uma repressão mais severa do Estado).

Diferente dos Cavaleiros da Liberdade mais antigos, o objetivo dos palestinos é muito mais radical. Eles dizem: “Ao tomar esta ação nós não procuramos a desagregação dos ônibus da colônia, visto que a presença destes colonizadores e a infraestrutura que os serve é ilegal e precisa ser desmantelada. Como parte da nossa luta por liberdade, justiça e dignidade, nós exigimos a capacidade de poder transitar livremente nas nossas próprias estradas, na nossa própria terra, incluindo o direito de viajar para Jerusalém”. (Comunicado de Imprensa, 16 de novembro) Mas como seus antecedentes históricos, estão protestando pacificamente, recusando a imposição de carregar permissões ou de sair do ônibus.

Apesar de terem sido permitidos no ônibus, eles foram parados - como esperado - antes de chegar em Jerusalém, e foram brutalmente retirados do ônibus por soldados israelenses, mesmo com os manifestantes tentando segurar em qualquer coisa que podiam. Os jornalistas judeus a bordo não receberam melhor tratamento. Seis dos manifestantes foram presos e mantidos na prisão durante a noite do 15 de novembro. Mas os palestinos não tem intenção de desistir. A imprensa diz mais: “Nós sabemos que ao agir dessa forma corremos o risco de sermos presos, o risco de sermos atacados de maneira virulenta pelos colonizadores israelenses, o risco de abuso por parte dos soldados israelenses, e mesmo a morte. Nós compreendemos este risco como um passo a caminho da liberdade, da justiça e da dignidade para as gerações futuras de palestinos e de todas as pessoas da região”.

Enquanto isso, manifestantes constroem seu próprio protesto em Nova Iorque, em solidariedade aos Cavaleiros da Liberdade, expressando mensagens como “Ocupe Wall Street, Não a Palestina”. Algo em torno de 42% da Margem Ocidental (Cisjordânia) é colonizada, enquanto o Estado de Israel continua conduzindo os colonizadores através dos ônibus segregacionistas e acelerando a construção apesar das vaias da “comunidade internacional”.

Tradução > Malobeo

agência de notícias anarquistas-ana

cortinas de seda

o vento entra

sem pedir licença

Paulo Leminski

[Uruguai] Liberdade para David Lamarte, anarquista preso em Montevidéu

May 17th, 2012

tn1Na manhã da última quarta-feira, 9 de maio, dois companheiros foram presos em Montevidéu, um deles em seu local de trabalho e outro em casa. Em seguida foram transferidos para o Departamento de Operações Especiais e na manhã de quinta-feira (10) para o Tribunal, onde foram interrogados pelas autoridades.

Um deles ficou livre, enquanto que o companheiro David Lamarte foi processado com prisão por atacar um táxi que estava em serviço em 1º de maio, durante um ato classista que acontecia nesta data.

David é um companheiro anarquista que está entre nós lutando há mais de quinze anos, desde a antiga Resistência Anarco Punk, na atualidade nas fileiras do Sindicato Único de Automóvel com Taxímetros e Telefonistas (SUATT) e em vários grupos anarquistas.

O SUATT, antigamente SUA, foi o reduto sindical de ação direta que manteve em pé a velha Federação Obreira Regional Uruguaia durante décadas ao longo do século XX. Hoje é um dos sindicatos mais combativos do país, que luta contra a arrogância de uma patronal mafiosa e o assédio policial constante.

A sentença final contra David provavelmente ficará entre três meses e três anos de prisão segundo o parecer de um juiz, que se pronunciará no espaço dos próximos dez dias e irá acusá-lo de violência privada e danos materiais.

Mas o que o Estado condena não é só a ação, não só se condena a agressão contra os proxenetas de seus patrões, o que se está condenando é não ficar parado ou calado, é não baixar a cabeça ou olhar para outro lado, é não resignar-se ante este mundo de exploração.

Ao mesmo tempo, a repressão também serve como uma lição para aqueles que não aceitam as condições de vida impostas a nós pelos poderosos e os exploradores. Funciona como uma lição para aqueles que pretendem romper com este modo de vida. Eles buscam criar medo.

É por isso que apelamos à solidariedade, que se saiba que nenhum companheiro está sozinho.

Liberdade imediata para David, preso por lutar!

agência de notícias anarquistas-ana

luzes acesas

vozes amigas

chove melhor

Alice Ruiz

[Itália] Passeata no 40º aniversário da morte do anarquista Franco Serantini reúne centenas de pessoas

May 17th, 2012

locandina_piazza_lowUma passeata reuniu centenas de pessoas na região central de Pisa, neste sábado, 12 de maio, para recordar Franco Serantini, anarquista que morreu 40 anos atrás numa prisão de Pisa depois de ser espancado pela polícia durante uma manifestação contra o fascismo. Serantini tinha apenas 20 anos e fazia parte do Grupo Anárquico Pinelli de Pisa.

A passeata, com os manifestantes carregando faixas e entoando palavras de ordem, percorreu as principais ruas do centro da cidade até chegar à Praça San Silvestro, apelidada há décadas de “Praça Serantini”, em uma das margens do rio Arno, exatamente onde Serantini foi preso.

“Hoje, mais do que nunca, temos que recuperar as praças e ruas das cidades para defender as ideias que Serantini estava lutando. Reiterar que espancamentos, torturas e assassinatos ainda são uma prática comum do Estado contra os opositores políticos, movimentos sociais e, especialmente, imigrantes, pobres, sem abrigo, toxicodependentes… nas ruas, nas prisões, nos campos de refugiados”, disse um manifestante.

A história de Franco Serantini marcou profundamente toda a cidade de Pisa e a história de todo o país. Ao longo dos anos muitos eventos e iniciativas são levadas a cabo em diversas cidades da Itália para manter viva a memória de Franco e suas ideias.

Vídeo:

http://iltirreno.gelocal.it/foto-e-video/pisa-manifestazione-per-la-memoria-di-serantini-1.4498692

Para não esquecer uma história trágica e continuar a luta

Já no sábado retrasado, 5 de maio, ocorreu um outro evento em Pisa, na “Praça Serantini”, para recordar o jovem anarquista morto pela polícia há quarenta anos e dar voz a muitas histórias de repressão cotidiana. Um dia cheio de atividades, com jantar, exposições, corais com canções sociais, uma mesa-redonda intitulada “Homicídio de Estado, abuso de poder e repressão na Itália: casos Serantini, Giuliani e Mastrogiovanni - a repressão e a violência do Estado hoje em resposta às manifestações da dissidência política”, que contou com a participação da mãe de Carlo Giuliani, Heidi Giuliani, e um concerto à noite na Praça dos Mártires da Liberdade dedicado a Franco Serantini.

Galeria de imagens:

http://pisanotizie.it/gallery/news_20120506_quarantanni_morte_serantini_dibattito_morti_carcere.html

Vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=vDr3N-FIkmM

agência de notícias anarquistas-ana

“O pintor ao meu lado

reclama:

Quando serei falsificado?”

Érico Veríssimo

[Canadá] Quebec: Grupos anarquistas vigiados de perto

May 17th, 2012

306677Especialistas do Serviço de Inteligência Canadense (SCRS, sua sigla em francês) vão acompanhar muito atentamente o que eles mesmos chamam de “Primavera Quebequiana”, segundo notícias da TVA Nouvelles.

Agora que mais de 180 manifestações foram já realizadas em Montreal, nas últimas semanas e que 30% delas terminaram no meio de atos ilegais e com feridos, de acordo com a SPVM, o SCRS teria debaixo dos olhos alguns grupos anarquistas e militantes mais extremistas que participam nestes eventos.

Segundo fontes bem informadas, os agentes do SCRS estiveram presentes durante o tumulto na sexta-feira passada (5 de maio) na cidade de Victoria a fim de recolher informações e identificar indivíduos que possam representar uma ameaça à segurança nacional.

“Na realidade, tivemos que lidar com um grupo muito bem organizado, que foi muito bem preparado e tinha um plano bastante preciso”, disse o ex-diretor dos serviços de urgência da Segurança de Quebec, Maurice Bezombes.

Marc-André Cyr, historiador dos movimentos sociais, por sua vez indicou que “Em 99% dos casos, são os policiais que têm o equilíbrio de forças [...] não se pode esquecer que são eles que são armados, treinados e protegidos”. Cyr, no entanto, salienta que os manifestantes tiveram a supremacia sobre a polícia duas vezes e num curto período de tempo, seja junto ao Salão Plano Norte seja na cidade de Victoria.

Os grupos-alvo

Entre os grupos visados pelo SCRS, alguns mais conhecidos, como o Black Bloc, mas também membros da Convergência das Lutas Anti-Capitalistas (CLAC), o Partido Comunista Revolucionário (PCR), a União Comunista Libertária (UCL) e a Rede de Resistência de Quebec (RRQ).

Assim, há uma distinção importante entre os estudantes em greve e os grupos políticos e anarquistas que são alvo dos seus agentes.

O ex-diretor Michel Juneau-Katsuya, do SCRS, disse à TVA Nouvelles que os grupos terroristas canadenses explodiram 30 bombas, incluindo 20 desde 2001 por convicções políticas. Em paralelo, durante o mesmo período, nenhum atentado foi registrado no território canadense por parte de grupos terroristas provenientes de outros países.

Fonte: agências internacionais de notícias

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana

Cai, riscando um leve

traço dourado no azul,

uma flor de ipê!

Hidekazu Masuda

[França] Julgamento antiterrorista contra 6 compas em Paris, de 14 a 22 de maio

May 17th, 2012

antiterroUm resumo dos fatos

Ivan, Bruno e Damien foram detidos em janeiro de 2008, quando se dirigiam a uma manifestação junto ao centro de detenção (CIE) de Vincennes. Em sua posse encontraram bombas de fumaça artesanais e pregos retorcidos que, perante a justiça e mais tarde os meios de comunicação, se tornaram numa “bomba de pregos”.

Ivan e Bruno entram em prisão preventiva, enquanto Damien continua em liberdade embora sob controle judicial.

Dias depois, Inès e Franck são detidos num controle aduaneiro em Vierzon na posse de manuais técnicos de sabotagem, o plano de uma prisão de menores e clorato. Os serviços antiterroristas assumem a investigação. Segundo a polícia o DNA de Inès corresponde com uma das cinco pistas encontradas num saco contendo garrafas de gasolina debaixo de um carro da polícia durante a eleição presidencial em 2007.

Rapidamente, juntam-se as duas investigações num só dossiê, instruído por juízes antiterroristas. A polícia rastreou tudo que envolvia as pessoas detidas e das fichadas como “anarco-autônomas” para encontrar o DNA que faltava.

Javier, irmão de Inès, e mais tarde Damien, são encarcerados, em prisão preventiva, porque os seus DNA corresponderiam às pistas encontradas debaixo de um carro da polícia, durante a eleição presidencial, em 2007.

Em junho de 2010, Javier é acusado de uma série de sabotagens por incêndio em caixas elétricas de sinalização de trens (SNCF) que paralisaram o tráfego ferroviário em 2006, durante o movimento contra o CPE (movimento estudantil contra a reforma laboral para o emprego de jovens). O seu DNA tinha sido encontrado no local de uma tentativa de sabotagem.

Inès, Javier, Damien, Ivan, Franck e Bruno cumpriram entre 5 e 13 meses de prisão preventiva na sequência desta investigação. E continuam sob controle judicial até ao julgamento em Tribunal Penal.

Entre 14 e 22 de maio levar-se-á a cabo o primeiro julgamento sob jurisdição antiterrorista aos militantes designados pela investigação como pertencentes ao movimento “anarco-autônomo”. Os seis inculpados, como milhares de pessoas, tomaram parte de diferentes lutas sociais naquele tempo: movimento CPE, revoltas à volta das eleições presidenciais de 2007, lutas contra o internamento dos sem-documentos e pela liberdade de circulação… desde manifestações selvagens até sabotagens, a conflitualidade que se expressava dentro das lutas transbordava frequentemente o quadro legal ou as habituais mediações políticas e sindicais. E quando há alarido (confusão), o Estado procura punir um pequeno número de pessoas para assustar a todos: a polícia e a justiça tentam sempre separar os “manifestantes bons” dos “agitadores ruins”, isolar os atos do contexto em que se inserem, e finalmente dividir para reinar (mandar, governar, obrigar…) melhor. E é disso que se trata ali, é também um conjunto de más intenções e a tentativa de implantá-las de forma independente.

Separar. Basta assistir a um julgamento rápido para ver que os pobres e os marginalizados são sempre presumíveis culpados e quase sempre condenados: a culpabilidade e a inocência são os dois grandes conceitos utilizados dia após dia, desde o gabinete do Ministério Público até à sala de audiências, para manter a ordem social. Tais noções não podem ser as nossas. Tentar “sairmos com a nossa” perante a justiça não significa renegar as nossas ideias e as nossas práticas.

Isolar. A justiça obriga-nos a entrar numa temporalidade que lhe é própria: a da instrução, da prisão, do controle judicial e a do julgamento. Esse período (tempo) judicial permite não somente isolar os acusados (arguidos, réus) enquanto estão na prisão, como também mantê-los debaixo de pressão através do controle judicial, proibição de se verem uns aos outros, entre outras coisas. Por fim, a instrução do processo é responsável por estabelecer os perfis que contribuem para diferenciar as condenações, e até para fazer delas condenações exemplares.

Dividir. Desde os “meninos do bairro” aos manifestantes, reagrupar-se ou organizar-se coletivamente representa uma ameaça potencial para o poder. As acusações de “associação criminosa”, “bando”, “em reunião”, usam-se cada vez mais como “circunstâncias agravantes”: isto permite endurecer penas e insta (exorta) as pessoas a permanecer atomizadas. É dentro desta mesma lógica que opera a jurisdição antiterrorista utilizada pelo Estado, segundo os interesses políticos do momento, para retirar do “corpo social” aquilo que incomoda e neutralizar as práticas e ideias que estão fora do marco institucional.

Portanto, os mecanismos da justiça não são as únicas ferramentas do poder que devem ser criticadas e combatidas. Diversos dispositivos e instituições contribuem diariamente mantendo a ordem social e a exploração: do crédito bancário aos antidepressivos, do assalariado aos controles sociais do CAF (instituição estatal encarregada de conceder ou cancelar ajudas familiares), das escolas ao exército… Não é só na Grécia que existem milhares de pessoas que rejeitam o horizonte imposto pelo capitalismo e pelo Estado. O que estará em jogo no tribunal não é uma relação interpessoal entre os acusados e os juízes, mas um momento da luta entre a classe dos que ostentam o poder e os explorados, um momento na luta entre a autoridade e os que resistem. Expressar solidariedade inscreve-se nesta luta.

Solidariedade com o/as acusado/as!

Para mais infos (em francês):

http://infokiosques.net/mauvaises_intentions

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana

Cidade cinzenta.

No poluído jardim

Viçam azaleias.

Fanny Dupré

[Chile] Santiago: 1ª Feira do Livro e Propaganda Anarquista acontece neste fim de semana

May 9th, 2012

flchile[Neste final de semana, 12 e 13 de maio, acontece a 1ª Feira do Livro e Propaganda Anarquista, em Santiago. Haverá lançamentos de livros, fóruns, workshops, trova, comida, mesas de propaganda, mostras de fotos, arquivo histórico, espaço infantil e muito mais.]

Desde a sua criação, o aglomerado heterogêneo de grupos que compõem o anarquismo, gerou e difundiu milhões de folhas por todo o mundo, tanto para divulgar suas ideias como para facilitar o desenvolvimento cultural de homens e mulheres de seu tempo. Estas foram as razões fundamentais de sua existência passada e de sua urgente necessidade presente.

A América Latina não escapou deste processo. Muitos milhares de livros, folhetos, revistas e jornais foram editados desde o subcontinente, com especial força entre as últimas décadas dos séculos XIX e as quatro primeiras do século XX. E embora depois de várias tentativas notáveis, especialmente em Buenos Aires, apenas desde os anos noventa do século passado temos sido capazes de contemplar e desfrutar de um ressurgimento de iniciativas de propaganda.

A região chilena não ficou indiferente a tudo isso. Se fizermos um breve comentário ao passado da literatura impressa libertária - além de mencionar os cinquenta jornais que existiam nestas terras - podemos destacar valiosas editoras, como o “Lux”, em Santiago, “Adelante” em Rancagua, ou “Mas Allá” em Valparaíso, entre muitos outros. Lux, vinculada a IWW, entre 1920 e 1927 publicou vários títulos com milhares de cópias, reconhecendo a criação de alguns companheiros locais, como o poeta mártir José Domingo Gómez Rojas, o professor normalista Manuel Márquez, o IWW Armando Triviño, ou a companheira anarco-feminista Evangelina Arratia, editou também a outros agitadores da América Latina, como Juana Rouco Buela, e também aos clássicos de Emma Goldman, Kropotkin, Fauré, Mella ou Malatesta. Em 1922, por exemplo, após uma campanha de arrecadação voluntária; das oficinas da Lux saíram 4000 exemplares de “La Conquista del Pan”

Mas, como apontado acima, a propaganda dos anarquistas é também uma questão de urgente atualidade. Nossas diversas ideias, com as nossas diferentes tendências, estão ganhando alguma notoriedade nos últimos anos. Aparentemente, estamos no meio de um novo amanhecer. E contamos com várias editoras, com jornais, fanzines e mesmo uma vídeo-revista. Criações que são distribuídas em bibliotecas, alguns quiosques e especialmente através de atividades, manifestações e nas feiras de propaganda por toda parte.

O que nunca tivemos isso sim, é um grande encontro dedicado especialmente ao livro e à propaganda anarquista. Esta iniciativa pretende ser um ponto de convergência para os vários geradores deste material, para que se conheçam e reforcem uns aos outros se assim o gostam, mas acima de tudo, para oferecer aos companheiros e aos interessados em geral, uma visão geral do que nós estamos fazendo. Para propagar, para estimular a produção, para nos conhecermos, retroalimentar-nos, para compartilhar, para escapar dos circuitos de cultura institucional, para nos auto-educar. Por tudo isto e muito mais, nos encontraremos, na 1ª Feira do Livro e Propaganda Anarquista em Santiago.

Por agora, podemos anunciar que para além dos estandes que cada iniciativa terá, haverá espaço para a arte, música, história e reflexão teórica. Teremos também a presença de companheiros de outras regiões. Convidamos você, então, primeiro a dar um passeio lá, mas com maior intensidade, a participar ativamente na feira, divulgando-a, indo para as atividades de financiamento, ou gerando iniciativas, fóruns, exposições, expressões - para a mesma.

Nos vemos logo, na festa da cultura e da propaganda anarquista.

O grupo coordenador

Mais infos:

https://ferianarquistastgo.espivblogs.net/

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a criança nua

de tudo cata no lodo

farrapos de lua

Pedro Xisto

[Portugal] Vem aí a 5ª Feira do Livro Anarquista de Lisboa

May 9th, 2012

tnComunicado:

A 5ª Feira do Livro Anarquista terá lugar de 25 a 27 de maio, em Lisboa, criando um espaço de debate, encontro e convívio, aberto a todos.

O objetivo é aprofundar e divulgar as ideias anarquistas, enquanto ataque real a esta sociedade exploradora, autoritária e antropocêntrica, incentivando as publicações independentes, criando espaços de discussão e de troca de ideias que possibilitem projetos alternativos e modos autônomos de vida.

Partindo de um inconformismo face a todas as formas de dominação, continuamos a promover o pensamento libertário e a rejeitar qualquer mediação política.

Acreditamos numa vivência que respeita a singularidade e as diferenças entre cada indivíduo e grupo, numa relação pacífica com a biosfera. Acreditamos que é possível pensar a realidade de uma outra forma e atuar sobre ela.

Para poderes reservar lugar para a tua banca envie um e-mail para:

feiradolivroanarquista@gmail.com

Mais infos e atualizações:

http://feiradolivroanarquista.blogspot.pt/

Feira do Livro Anarquista 2012

agência de notícias anarquistas-ana

sopro-de-vento:

pardais se agarram

nos fios de luz…

Luiz Gustavo Pires


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