I Festival do Filme Anarquista e Punk de SP: Uma Visão

A idéia era simples e direta: organizar um evento que reunisse a exibição de filmes e documentários recentes produzidos por anarquistas e punks mundo afora, ou com temática ligada a questões sociais e libertárias diversas, agregando ainda a realização de debates, palestras, oficinas e exposições fotográficas. Partimos da importância destas linguagens como ferramentas de luta e disseminação de idéias e discussões: a criatividade libertária tem cada vez mais adentrado o mundo das produções audiovisuais, seja por meio da criação de novos filmes e documentários, seja pela realização de cineclubes, festivais de filmes anarquistas, oficinas, etc. E tudo isto com olhares libertários, prática do faça-você-mesmx, poucos recursos e muito autodidatismo.
Foram meses de organização recebendo os filmes, confirmando as atividades, fechando a programação e todos os milhares de detalhes pra que tudo desse certo. E no decorrer desse tempo já ficamos muito contentes com a quantidade de filmes inscritos, e em perceber que, para além dos que já conhecíamos, têm surgido diversos novos projetos de produção audiovisual anarquista em muitos lugares, cineclubes libertários, e tantas outras movidas relacionadas a esta linguagem. A dificuldade para encaixar tudo isto em uma programação de dois dias foi imensa, e assim o festival ganhou 1 dia a mais, ficando então com 3 dias de duração e tendo como espaço o novo Centro Anarquista Ação Direta.
Estes meses de organização passaram voando e logo chegou o festival: muita chuva caindo durante todo o final de semana, o que para nossa surpresa não impediu que muita gente passasse por lá durante todos os dias, participando das atividades, vendo os filmes, debatendo, levando rango vegano, materiais libertários, e ajudando com a organização e realização do evento de todas as formas.

A sexta-feira começou muito bem, com estréia do documentário Punk In África por aqui, exibição do Relatos de uma Cena Anarcopunk, e, pra fechar da melhor forma, mais uma edição do sarau Sangue, Suor e Poesia Libertária, com uma mesa recheada de livros de poesia libertária, periférica e popular, muitas companheiras recitando poesias anarco-feministas, e um clima muito massa de confraternização.
Sábado e domingo foram dias de programação intensa. Na sala principal do espaço, diversas banquinhas de material e rango vegano, camisetas do festival, e muitas exposições: fotografias de grafites e pixos libertários pelo mundo por Ruivo Lopes; fotografias da ocupação São João dentre outras, de Elaine Campos; fotos com pinhole, por Jefferson Andrade; cartazes de festivais de filme anarquista pelo mundo; projeções de fotografias de movimentações sem-teto e manifestações populares, por Anderson Barbosa; e mais fotografias de Avelino Regicida, e imagens de manifestações como o A20, N9, S29, dentre outras.

Logo no início das atividades do sábado, a companheira Elaine Campos, da Coletiva Anarcafeminista Marana, deu uma oficina de fotografia faça-você-mesm@, com ótimas reflexões sobre como construímos nossos olhares, e a forma como damos direcionamento às nossas imagens. As fotografias tiradas durante este dia foram projetadas no dia seguinte. No andar de cima, uma sala de exibição. E, no quintal, no espaço onde será a futura biblioteca do Centro Anarquista Ação Direta, outra sala exibindo simultaneamente.
Assim foram 18 filmes exibidos neste dia: From The Back Of The Room (EUA); Desalojo Ilegal da Ocupação Abu-Jamal (RJ); A Céu Aberto (Venezuela); Fabricação Artesanal de Carvão de Coco Babaçu (MA); Lúcio: Anarquista, assaltante, falsificador, mas sobretudo pedreiro (Espanha); Barulho Bom (CE); Ecos de Revolta – Exibição Vide Urbe (RJ); Noite do Horror (BA); Unindo Quebradas (SP); Filme Plágio (SP); Ciclovida: Lifecycle (CE); Torcendo pelo time da casa (CE); Vozes de um Cárcere (SP); Na Prisão Minha Vida Inteira (EUA); El Ocaso Del Miedo (Chile); e ainda as estréias dos filmes Squat Toren (CE); Caixa Postal 195 (SP) e Todo Fim É Um Começo (SP). Xs companheirxs do coletivo Ciclovida-SP ainda fizeram uma discussão sobre a expansão do agronegócio e a perspectiva de resistência através do resgate, partilha e preservação das sementes crioulas, relacionando esta perspectiva a uma busca por maior autonomia no campo e na cidade. O lançamento de Todo Fim É um Começo também teve sala cheia, e foi seguido de um debate sobre experiências em espaços autônomos e libertários, com participação de companheirxs do Coletivo Cultive Resistência/Espaço Impróprio, Ativismo ABC, ex-integrantes do espaço Ay Carmela, dentre outrxs, que trouxeram a tona ótimas reflexões sobre nossas atuais experiências de gestão e atuação anarquista nestes espaços.

O domingo começou sem chuva, o que permitiu que logo após a primeira exibição do dia, do filme Escolarizando o mundo: O último fardo do homem branco, todxs pudessem sentar em roda no quintal para debater sobre educação com companheirxs do Ativismo ABC e Coletivo Desescolarizar. Enquanto isso, a sala 2 exibia o A Cultura em Luta Pela Paz, e, logo em seguida, foi espaço para uma intervenção/debate a partir da ação de mulheres lésbicas e feministas, sobre agressões e violência machista nos movimentos sociais e no meio anarquista/punk. Outros filmes que passaram durante o dia foram: Não São Um Por Cento: Anarquistas em Carrara; Crass: There Is No Authority But Yourself; Tid; Ugra the Karma; um workshop com Daniel Fagundes, do Núcleo de Comunicação Alternativa, sobre vídeo popular e representações, e uma troca de idéias com xs companheirxs da Biblioteca Terra Livre sobre as experiências acumuladas durante os 2 anos de realização do Cineclube Terra Livre, que aconteceu logo após a exibição do documentário Indomables: Uma Historia de Mujeres Libres, e do qual também pudemos participar agregando nossas experiências.
Enfim, foram três dias muito bons, bastante gente circulando, um clima de confraternização constante, e melhor ainda, muita gente se dispondo a apoiar, ajudar e se envolver da forma que pode, tornando este festival uma construção e realização coletiva!
Queríamos agradecer muito a todas essas pessoas, que apoiaram das mais diversas formas! Ao Centro Anarquista Ação Direta por ceder o espaço e pela enorme receptividade e confiança; Projeto Espremedor, Projeto Ocupação Cultural, CICAS e Quilombrasa pelo apoio com os equipos; Espaço Osomdoqsomos e Toddy pelas cadeiras; Biblioteca Terra Livre, Ativismo ABC, Coletivo Desescolarizar, Ciclovida-SP, Daniel & Núcleo de Comunicação Alternativa, Coletivo Cultive Resistência, Jefferson, Anderson, Elaine, Ruivo & Sarau Sangue, Suor e Poesia Libertária; MAP-SP; Gritão pelos catálogos; Valter Alves pela exposição enviada pelo correio, Agenda da Periferia pela divulgação, toda galera que enviou filmes, traduziu, legendou, terminou e compartilhou seu vídeo e suas idéias pra podermos exibir durante o festival, toda galera que ajudou nas banquinhas, levou rango vegano, recitou poesias, ajudou a telar as camisetas, limpar o espaço, carregar as coisas, exibir os filmes, enfim… sem todxs isso não teria sido possível! Ano que vem tem mais!

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Um relato da 1a Feira Anarquista em Natal/RN

Nos últimos anos tem se intensificado cada vez mais a realização de feiras anarquistas no Brasil, em eventos caracterizados por difusão de materiais e produções libertárias, realização de debates e atividades, e ampla circulação e participação de pessoas de diversas partes.
Estes encontros tem propiciado um espaço muito importante de convivência coletiva, compartilhamento de idéias, iniciativas e reflexões, e tem gerado possibilidades de aproximação e parcerias entre grupos, companheir@s e projetos anarquistas da atualidade.
Na cidade de São Paulo (SP), no início de novembro, irá acontecer a 3a Feira Anarquista, com organização d@s companheir@s do Ativismo ABC e Biblioteca Terra Livre. Em Porto Alegre (RS) a 3a edição da Feira do Livro Anarquista acontece também em novembro, tomando proporções cada vez maiores e agregando intervenções de companheir@s anarquistas de diversas partes do Brasil.
No dia 20 de outubro, seguindo neste mesmo rumo, aconteceu a primeira Feira Anarquista em Natal (RN), organizada por anarcopunks e libertári@s da região, e com participação de coletivos e pessoas de João Pessoa/PB, Campina Grande/PB, Recife/PE, São Paulo/SP, dentre outros.

A feira aconteceu em praça pública numa região central da cidade, se iniciando pela manhã com um café da manhã coletivo e um debate sobre anarquismo na atualidade, com apresentação inicial de tod@s @s presentes, que falaram um pouco sobre seus projetos, grupos e formas de atuação.
No almoço tod@s puderam se deliciar com uma feijoada vegana preparada por vári@s companheir@s e que foi distribuída gratuitamente pra tod@s que estavam na praça, e em seguida as banquinhas de materiais começaram a ser montadas, com zines, livros, camisetas, filmes, patches, artesanato e tudo o mais que a criatividade libertária pode trazer.
Quem por ali passava já podia ver à distância as bandeiras negras e faixas com dizeres anarquistas, e pouco a pouco mais pessoas foram se aproximando. Durante todo o dia circularam muitas pessoas, e aconteceu ainda uma intervenção teatral do grupo Cruor e uma oficina de confecção de livros artesanais que a Imprensa Marginal teve a oportunidade de dar, falando um pouco sobre algumas das técnicas e possibilidades, e partindo depois para a prática (cortar, furar, costurar…).
A feira seguiu durante toda a tarde e noite, em um clima de confraternização e companheirismo, e terminou com um enorme sentimento de satisfação de tod@s que puderam estar ali. A proposta é que a Feira Anarquista em Natal aconteça também anualmente, fortalecendo ainda mais estes encontros que cada vez mais tem acontecido em diversas partes. E que venham mais feiras anarquistas!

Outubro de 2012,
Imprensa Marginal

* Veja o vídeo produzido pel@s companheir@s de Natal e João Pessoa com imagens da feira:

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[Novidades] Filme: Todo Fim É um Começo

Filme pronto e saindo do forno: “Todo Fim É Um Começo”, documentário produzido pela Anarco.Filmes Produções Anarcopunx em conjunto com o coletivo Cultive Resistência! 1 hora e 8 minutos com dezenas de entrevistas com companheir@s
de diversas partes que falam sobre suas experiências e visões a respeito dos espaços autônomos e libertários, sua importância e as problemáticas que envolvem a gestão deles, tudo isso no contexto de um evento de três dias de encerramento do Espaço Impróprio. O lançamento do filme vai acontecer durante o Festival do Filme Anarquista e Punk de SP nos dias 15 e 16 de dezembro, em breve sairá também uma versão pra distribuição em DVD!

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LANÇAMENTO – Anarquismo e Socialismo, de Florentino de Carvalho

Finalizando a publicação da trilogia de textos de Florentino de  Carvalho, a Imprensa Marginal lança em parceria com o companheiro Rogério Nascimento este terceiro volume: “Anarquismo e Socialismo”, com 254 páginas encadernadas com costura.

O texto de apresentação do livro está disponível no post abaixo!

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Próximos Lançamentos

Em breve: Anarquismo e Socialismo, de Florentino de Carvalho
Seguindo com a publicação da trilogia de escritos de Florentino de Carvalho, organizadas por Rogério Nascimento, nosso próximo lançamento será o livro “Anarquismo e Socialismo”, de Florentino de Carvalho. São 254 páginas encadernadas com costura e feitas de forma faça-você-mesm@. Em breve estará disponível pra distribuição! Os outros dois títulos de Florentino de Carvalho que já foram publicados são “Anarquismo e Sindicalismo” e “Anarquismo e Anarquia”. Abaixo a apresentação do livro, escrita pelo companheiro Rogério Nascimento:

Esquerda?! Direita?! O anarquismo está dentro desta lógica binária? Existe anarquismo de esquerda e anarquismo de direita? O conjunto dos quarenta e quatro artigos deste terceiro volume da trilogia de Florentino de Carvalho apresenta o anarquismo fora deste maniqueísmo religioso. Estes artigos foram publicados na imprensa operária anarquista do sul-sudeste brasileiro no período de maior vigor do movimento operário no Brasil. O primeiro artigo é de 1910 e o último de 1935. Portanto são escritos anteriores à Revolução Russa de 1917, contemporâneos ao predomínio Bolchevique na Rússia e aos seus efeitos no Brasil. A imprensa operaria registra terem sido intensos entre os trabalhadores os debates em torno da adoção ou não do modelo Bolchevique para o movimento operário no Brasil. Alguns anarquistas caíram de corpo e alma no projeto totalitário universalista da pretensa ‘ditadura do proletariado’. Alguns outros foram por ele profundamente afetados, adotando posição ambígua: não aderiram ao bolchevismo, mas a seus processos centralistas, universalistas e normativos. Muitos outros recusaram em bloco bolchevismo e marxismo. Florentino de Carvalho é um destes. Ele foi um dos primeiros no Brasil a denunciar o bolchevismo como nova tirania. Desde seus primeiros escritos o marxismo foi criticado e recusado. Por estas razões, estes são textos urgentes para nossos dias. O leitor é presenteado com dois anexos contendo artigos de outros anarquistas do período. São anotações convergentes com os textos de Florentino de Carvalho. Todos os artigos juntos, constituem demonstração da forte resistência, havida entre segmentos anarquistas, contra as propostas sedutoras de aproximação com o marxismo e qualquer das propostas de socialismo autoritário.

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I Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo

festival

Com a iniciativa da Editora e Distro Anarcopunk Imprensa Marginal/Anarco-Filmes e da Do Morro Produções, dois grupos de São Paulo envolvidos com a produção audiovisual libertária na atualidade, surge a proposta da realização do I Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo. A proposta é que, em dezembro deste ano, a primeira edição do festival reúna a exibição de filmes e documentários recentes produzidos por anarquistas e punks ou com temática ligada a questões sociais libertárias diversas, bem como realização de debates, palestras, oficinas e exposições sobre a produção audiovisual libertária no mundo. A data e local ainda serão definidos.

Estamos abert@s a propostas de atividades, parcerias e intervenções, se você tiver uma ideia, basta nos escrever!

festival@anarcopunk.org | Caixa Postal 665 CEP 01032-970 São Paulo/SP – Brasil

www.anarcopunk.org/festival

Sobre o envio de filmes para o festival:

1) O envio de filmes (em DVD) poderá ser feito até o dia 01 de outubro (data máxima de postagem).

2) Caso você tenha interesse em participar, envie o formulário abaixo preenchido para o email festival@anarcopunk.org, para que possamos iniciar os contatos.

3) Serão aceitos filmes produzidos em todos os formatos de captação e de quaisquer gêneros (documentário, animação, ficção, etc.), desde que tenham como temática ou pano de fundo questões relativas ao anarquismo, lutas sociais libertárias/anti-autoritárias/apartidárias/autônomas/populares e expressões/movimentações punks e contra-culturais libertárias.

4) Daremos preferência aos filmes produzidos de forma independente e que tenham sido produzidos nos últimos anos.

FORMULÁRIO DE PARTICIPAÇÃO

(Preencha e envie para nosso email de contato)

* Nome d@ Proponente:

* Grupo/Coletivo/Projeto:

* Email de contato:

* Endereço para contato:

* Título do filme:

* Sinopse:

* Gênero (documentário, ficção, animação, etc):

* Ano de produção:

* Realizador@s do filme:

* Formato de captação:

* Duração (com os créditos):

* Idioma original:

Caso o idioma original não seja o português:

* Possui legendas?

* Em quais idiomas?

* Há possibilidade de tradução ou legendagem para o português ou envio da lista de diálogos?

* O filme foi produzido:

( ) de forma independente

( ) com auxílio de edital ou apoio institucional

( ) outros:

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LANÇAMENTO: Educação Anarquista volume 1 – Saberes, Ideias, Concepções

Educação Anarquista volume 1

Saberes, Ideias. Concepções

Organização por Rogério Nascimento

No ano do centenário da fundação da Escola Moderna Número 1 em São Paulo, nada mais oportuno do que esta coletânea intitulada EDUCAÇÃO ANARQUISTA – SABERES, IDEIAS, CONCEPÇÕES. Seus artigos foram escritos por professores anarquistas e por trabalhadores interessados com educação. Foram escritos na imprensa operária de várias cidades do eixo sul-sudeste brasileiro, ao longo das quase cinco primeiras décadas do século XX. Ressalta do conjunto destes escritos o sentido da educação como processo multifacetado, relacional e político. Na contramão dos rumos da educação sob regência do Estado e da igreja, aqui o leitor encontrará diversas discussões sobre educação, escola e sociedade na perspectiva libertária, igualitária e fraterna tal qual experimentada pelos trabalhadores anarquistas no período referido. Estes artigos constituem demonstração de que fazer da escola espaço prazeroso e criativo passa necessariamente pela abolição das relações autoritárias com seus expedientes compulsórios e punitivos. Isto vale para hoje!

* * *

O livro tem 172 páginas, encadernado com costura em formato A5, e está sendo passado a R$ 10,00. Para pegar sua cópia entre em contato!

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Filme: Liga Juvenil Anti-Sexo

Acaba de sair o documentário curta-metragem “Liga Juvenil Anti-Sexo” (2011, 18min.), uma parceria da Imprensa Marginal/Anarco.Filmes com o Coletivo Cultive Resistência. O cenário é o extinto Espaço Impróprio, região central da caótica cidade de São Paulo. O contexto, três dias de intensas discussões sobre gênero e sexualidade. O foco, as muitas perspectivas, rupturas, idéias, debates, propostas, problematizações e diferentes opiniões que envolvem as discussões de gênero, sexualidade, identidade, orientação sexual, queer, feminismo e pornografia de uma perspectiva libertária. É uma produção totalmente Faça-Você-Mesm@, levando-se em conta todo o processo de filmagem, edição e montagem das caixas. O filme foi lançado este mês, durante o evento “Noite das Peculiaridades”, com organização do Coletivo Cultive Resistência. Para saber como pegar uma cópia, entre em contato!
Editora e Distribuidora Anarco-Punk Imprensa Marginal – imprensa_marginal@yahoo.com.br | anarcopunk.org/imprensamarginal
Coletivo Cultive Resistência – cultiveresistencia@gmail.com | cultiveresistencia.org
* Liga Juvenil Anti-Sexo é um evento de convergência que pretende trazer para o debate diversos temas relacionados a sexualidade, gênero, corpo, saúde, consentimento, feminismo e queer. O objetivo é reunir indivíduos e coletivos dispostos a compartilhar suas idéias, suas experiências, suas músicas, seus vídeos, suas performances, suas opiniões, seus medos, suas táticas, suas dúvidas ou seu silêncio. E, assim, contribuindo como uma rede de apoio, fazer circular sementes de uma cultura para além das regras escritas e não-escritas do patriarcado hétero e branco.
O nome do evento foi extraído do livro 1984, de George Orwell. Nele, a personagem Júlia tem uma vida dividida entre dois papéis, sendo um a de membro ativo de um grupo chamado Liga Juvenil Anti-Sexo, que promove o controle de um estado ditatorial que se ramifica inclusive sobre a sexualidade de seus cidadãos – qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Seu segundo papel é de amante promíscua, rebelde e corruptora desse sistema. E assim, uma inspiração para todxs xs descontentes com os rígidos papéis e dualidades que nos imputam desde que nascemos. Não importa o quanto tenhamos que nos submeter aos padrões e normas do dia a dia, é importante alimentar a chama que corrompe esse sistema para que ela escape pela primeira fresta que surgir para consumir toda sua estrutura.
O projeto foi iniciado pelo coletivo Você Tem que Desistir e em maio de 2010 teve sua primeira edição. Não tinha muito como proposta se firmar com uma periodicidade, mas uma segunda edição foi em novembro daquele mesmo ano. Em 2011, com o fim do VTQD, o projeto continua a ser levado a diante pelo coletivo Cultive Resistência, que em parceria com a Imprensa Marginal está lançando este DVD que registra um pouco dos temas e das principais questões que fermentaram durante a segunda edição do evento.
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Um relato sobre a 2ª edição da Feira Anarquista de São Paulo

No último domingo, 4 de dezembro, aconteceu a 2ª Feira Anarquista de São Paulo, organizada pela Biblioteca Terra Livre e Ativismo ABC e com participação de grupos e indivíduos de diversas localidades.

A primeira edição da feira aconteceu em 2006 no mesmo local, com presença de cerca de 1000 pessoas durante todo o dia. A segunda edição, cinco anos depois, não ficou pra trás em quantidade de pessoas presentes. Das 10 da manhã às 20hs, centenas de pessoas passaram pelo Tendal da Lapa para participar dos debates, filmes, lançamento de livros, apresentações musicais, teatrais e exposições, por vezes deixando apertado o enorme espaço do galpão.

Durante toda a programação aconteceram atividades como os debates “Perspectivas do Anarquismo e dos Movimentos Sociais na França”, “Movimento Estudantil e Autogestão no Chile”, “Ocupe o Mundo: o movimento mundial de ocupações e sua relação com princípios e práticas do anarquismo histórico”, “Arte e Anarquia”, exibição dos filmes “Flor do Asfalto”, “Louise Michel, a rebelde”, “A Patagônia Rebelde”, dentre muitas outras. Participaram destas atividades os grupos Ativismo ABC, Biblioteca Terra Livre, Núcleo Anarquista de Curitiba, Ordinária Hit, Grupo de Estudios José Domingo Gomez Rojas, Ocupa Sampa, OASL, Beatriz Tragtenberg, Ronald Creagh (França), Philiipe Peletier (França), e muitos mais.

Materiais libertários foram expostos nas diversas bancas de editoras libertárias e distribuidoras, com livros, zines, jornais, revistas e publicações anarquistas, quadrinhos, materiais de livre distribuição, discos, camisetas, filmes, e tudo o mais que a criatividade libertária pode dar vida nos últimos tempos. Havia materiais das editoras Imaginário (São Paulo), Achiamé (Rio de Janeiro), Deriva (Porto Alegre), Faísca (São Paulo), Imprensa Marginal (São Paulo), Edições Negras Tormentas e Ativismo ABC (Santo André/SP), Distribuidora No Gods No Masters (São Paulo), Centro de Cultura Social, MAP-SP, Biblioteca Terra Livre, e por aí vai…! Companheiros de Sorocaba, interior de São Paulo, também filmaram as atividades e entrevistaram algumas das pessoas presentes para a realização de um documentário sobre a feira.

Assim como a segunda edição da Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, organizada há menos de um mês, a feira de São Paulo contou com a participação de pessoas de diversos lugares do Brasil e do mundo – seja na realização de atividades durante a feira, seja participando do evento. Desta forma, estas feiras tem tido o papel não só de difundir e discutir o anarquismo na atualidade, promovendo as publicações e produções libertárias, mas também tem se tornado um importante espaço de troca de experiências, contatos, idéias, projetos, propostas e de reunião e aproximação das diversas iniciativas anarquistas mundo afora. Que venham outras muitas!

A lista completa de coletivos e editoras participantes e também as atividades que aconteceram durante o dia estão disponíveis no site http://feiranarquistasp.wordpress.com.

por Imprensa Marginal – Editora e Distribuidora Anarcopunk

agência de notícias anarquistas-ana

no despenhadeiro

a sombra da pedra

cai primeiro

Carlos Seabra

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Um relato sobre a 2ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

Entre os dias 11 e 14 de novembro, aconteceu a 2ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (RS), com debates, palestras, oficinas, apresentações teatrais, música, vídeos, e exposição de livros e materiais libertários. A abertura da Feira aconteceu no espaço libertário Moinho Negro na noite do dia 11, com uma festa regada a cerveja artesanal produzida por companheiros de Porto Alegre, e apresentação de Animinimaldita (projeto que une voz, violão, vídeo e debate), Front Liberdade e Rima (anarcorap) e Minininha Pirracenta.

A presença de pessoas de diversas partes – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, entre outros -, propiciou dias intensos de troca de experiências, contatos e idéias, e muitas das atividades que ocorreram durante a Feira foram propostas por pessoas de outras localidades. Em relação à primeira edição da Feira, do ano passado, foi perceptível um grande aumento da participação e apoio de pessoas vindas de outros lugares e isso se refletiu diretamente na quantidade e diversidade das temáticas discutidas nos debates e oficinas.

As atividades se dividiram entre os espaços Moinho Negro e FAG (Federação Anarquista Gaúcha), enquanto a exposição e venda dos livros acontecia em frente ao espaço da FAG, na Travessa dos Venezianos, com bancas de materiais de grupos como a editora Deriva, Imprensa Marginal, Imaginário, Ativismo ABC, FAG, MAP-SP, entre outros. A rua foi ocupada ainda por apresentações teatrais da Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta Favela, Grupo Tia e FAG.

Embora algumas das atividades do cronograma que foram inicialmente propostas tenham sido canceladas pelo fato de alguns proponentes que viriam de outros Estados não terem aparecido, novas propostas surgiram no decorrer da Feira. Durante os três dias aconteceram oficinas de saúde feminina; yomango; autonomia do corpo; exibição do documentário “Sagrada Terra Especulada” e debate sobre o Santuário dos Pajés (DF); debate sobre gênero; espaços libertários; o punk e a contribuição para o anarquismo; movimento squatter; anti-fascismo na atualidade; anarquismo e prisões; bate-papo com as editoras libertárias; luta libertária na Europa no contexto atual; apresentação do livro “Culturas de Resistência – Anarquistas e Anticlericais em Santa Catarina” e do editorial “Mas que Palabras”; geografia e pensamento libertário; análise conjuntural de 9 anos do PT no governo, rearticulação das organizações de direita e estratégias de luta libertária neste contexto; entre muitos outros temas. Alguns dos debates foram transmitidos ao vivo pela rádio Cordel Libertário.

Ainda como parte das atividades da Feira, a noite do dia 14 fechou a jornada com o festival Dissidência Musikfesto no Entrebar, que mantendo a característica presença de companheiros de diversas partes, contou com apresentação das bandas Gracias Por Nada (Brasília), Nieu Dieu Nieu Maitre (Curitiba), Revolta Popular (São Paulo), Ferida (Porto Alegre), Conduta Destrutiva (Porto Alegre), Vapaus (Porto Alegre), Front Liberdade e Rima (Porto Alegre) e Digna Rabia (Porto Alegre).

Dando sequência às Feiras do Livro Anarquista em outras regiões, já está programada a 2ª Feira de São Paulo, em dezembro deste ano, e companheiros de Florianópolis estão articulando a organização de uma feira local para o ano que vem.

por Imprensa Marginal – Editora e Distribuidora Anarcopunk

agência de notícias anarquistas-ana

no outono nos separamos

como as duas conchas

de uma ostra

Matsuo Bashô

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