[EUA] Mumia Abu-Jamal ao vivo da prisão em seu aniversário de 58 anos

[Durante o protesto pela libertação de Mumia Abu-Jamal do lado de fora do Departamento de Justiça em Washington, DC, no último dia 24 de abril, foram lidas pelo menos duas mensagens dele e também de vários outros presos políticos. A seguir reproduzimos umas das falas de Mumia na passagem do seu aniversário de 58 anos.]
Queridos irmãos e irmãs,
Com o passar dos anos, havia me esquecido de meu aniversário, e só o recordava quando minha mãe, minha esposa, minhas filhas e filhos me enviavam um cartão. É que no corredor da morte cada dia é como qualquer outro. E passar um dia com vida é a única forma de saber que não está morto. Custou anos de trabalho duro fazer do meu aniversário o que é hoje em dia – parte de um movimento, graças a todos vocês e ao Comitê Internacional de Familiares e Amigos de Mumia Abu-Jamal (ICFFMAJ, sua sigla em inglês).
Agradeço a todas e a todos por sair às ruas hoje. Não importa se há 10 pessoas aí, ou 100, 200, ou muitas mais.
Nos reunimos aqui hoje porque queremos justiça, e para usar as palavras do velho Partido Pantera Negra: Queremos liberdade. Queremos a abolição da pena de morte e a abolição do castigo de isolamento prolongado. Queremos o desencarceramento e a destruição do complexo carcerário massivo.
Estados Unidos é a prisão do mundo. E se pensarem bem, os EUA aprisionam uma quantidade desconhecida e incontável de pessoas em prisões em toda parte do mundo – locais obscuros onde os seres humanos vivem em silêncio, a tortura, a morte. É o mesmo país que sabe que seus tribunais são injustos, mas não faz nada para mudar a situação.
Aqui neste país, um juiz disse: “Vou lhes ajudar a fritar esse preto”. Falou na presença de uma estenografa do tribunal, que relatou isso sob juramento. Uma empregada do tribunal. E nenhum tribunal nos Estados Unidos jamais condenou isto. É o mesmo juiz que disse em julgamento aberto: “A justiça é apenas um sentimento emocional”. Repito: A justiça é apenas um sentimento emocional. Proferiu o juiz Sabo em minhas audiências de 1995. E com respeito à seleção dos integrantes do júri, o tribunal usou todos os velhos truques para evitar o cumprimento de seus próprios pareceres. Nunca questionaram a retirada de negros qualificados do grupo de candidatos a júri.
Os casos jurídicos dizem uma coisa, enquanto os tribunais dizem outra. Ou, como em meu caso, o tribunal inventou novas regras para justificar sua negativa a ordenar um novo julgamento.
Nisto não estou sozinho. Fizeram o mesmo em um caso chamado Commonwealth versus Robert Cook. E a Suprema Corte estatal da Pensilvânia fez o mesmo em um caso chamado Commonwealth versus Willie Sneed. Sob o caso Batson de 1986, estes homens deveriam ter tido um novo julgamento há muitos anos. Mas permanecem no corredor da morte.
Não se esqueçam dos homens e mulheres no corredor da morte. Sigam lutando para abolir a pena capital.
Atualmente, há uma nova proposta para abolir a pena de morte na Califórnia. Ali há [723] pessoas no corredor da morte, mais do que em qualquer outro estado do país. Se os eleitores aprovarem o referendo, este será um símbolo poderoso de abolição.
Então não só os agradeço, mas lhes incentivo que sigam com a transformação desta nação carcerária. Lhes incentivo a transformar o complexo industrial carcerário. Me sinto orgulhoso de fazer parte deste movimento e estou orgulhoso de cada um de vocês.
Nos movamos! Viva John África!
Libertem os 9 do MOVE!
E libertem a nação encarcerada!
Da nação encarcerada, sou seu irmão – ah!, em seu aniversário, Mumia Abu-Jamal
Esta mensagem pode ser ouvida no seguinte vídeo e em vários outros que estão saindo:

Tradução > Marina Knup
agência de notícias anarquistas-ana
Maré outonal.
As ondas quebram na areia
Bem devagarinho.
Benedita Silva de Azevedo
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Disco em apoio à campanha “Mumia Livre Já!” disponível na internet, gratis

Os músicos do Selector Matanzas lançaram à poucas semanas o EP digital intitulado “Freedom”, em apoio à campanha “Mumia Livre Já!”. As canções incluem falas de Mumia Abu-Jamal, Angela Davis, Alice Walker, Nelson Mandela e muitos outros. Uma mistura de hip hop/soul/jazz. O disco já está disponivel para download gratuito na internet.
Clique aqui para baixar o álbum:
http://matanzas.bandcamp.com/album/freedom-ep
agência de notícias anarquistas-ana
Ao dobrar a esquina
não preciso do endereço.
Flores de jasmim.
Maria Reginato Labruciano
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[Brasil] Vídeo sobre a ação em apoio a Mumia Abu-Jamal em São Paulo
Veja vídeo sobre a ação-grafitagem realizada no centro de São Paulo no último dia 29 de abril em apoio e solidariedade ao preso político afro-americano Mumia Abu-Jamal.
Para ver este vídeo clique aqui:

Notícia relacionada:
http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2012/05/03/brasil-grafitagem-em-muros-do-centro-de-sao-paulo-por-mumia-abu-jamal/
agência de notícias anarquistas-ana
Bolhas de sabão —
Giram rostos de crianças
sorrindo na tarde.
Yara Shimada
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[São Paulo] Grafitagem por Mumia!

Como em todos os anos, o dia 24 de abril, aniversário de Mumia Abu Jamal, foi data de diversas manifestações mundo afora em apoio e solidariedade a este companheiro afro-americano que está preso desde 1981 sob a falsa acusação de ter assassinado um policial branco. Este é o primeiro aniversário que Mumia passa na população geral, após sua recente saída do corredor da morte, e as mobilizações por sua libertação tem crescido, tratando-se sua liberdade como objetivo a ser alcançado em curto prazo.
Unindo-se às mobilizações globais de apoio a Mumia, em São Paulo aconteceu uma pequena grafitagem no domingo, 29 de abril, na região central da cidade. A atividade foi chamada por companheir@s anarcopunks e libertári@s, que espalharam pelos muros stencils com a imagem de Mumia e frases de apoio/por sua libertação imediata.
Mais infos sobre o caso de Mumia e as manifestações mundo afora por sua liberdade estão em anarcopunk.org/mumialivre!
MUMIA LIVRE JÁ!

Rede Informal de Apoio e Solidariedade ao Preso Político Afro-Americano Mumia Abu-Jamal

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[México] Ritmos de liberdade para Mumia Abu-Jamal em seu aniversário

Com uma performance antiprisão, dança africana, tambores, rap e reggae, com a participação do MC Xozulu e Luna Negra, do lado de fora da embaixada dos EUA, na terça-feira (24 de abril), dezenas de pessoas comemoram o aniversário de 58 anos de Mumia Abu-Jamal. Enviamos uma mensagem desde o México pela sua liberdade e contra o sistema prisional gringo e sua importação para o México. O cancelamento da pena de morte em dezembro passado no caso de Mumia é um importante avanço, mas de modo algum suficiente. Apenas a sua liberdade é aceitável. E o mesmo acontece nos casos de todos os presos e presas políticos no México, nos EUA e no mundo, com quem temos um dever especial.
O evento no México foi dedicado à comunidade de Cheran, Michoacan, recentemente reprimida em sua luta pela autonomia, e em solidariedade com uma ação pela liberdade de Mumia em Washington D.C., onde o ato tomou um rumo não anunciado previamente. Depois de realizar um comício com palavra e música do lado de fora do Departamento de Justiça por cerca de 4 horas, aproximadamente mil pessoas marcharam até a Casa Branca exigindo que Obama venha a responder às suas demandas. Quando um grupo de ativistas sentou no espaço proibido na frente da mansão presidencial, 26 pessoas foram presas. Nesses últimos dias também foram realizados atos em Oakland, Wilmington, Richmond, Berlim (Alemanha) e Bruxelas (Bélgica), entre outros lugares.
Vemos com preocupação o atual boom na construção de prisões no México porque estamos conscientes do sofrimento, degradação, tortura e desespero que o sistema penal gringo significa para milhões de pessoas. Este sistema de controle jamais visto no mundo é uma ameaça para o povo inteiro. Quando atuamos pela liberdade de Mumia, atuamos pela nossa.
Estes links são da cobertura da ação em Washington D.C.:
Vídeo:
http://www.liveleak.com/view?i=086_1335398169
Fotos:
http://warisacrime.org/content/bill-hughes-slideshow-68-photos-re-rally-mumia-abu-jamal
Neste link encontra uma nota com fotos e áudios do ato no México:
http://www.multimedioscronopios.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1703:58-aniversario-del-nacimiento-de-mumia-abu-jamal-ieste-dia-no-es-de-fiesta-es-de-lucha-y-de-protesta&catid=12:politicos&Itemid=46
Confira o blog para ver mais fotos e baixar a declaração ou o folheto que distribuímos no local:
http://amigosdemumiamx.wordpress.com/2012/04/26/se-exige-libertad-a-mumia-afuera-de-la-embajada-eu-en-mexico/
agência de notícias anarquistas-ana
Tarde de outono —
Assustada a coruja
Acorda com o trovão
Eduardo Balduino
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[EUA] Washington D.C.: Manifestação de apoio a Mumia Abu-Jamal reúne cerca de mil pessoas

Cerca de mil pessoas se manifestaram nesta terça-feira (24) na frente do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e nas imediações da Casa Branca, em Washington D.C., para exigir a libertação do jornalista e ativista Mumia Abu-Jamal no dia do seu aniversário de 58 anos. A polícia prendeu pelo menos 28 ativistas que ocuparam uma “zona proibida” da Casa Branca.

Num palco improvisado, membros de várias organizações criticaram o encarceramento em massa, a pena de morte, o confinamento solitário e a tortura, a criminalização e as detenções de imigrantes, a corrupção policial e judicial. Seguiu-se um momento cultural-político com poesias, cantos e apresentações de grupos de hip-hop e reggae.

A memória de Martin Trayvon igualmente foi invocada no evento. Martin, jovem negro de 17 anos, foi morto por um vigia voluntário em 26 de fevereiro passado, em Sanford (centro da Flórida), quando voltava para casa após comprar doces.

Vídeos:

http://www.youtube.com/watch?v=BXaItApleKM

http://www.liveleak.com/view?i=086_1335398169

http://vimeo.com/41027648

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O silêncio, sim,

interrompendo o canto

dos pássaros.

María Pilar Alberdi

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[Brasil] Em Fortaleza, manifestantes exigem libertação de Mumia Abu-Jamal!

Ocorreu em Fortaleza, pela manhã e tarde de ontem (24 de abril), um ato público pela libertação do jornalista radical afro-americano Mumia Abu-Jamal. Pela manhã a intervenção aconteceu próximo ao Centro da cidade, em frente ao Instituto Brasil Estados Unidos (IBEU), local reconhecido pelo governo americano como promotor da cultura dos EUA no Ceará.
No decorrer da manifestação foi realizada uma oficina de confecção de cartazes, que foram fixados nos muros do IBEU e em frente ao local, onde os manifestantes ficaram por algumas horas em vigília. Algumas das frases contidas nos cartazes dos manifestantes e entoadas como palavras de ordem: “Libertar Abu-Jamal e destruir o capital!”, “Milhões por Mumia!”, “Abolição da pena de morte!”, “Free Mumia”, “Pela libertação de todos os presos políticos!”. No mesmo local, os manifestantes distribuíram panfletos para os passantes, com um texto denunciando as injustiças no processo de Mumia e contando sua história de mais de trinta anos de luta e resistência. Foram apresentadas músicas em homenagem a Jamal, em voz e violão.
Pela tarde, os manifestantes se dirigiram em caminhada até a Agência Consular Americana em Fortaleza, há alguns quilômetros do IBEU, a fim de entregar uma carta denúncia à Agente Consular norte-americana responsável, mas ela não se encontrava no local.
A carta (que pode ser vista logo abaixo) conta com assinatura de movimentos, organizações e grupos, e pede a libertação imediata de Mumia, abolição da pena de morte e fim do encarceramento em massa.
Esta manifestação ocorreu no dia do aniversário de 58 anos de Mumia Abu-Jamal, e faz parte da campanha mundial de solidariedade e pela sua libertação.
Henrique Buenaventura Raskólnikov
[Carta]
Senhores(as) gestores(as) administrativos do governo dos Estados Unidos.
LIBERTEM MUMIA ABU JAMAL, PRESOS POLÍTICOS NUNCA MAIS!
Somos levados a assistir como telespectadores, vossos programas globais, de ações, de planos de guerras intervencionistas de alta e de baixa intensidade, implementadas contra todos(as) que lutam pela justiça social usurpada por vosso estado, dentro e fora de sua jurisdição. Senhores, dobrados pela força da prepotência nos vemos em frente às imagens nítidas e em alta resolução assistindo, quando não os mesmos filmes de ficção, bang-bang, terror e comédia, outros na versão não-ficção de mesmo conteúdo, final e finalidade:  exaltar um estado que se pretende ditador interplanetário, que, tendo  a paz como escudo, a democracia como álibi; que, se auto-arbitrando, atribui-se de todos os direitos, entre eles o de polícia do mundo; e, no uso e abuso de poder de fogo, marcha, à revelia de tudo e de todos, em guerras de conquista. Senhores, antes de lhe soar como elogios, usando do nosso poder de fôlego – que muito interessa ao capital – fôlegos vivos que se desdobram em mão-de-obra ao seu serviço, que se traduz em trabalho, remontando aos tempos da escravidão, quando se proporcionou tanta riqueza concentrada. Queremos com isso dizer que tudo isso tem a ver com Mumia Abu-Jamal, sendo este o real conteúdo que motivou perseguições, seu encarceramento e condenação à morte desde 1981 até hoje. Abu-Jamal apontava as contradições deste sistema e os contrastes sociais por ele provocados, principalmente na realidade dos afro-descendentes.
Mumia Abu-Jamal é atualmente um dos prisioneiros políticos mais conhecidos no mundo. É um exemplo vivo de como a pena de morte é cruel e falha, de como o racismo ainda é algo muito forte nos EUA, e de como é real a perseguição do Estado e de grupos conservadores a qualquer um que se insurja contra a ordem do capital e suas formas de opressão e dominação.
Nos últimos anos, após muita pressão e várias manifestações de solidariedade internacional a Mumia, a sentença que o condenava à morte foi anulada e convertida em prisão perpétua. No último mês de janeiro ele foi transferido da situação de isolamento total em que se encontrava para a “população geral”, após trinta anos aguardando a execução no corredor da morte e no isolamento.
Neste momento estão ocorrendo várias ações em solidariedade a Mumia nos EUA, Canadá, França, Alemanha, Brasil e em outros lugares do mundo. Daqui do Ceará, Brasil, estamos nos organizando em uma articulação de solidariedade a Mumia Abu-Jamal, juntamente com alguns movimentos, organizações, grupos e indivíduos autônomos que são sensíveis ao caso, com todos e todas que são contra a pena de morte, as perseguições políticas de toda ordem, o racismo e todas as formas de discriminação e opressão. Estamos com todos que são contra a ordem social que persegue, prende e mata quem ousa falar e lutar contra o capitalismo e seus meios de exploração e opressão. Estamos juntos pela libertação imediata de Mumia Abu-Jamal! E com vistas à libertação de todos os presos políticos!
Denunciamos ao mundo e exigimos do governo dos EUA, juntamente com outras pessoas em outras partes do planeta, a libertação de Mumia Abu-Jamal!
Libertem Mumia Abu-Jamal!
Pela libertação de todos os presos políticos!
Pelo fim do encarceramento em massa!
Abolição da Pena de Morte!
Articulação em Solidariedade e Pela Libertação de Mumia Abu-Jamal – Ceará/Brasil; Projeto Ciclovida – Ceará/Brasil; Organização Resistência Libertária [ORL]; Toren Anarcopunk; Assentamento Mandu Ladino – Barra do Leme/Pentecoste/Ceará/Brasil; Assentamento Vazante Grande – Pentecoste/Ceará/Brasil; Grupo Caricultura de Teatro de Rua; Grupo Capoeira Angola do Mestre Armando – Ceará; Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
agência de notícias anarquistas-ana
Uma pomba passa
Deseja tocar o solo
Alumbra-me a graça
Mauna
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[Holanda] Em Amsterdã, manifestantes exigem: libertem Mumia Abu-Jamal!

Centenas de manifestantes realizaram ontem (24) à tarde um ato público pela libertação de Mumia Abu-Jamal em frente ao Consulado dos Estados Unidos, em Amsterdam.

Durante a manifestação uma petição foi entregue ao vice-cônsul estadunidense pedindo a liberação imediata de Mumia e a abolição da pena de morte. Em seguida, houve apresentações de poetas, músicos de rapper e DJ´s e quem mais quisesse falar num palanque montado nas proximidades do Consulado. O local das intervenções estava decorado com muitas faixas e cartazes.

Ontem foi o 58º aniversário de Mumia Abu-Jamal, e a manifestação realizada em Amsterdan fez parte de uma campanha de solidariedade em todo o mundo para libertá-lo.

agência de notícias anarquistas-ana

Margeando riacho

Tenras folhinhas brotam

No campo queimado.

Mary Leiko Fukai Terada

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[Alemanha] Manifestação pela liberdade de Mumia Abu-Jamal reúne centenas de pessoas em Berlim

Centenas de pessoas fizeram um ato público alegre e barulhento neste sábado (21) pela liberdade do jornalista radical e preso político afro-americano Mumia Abu-Jamal nas proximidades da Embaixada dos Estados Unidos no Portão de Brandemburgo, em Berlim.

Com faixas, panfletos e um carro de som os manifestantes também pediram a abolição da pena de morte, o fim do encarceramento em massa e a libertação dos presos políticos nos Estados Unidos e em todo lugar.

O evento contou com a participação do afro-americano Harold Wilson, que viajou até Berlim para falar sobre suas experiências no corredor da morte, o significado político da pena de morte nos Estados Unidos, das lutas dos presos para sobreviver às condições carcerárias, do racismo no judiciário estadunidense e como ganhou a sua liberdade em 2005. Harold passou muitos anos no corredor da morte com Mumia, na Pensilvânia.

Reportagem fotográfica:

http://www.flickr.com/photos/neukoellnbild/sets/72157629504005496/

Envie uma carta ou postal para Mumia Abu-Jamal:

Mumia Abu-Jamal

#AM 8335

SCI Mahanoy

301 Morea Road

Frackville, PA 17932

USA

Notícia relacionada:

http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2012/04/16/big-brother-legalizado-nos-eua-entrevista-exclusiva-de-mumia-abu-jamal-a-rt/

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Nem uma brisa:

o gosto de sol quente

nas framboesas

Betty Drevniok

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Big Brother “legalizado” nos EUA: Entrevista exclusiva de Mumia Abu-Jamal a RT

A RT [da Rússia] se tornou a primeira emissora de TV no mundo a falar com o jornalista e Pantera Negra Mumia Abu-Jamal desde que foi retirado do corredor da morte em janeiro [de 2012]. Abu-Jamal tem perdido sua vida atrás das grades por [ter sido injustamente acusado de] matar um oficial de polícia em 1981.

Considerado por muitos como flagrante falência da justiça, o caso de Mumia Abu-Jamal ganhou muita atenção mundo afora. A defesa clama que Abu-Jamal é inocente das acusações, bem como o depoimento das testemunhas de acusação não é confiável. Por décadas, apoiadores tem se mobilizado.

Após gastar quase 30 anos no corredor da morte, Abu-Jamal conta a Anastasia Churkina, da RT, que “Na verdade passei a maior parte dos anos da minha vida no corredor da morte. Então, de diversas formas, ainda nos dias de hoje, na minha mente, se não de fato, continuo no corredor da morte”.

RT > Se você não estivesse atrás das grades e pudesse estar em qualquer lugar do mundo, onde estaria e o que estaria fazendo?

Mumia Abu-Jamal < Desde muito jovem sou o que se poderia chamar de um internacionalista. Isto é prestar atenção ao que acontece em outras partes do mundo. Como um internacionalista, estou pensando sobre a vida vivida por outras pessoas mundo afora. É claro que como afro-americano eu adoraria passar algum tempo em partes da África. Mas também é verdade que tenho muitos amigos e entes queridos na França. Eu realmente gostaria de levar minha família, minha esposa e crianças para ver nossa rua em Paris.

RT > Estando atrás das grades você parece estar assistindo as questões mundiais com mais proximidade do que grande parte das pessoas que estão livres para andar pelas ruas. Qual evento nos últimos 30 anos você gostaria de ter feito parte se pudesse?

MAJ > Acho que o primeiro seria provavelmente estar no movimento anti-apartheid na África do Sul. Porque logicamente, para além de ser sul-africano, também foi global, porque era a supremacia branca versus a liberdade e dignidade do povo africano. Então a África do Sul seria uma lógica primeira escolha.

Mas onde quer que o povo esteja lutando por liberdade, ganha meus olhos, tem minha atenção e move minha paixão.

RT > Você faz 56 anos no fim do mês, o que significa que gastou mais da metade de sua vida atrás das grades. A maioria das pessoas sequer consegue imaginar isso. Como é isso? De que forma te modificou?

MAJ < Fato é que perdi grande parte da minha vida, a maior porcentagem dela, no corredor da morte. E não há como não ter um efeito profundo na consciência e na forma como se vê e interage com o mundo. Eu gosto de dizer a mim mesmo que passei muito tempo para além das grades, em outros países e outras partes do mundo. Porque o fiz mentalmente. Mas o mental pode apenas te levar para longe. A verdade é que passei a maior parte dos anos da minha vida no corredor da morte. Então, de diversas formas, ainda nos dias de hoje, na minha mente, se não de fato, continuo no corredor da morte.

RT > Sua história se tornou um símbolo para muitos de um sistema judicial falido. Você, pessoalmente, tem alguma fé em um sistema judicial justo e livre, considerando que sua vida tem sido tão afetada por isso?

MAJ < Quando eu era um adolescente nos Panteras Negras lembro que estava indo ao centro de Manhattan e protestando contra o aprisionamento político, encarceramento e ameaças enfrentadas por Angela Davis… Quando Davis atacava o sistema prisional, ela falava de talvez 250.000 ou 300.000 pessoas aprisionadas em todos os Estados Unidos como um problema a ser tratado, uma crise, uma situação que beirava o fascismo. Passados 30-40 anos até o presente, hoje existem mais de 300.000 prisioneiros apenas na Califórnia, um estado em cinquenta. O aprisionamento na Califórnia sozinha ultrapassa a França, Bélgica e Inglaterra – eu poderia citar o nome de 4 ou 5 países combinados.

Nós não podíamos perceber naquela época o que se tornaria. É monstruoso quando você realmente vê o que está acontecendo hoje. Você pode literalmente falar de milhões de pessoas encarceradas pelo complexo prisional-industrial de hoje: homens, mulheres e crianças. E este nível de encarceramento em massa, repressão em massa real, tem um impacto imenso sobre as outras comunidades, não apenas entre famílias, mas em uma consciência social e comunal, e na inculcação do medo entre as gerações. Então está em um nível e profundidade em que muitos de nós não pode sequer sonhar hoje.

RT > Você fala sobre muitos assuntos sociais e econômicos importantes em seu trabalho. Você tem algum sonho hoje? Se você pudesse ver um destes aspectos modificados qual escolheria? O que você deseja poder ver acontecer nos Estados Unidos?

MAJ < Nunca há uma única coisa… Devido ao sistema de interligação e porque uma parte do sistema causa impacto em outra parte do sistema, e ainda, devido ao que Antonio Gramsci chamou de hegemonia do sistema ideológico que causa impacto em outras partes do sistema. Você não pode mudar uma coisa que terá impacto em todas as outras. Esta é uma das lições dos anos 60, porque o movimento pelos direitos civis estava falando sobre integração e mudança nas escolas. O fato é que se você olha para a vasta maioria das crianças negras pobres da classe trabalhadora nas escolas americanas de hoje, elas vivem e gastam suas horas e seus dias no sistema tão profundamente segregadas quanto seus avós, mas não segregadas pela raça, segregadas pela raça e classe.

As escolas que meus netos vão são piores do que as escolas que fui na minha infância e adolescência. Esta é uma condenação de um sistema, mas porque as gerações anteriores se concentraram apenas em uma coisa ou um lado do problema. O problema realmente se tornou pior e pior e pior. E enquanto há muita retórica sobre escolas, as escolas americanas são uma tragédia.

RT > Você foi monitorado pelo FBI aos quatorze anos. Agora com leis como a NDAA sendo implementadas nos Estados Unidos, quando pessoas são vigiadas e detidas, isso se tornou mais fácil do que nunca. Você acha que o Big Brother [Grande Irmão] mostrou oficialmente sua face neste país?

MAJ < Se você olha pra trás, fica claro que o FBI, seus líderes e seus agentes sabiam que tudo o que faziam era ilegal, e os agentes do FBI foram ensinados e treinados para invadir lugares, como fazer o que eles chamavam de black bag jobs e este tipo de coisa, como cometer crimes. E é isso que eles também foram ensinados, é melhor que você faça isso e que não seja pego, porque se for pego irá para a cadeia e agiremos como se não te conhecêssemos, você estará por sua conta. O que tem acontecido nos últimos vinte ou trinta anos não é apenas NDAA, o tão clamado Patriot Act tem legalizado tudo o que era ilegal entre os anos 50 e 70. Eles legalizaram as mesmas coisas que os agentes do FBI e administrativos sabiam que era crime na época. Isto significa que eles podem ver sua correspondência, certamente podem ler seu e-mail, eles grampeiam seu telefone – fazem tudo isso. Mas eles o fazem em nome da segurança nacional. O que estamos vivendo hoje é um estado de segurança nacional onde o Grande Irmão está legalizado e racionalizado.

RT > Você descreveu os políticos como prostitutas de terno dando suas desculpas às prostitutas honestas. É época de eleição nos Estados Unidos agora e gostaríamos de perguntar em quem as pessoas deveriam confiar, em quem você votaria?

MAJ < Em ninguém. Não vejo ninguém em quem possa votar hoje em sã consciência. Porque a maior parte das pessoas que estão ali são de dois partidos políticos majoritários e tudo o que ouço é um tipo de loucura – um desejo de retornar aos dias de juventude dos anos 50 ou então falam sobre a perpetuação do império americano, imperialismo. O que há para votar? Quantas pessoas vão conscientemente às urnas votar pelo imperialismo, por mais guerra ou para que seu filho ou filha, pai ou mãe se tornem membros das forças armadas e assassinos em massa?

RT > Você parece ter aprovado o movimento Occupy Wall Street que surgiu nos Estados Unidos neste ano. É este tipo de revolta que você acha que poderia mudar a América e fazer bem aos Estados Unidos?

MAJ < Penso que é o começo deste tipo de revolta. Porque tem de ser mais profundo, tem de ser mais amplo, tem de visar as questões que estão tocando as vidas das pessoas pobres da classe trabalhadora… É um bom começo, apenas desejaria que fosse maior e mais raivoso.

RT < Você é a voz dos sem voz. Qual é sua mensagem para seus apoiadores agora, para estes que estão te ouvindo?

MAJ < Organize, organize, organize. Amo todos vocês. Obrigada por lutar por mim e vamos lutar juntos pela liberdade.

Entrevista com Mumia Abu-Jamal – RT 10.4.2012:

http://www.youtube.com/watch?v=GKTOR9DQWAo&feature=youtu.be

Tradução > Marina Knup

agência de notícias anarquistas-ana

Sabiá no galho —

O vento sobe na árvore

para ver o canto

Teresa Cristina flordecaju

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