Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Programa na Rádio Cordel Libertário- Anarc@feministas!!!

Tuesday, April 16th, 2013

Nesta quinta, 18, a Rádio Cordel Libertário transmite Anarc@feministas! Esta é a segunda edição do programa Anarcopunk, Muito Além do Barulho, e nós estaremos participando juntamente com outras companheiras e coletiv@s!

Participe deste bate papo, onde estaremos compartilhando experiências, contando nossa própria história, contextualizando o Anarcofeminismo no Brasil, os problemas que enfrentamos como o machismo e a misoginia dentro e fora da cena, e as dificuldades que encontramos para construirmos espaços feministas, mesmo dentro do anarquismo e do punk.

Fortalecendo o Anarcofeminismo, nossa luta!

Acesse o programa no site radiocordel-libertario.blogspot.com.br  às 21:10h, quinta feira, 18 de abril.

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Terráqueos e bate papo sobre Veganismo dia 18

Tuesday, April 9th, 2013

Seguindo com a atividade da terceira quinta feira do mês do nosso coletivo no Espaço Deriva, estaremos no dia 18 passando o documentário Terráqueos, seguido de bate papo sobre Veganismo.

Abaixo o cartaz com a programação completa deste mês de abril na Deriva que tem como tema a Alimentação.

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3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre- Relato

Wednesday, December 26th, 2012

A Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre vem acontecendo anualmente desde 2010,  neste ano chegou à sua terceira edição.

A Feira foi bastante interessante, e bem diferente por ter acontecido num espaço público. Nas nossas reuniões até decidirmos pelo Gasômetro, a opinião geral de todos os coletivos envolvidos, era de fortalecer os espaços anarquistas da cidade, por isso a dúvida entre estes espaços e um espaço público gestionado pela prefeitura. O limite de espaço físico e outras questões nos fizeram optar pelo Gasômetro, um centro cultural. Tirado isso, com questionamentos e crítica, passamos a ver as vantagens, uma delas a do acesso ao anarquismo para todxs. Muito além de uma palavra ou teoria, este acesso se mostrou verdadeiro na prática, muitas pessoas que por ali circularam, e embora muitas sem intenção de irem à feira, acabaram entrando em contato com o anarquismo, participando de alguma forma, simpatizando ou mesmo não concordando.

As bancas com livros, zines, revistas e materiais diversos se propuseram mais do que à exposição, mas à interação e muito debate, ao fluxo de pessoas e idéias, e às impressões com tudo isso, como espaços assim costumam ser. As oficinas rolavam nos arcos, uma extensão do espaço das bancas, e no píer, com muito calor e vento.  Foi bonito de ver e participar deste ambiente, meio caótico, intenso, barulhento e por isso mesmo necessário, pra mexer com o conforto e o previsível.

Houveram duas oficinas fechadas para mulheres e uma para homens. E isso novamente mexeu com as pessoas, gerou discussão e desconforto. Bem, oficina para mulheres sempre é questionada, tratada como algo sectário. A sociedade é sectária, nos divide em seres binários, bipolariza nossas ações, sentidos e emoções em função de gênero, e é por isso que precisamos nos organizar muitas vezes entre nós mesmas para decidirmos pelos problemas das quais apenas nós passamos, para não dizer sofremos. Desta forma, proporcionamos e incentivamos que sejamos as agentes das decisões que dizem respeito a nós somente, coisa que a sociedade não nos incentiva a fazer, pelo contrário, padroniza que nossas vidas estejam nas mãos de nossos pais, irmãos, maridos e também filhos (mostrando quanto o sistema de hierarquias é “flexível”), sendo eles os que “sabem o que é melhor para nós”, tomando decisões que nos dizem respeito.

A oficina para homens foi menos questionada, mas ainda assim com alguns olhares tortos. Algumas oficinas somente para homens têm intenção de vitimizar os homens e ofuscar os problemas das mulheres, ou mesmo ser uma “resposta” ao feminismo – como se o feminismo fosse um assunto isolado, ou que defendesse a superioridade das mulheres – designando que os homens passam por problemas opostos proporcionalmente iguais, ignorando os privilégios dos quais os homens detêm, mesmo quando a seu contragosto.  Que os homens passam por problemas de gênero, isto é inegável, mas de um ponto de vista privilegiado, o que difere bastante as experiências que vivem, mesmo que nem sempre positivas. Não foi o caso desta oficina, que pelo contrário, propôs a desconstrução da masculinidade e reflexão dos privilégios masculinos.

Ainda sobre as questões de gênero, das quais nosso coletivo propõe trazer para o debate como parte da luta anarquista, nossa banca foi bastante freqüentada por aquelxs que se afinizam e se interessam pelo anarcofeminismo, e tivemos a oportunidade de conversar bastante e conhecer pessoas e coletivos, o que sempre nos deixa muito motivadxs. Alguns homens porém  a repudiaram. Não digo pessoas porque foram alguns homens apenas que na feira criticaram o conteúdo anarcofeminista da nossa banca, ou que expuseram isso, talvez porque os homens se sintam mais à vontade de fazerem críticas, ou porque de alguma forma sentiram ameaçadas suas crenças. Muitas das interações foram no sentido de explicarmos o porquê das nossas reivindicações e fomos acusadxs de nos focarmos numa coisa só. Pra começar nós não estamos focadxs numa coisa só, pelo contrário, a intenção é incluir o feminismo como questão fundamental na luta por igualdades, nós realmente não acreditamos em anarquismo sem feminismo. É muito cansativo ver que ainda existe a idéia tão marxista de que temos que esquecer as diferenças e nos unirmos por uma causa “mais importante”- neste caso a anti-civilização. Por que haveríamos nós de deixarmos de lado os males que nos afligem?  Quem decide qual causa é mais importante para quem, x oprimidx ou quem tem o poder em suas mãos para oprimir? As distintas lutas ao contrário de se divergirem se conectam. Não pode ser mais incoerente reivindicar “união” por uma causa – que alguém julga mais importante – porque ela afasta, ela não mostra compaixão ou companheirismo, ela se disfarça em união com o único propósito de que esqueçamos das nossas lutas específicas, do tratamento e oportunidades diferenciados que temos, para nos transformarmos em massa de manobra. A solidariedade é uma das questões mais importantes do anarquismo, se não sabemos nos solidarizar, se não podemos compreender as dificuldades pelas quais não passamos e as reivindicações que surgem dessas dificuldades, estaremos sendo insensíveis e incoerentes enquanto anarquistas. A solidariedade derruba dogmas e instituições, as ameaça e enfraquece, por isso se diz que a solidariedade é uma arma.

Mas podemos dizer que muito mais foram as pessoas que se interessaram positivamente, muitxs foram xs que gostaram das bancas, materiais e das oficinas sobre gênero e que comentaram que estavam entusiasmadxs por verem na feira o feminismo tão presente.

A Feira rolou intensa. Importante dizer que mais uma vez foi fundamental a colaboração das pessoas que vieram de outras localidades, diversificando o espaço e tornando-o mais atrativo, além de propiciar os intercâmbios diversos. A feira aconteceu, e nos faz refletir de sua importância quanto a um espaço para encontro, troca e difusão das idéias libertárias. Que as feiras anarquistas continuem se espalhando pelo mundo.

Enila Dor.
ação anti sexista
26.12.2012

confira também compartilhando impressões da 3ª FLAPOA

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Estratégias de mobilização AnarcaFeminista – Hoje na 3ª FLAPOA!

Saturday, November 17th, 2012

Hoje no segundo dia da 3ª FLAPOA além da exposição de materiais anaquistas durante todo o dia, seguem as oficinas e bate papos, filme e intervenções artísticas, confira toda a programação no site da feira flapoa.deriva.com.br/

Às 19h estaremos propondo um bate papo, somente para mulheres:

Estratégias de mobilização AnaracaFeminista
Propostas para construção de rede anarcafeminista, batepapo sobre novas (e velhas) táticas de ação, mobilização e propagação das idéias anarcafeministas.

Apareça!

((A)) ((E)) !

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3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre!

Monday, November 5th, 2012

A Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre chega a sua 3ª edição, e este ano acontece nos dias 16, 17 e 18 de novembro. Estamos contentes e entusiasmadxs por realizar mais uma feira do livro anarquista, pois acreditamos ser um espaço de propagação do anarquismo e de encontro entre anarquistas e pessoas interessadas.

Este ano, diferente dos anos anteriores, a feira se realizará no Gasômetro, um espaço público e central da cidade, com o intuito de aproximar as pessoas do anarquismo, exercitando também novas maneiras de construção da feira e interação com a comunidade.

Como nas primeiras duas edições, a 3ª FLAPOA conta com propostas de coletivos locais e também de outros lugares, promovendo a troca e a mobilidade, que fortalecem a mutualidade e também a expressão de cada umx e suas particularidades.

Haverá exposição e venda de livros, zines e materiais libertários diversos durante todo o evento, que incluirá oficinas, debates e bate papos, música, teatro, e filmes que serão exibidos na sala de cinema do local.

Venha participar e contribuir com a 3ª FLAPOA!

Confira a programação completa e atualizações no site flapoa.deriva.com.br

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La Feria del Libro Anarquista de Porto Alegre llega a su 3ª edición, y este año se realiza los días 16, 17 y 18 de noviembre. Estamos contentxs y entusiasmadxs por realizar una feria del libro anarquista más, porque creemos que es un espacio de propagación del anarquismo y de encuentro entre anarquistas y personas interesadas.

Este año, diferente de los anteriores, la feria se realizará en el espacio Usina do Gasômetro, un espacio público y central de la ciudad, con la intención de acercar a las personas del anarquismo, ejercitando también nuevas maneras de construcción de la feria e interacción con la comunidad.

Al igual que en los años anteriores, la 3ª FLAPOA cuenta con propuestas de coletivxs locales y también de otros lugares, promoviendo el intercambio y la movilidad, que fortalecen la mutualidad y también la expresión de cada unx y sus particularidades.

Habrá exposición y venta de libros, zines y materiales libertarios diversos a lo largo de todo el evento, que incluirá talleres, conversatorios, música, teatro y películas que sserán exhibidos en la sala de cine local.

Venga a participar y contribuir con la 3ª FLAPOA!

Acompañe la programación completa y actualizaciones en el sitio flapoa.deriva.com.br

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A Questão Feminina em Nossos Meios – Lucia Sanchez Saornil

Saturday, October 27th, 2012
O texto que segue é de Lucia Sanchez Saornil da organização Mujeres Libres da Espanha. A organização surgiu em 1936 na época da Revolução Espanhola, também contada como Guerra Civil Espanhola. O texto é um trecho de uma discussão entre Lucia e o secretário da CNT Mariano R. Vasquez que foi publicada no jornal Solidaridad Obrera em 1935.  O texto nos parece oportuno e ainda atual pois critica o pensamento científico da maternidade como característica definidora da mulher, ditando suas funções dentro da sociedade, e relata o machismo no meio anarquista da época.  Sentimos uma grande afinidade com o pensamento de Lucia, pois hoje ainda enfrentamos as mesmas dificuldades.

“Na atualidade, está socialmente questionada a teoria da inferioridade intelectual feminina ; um número considerável de mulheres de todas as condições sociais demonstrou praticamente a falsidade do dogma, poderíamos dizer, revelando a excelente qualidade de suas aptidões, em todos os ramos da atividade humana. Apenas nas camadas sócias inferiores onde a cultura penetra mais lentamente pode sustentar-se, ainda, uma crença tão perniciosa.

Quando, porém, o campo parecia limpo, um novo dogma, este com garantias científicas, aparentes, obstaculizou o caminho da mulher, levantando novos obstáculos à sua passagem; e é de tal qualidade que, por um momento, deve tê-la deixado pensativa.

Frente ao dogma da inferioridade intelectual da mulher, levantou-se o da diferenciação sexual. Já não se discute como no século passado, se a mulher é superior ou inferior; afirma-se que é diferente. Já não se trata de um cérebro de maior ou menor peso ou volume, mas de uns corpinhos esponjosos, chamados glândulas de secreção, que imprimem um caráter peculiar à criatura, determinando seu sexo e com este, suas atividades no campo social.

Nada tenho a objetar a esta teoria em seu aspecto fisiológico, mas sim às conclusões que se pretendem extrair da mesma. Que a mulher é diferente? De acordo. Embora talvez essa diversidade não se deva tanto à natureza, como ao meio ambiente em que se desenvolveu. É curioso que, quando se extraíam tantas conseqüências da teoria do meio na evolução das espécies, esta seja completamente esquecida quando se trata da mulher. Considera-se a mulher atual como um tipo acabado, sem levar-se em conta que não é mais do que o produto de um meio permanentemente coativo e é quase certo que, restabelecidas no possível as condições primárias, o tipo se modificaria ostensivamente, burlando, talvez, as teorias da ciência que pretendem defini-la.

Pela teoria da diferenciação, a mulher não é mais do que uma matriz tirânica que exerce suas influências obscuras até os últimos recantos do cérebro; toda vida psíquica da mulher é subordinada a um processo biológico, e tal processo biológico não é outro que o da gestação. “Nascer, sofrer, morrer”, dissemos num artigo anterior. A ciência veio modificar os termos, sem alterar a essência desse axioma: “Nascer, gestar, morrer”. E aí está todo o horizonte feminino.

É claro que se tentou cobrir essas conclusões com douradas nuvens apoteóticas. “A missão da mulher é a mais culta e sublime da natureza”, dizem; “ela é a mãe, a orientadora, a educadora da humanidade futura”. E, no entanto, fala-se em dirigir todos os seus passos, toda a sua vida, toda a sua educação para esse único fim; único ao que parece, em perfeita harmonia com sua natureza.

E novamente vemos, frente a frente, o conceito de mulher e o de mãe. Porque resulta que os sábios não descobriram nenhum mediterrâneo; em todas as idades, têm-se praticado a exaltação mística da maternidade; antes exaltava-se a mãe prolífica, parideira de heróis, de santos, de redentores ou tiranos; de agora em diante, exaltar-se-á a mãe eugênica, engendradora, gestadora, parideira perfeita; antes a agora, todos esforços são convergentes para manter em pé a brutal afirmação de Okén que citava outro dia: “A mulher não é o fim, mas o meio da natureza; o único fim e objeto é o homem”.

Eu disse que tínhamos novamente os conceitos de mulher e de mãe frente a frente, e disse mal; agora temos algo ainda pior: o conceito de mãe absorvendo o de mulher, a função anulando o indivíduo.

Dir-se-ia que no transcorrer dos séculos, o mundo masculino tem oscilado, frente à mulher, entre dois conceitos extremos: da prostituta à mãe, do abjeto ao sublime, sem deter-se no estritamente humano: a mulher. A mulher como indivíduo racional, pensante e autônomo. Se procurarmos a mulher nas sociedades primitivas, apenas encontraremos a mãe do guerreiro, exaltadora do valor e da força. Se a procurarmos na sociedade romana, apenas encontraremos a matrona prolífica que supre a República com cidadãos. Se a procurarmos na sociedade cristã encontra-la-emos já convertida em mãe de Deus.

A mãe é o produto da reação masculina frente à prostituta, que é para ele toda mulher. É a deificação da matriz que o abrigou.

Contudo – e ninguém deve escandalizar-se pois estamos entre anarquistas e nosso compromisso primordial é restabelecer as coisas em seus verdadeiros termos, derrubar todos os falsos conceitos, por mais prestigiados que sejam – , a mãe como valor social não deixou de ser, até o momento, a manifestação de um instinto, um instinto tanto mais agudo quanto a vida da mulher só girou em torno dele durante anos; porém, instinto, afinal; apenas, em algumas mulheres superiores, alcançou a categoria de sentimento.

A mulher, em troca, é o indivíduo, o ser pensante, a entidade superior. Em nome da mãe, quer-se excluir a mulher, quando se pode ter mulher e mãe, porque a mulher não exclui nunca a mãe.

Desdenha-se a mulher como valor determinante na sociedade, dando-lhe a qualidade de valor passivo. Desdenha-se o aporte direto de uma mulher inteligente por um filho talvez inepto. Repito que há que se restabelecerem as coisas em seus verdadeiros termos. Que as mulheres seja mulheres antes de tudo; somente sendo mulheres e que se terão as mães de se necessita.

O que verdadeiramente me assusta é que companheiros que se chamam de anarquistas, alucinados, talvez, pelo princípio científico sobre o qual se pretende estar assentado o novo dogma sejam capazes de sustentá-lo. Frente a eles, assusta-me essa dúvida: se são anarquistas, não são sinceros; se são sinceros, não são anarquistas.

Na teoria da diferenciação, a mãe é o equivalente do trabalhador. Para um anarquista, antes que o trabalhador, está o homem, antes que a mãe, deve estar a mulher (falo em sentido genérico). Porque para um anarquista, antes de tudo e acima de tudo, está o indivíduo.”

Extraído de Mujeres Libres da Espanha: Documentos da Revolução Espanhola : Editora Achiamé, 2007; Rago, Margareth; Biajoli, Maria Clara Pivato.

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Solidariedade à Paula

Sunday, October 7th, 2012

É com muita revolta que recebemos ontem a notícia da agressão à Paula por parte de Gustavo. Não conhecemos a Paula, mas o simples fato dela ser uma mulher que sofreu uma agressão nos faz sentir como se a conhecêssemos, e nos faz querer nos solidarizar e fazer de sua denúncia a nossa.  Soma-se a isso o fato de ela se proclamar uma libertária do mesmo meio e subcultura que é nossa luta, nossa casa. Já o Gustavo conhecemos, a última vez que o vimos foi na 2º Feira Feira do Livro Anarquista de POA, no ano passado. Gustavo propôs um bate papo na programação da feira e tocou com a banda Nieu Dieu Nieu Maitre da qual faz parte. Antes disso já havíamos tocado em gigs juntxs e ele esteve presente na okupa N4 onde morávamos. Ao saber desta agressão nos sentimos muito tristes e decepcionados com a atitude do Gustavo. É muito difícil descobrir que um amigo ou alguém próximo cometeu violência contra uma mulher, também porque simplesmente é difícil virar a cara para um amigo. Mas é insustentável para nós como anarcofeministas ficarmos caladxs diante desta denúncia.

A agressão cometida por Gustavo, sofrida por Paula, nos mostra mais uma vez que o machismo permeia mesmo dentro da cena libertária/punk, que se propõe a combater isso. Não é nenhuma novidade que nos deparamos com atitudes machistas dentro da cena, e nem que estas atitudes ficam impunes. Não é nenhuma novidade que os caras se valham do privilégio masculino e de sua influência, seja por tocarem numa banda, seja por engajamento político. E quantas vezes a culpa recai sobre as mulheres agredidas que geralmente tem menos voz na cena? Isso se dá porque infelizmente ainda não somos capazes de parar de reproduzir o machismo que acontece na sociedade. O fato das mulheres terem menos voz é reflexo do patriarcado e o fato de serem culpadas das agressões que sofrem, também.

Nos revolta ler no relato de Paula, como coisas nas quais acreditamos e pelas quais lutamos podem ser usadas para envolver e ludibriar outras pessoas principalmente numa lógica de gênero machista. É angustiante vermos pessoas ditas anarquistas se esconderem atrás de teorias. E tem sido muito comum vermos pessoas usarem do amor livre como pretexto para manipularem outras pessoas, ao mesmo tempo que não desconstroem sentimentos de possessão e ciúmes criando intrigas, inimizades e dinâmicas de poder.

A solidariedade é toda à Paula indiscutivelmente, o seu relato não pode ser desacreditado e cabe a comunidade libertária/punk abrigá-la. A Paula precisa de apoio, credibilidade e compreensão enquanto Gustavo precisa reconhecer a agressão que perpetrou para que ele perceba o que fez e não cometa o mesmo com outras mulheres/meninas. É muito comum agressores não admitirem que agrediram e que foram abusivos, sendo isso também uma violência.

Inúmeras vezes em casos semelhantes, as mulheres se afastam da cena porque os agressores ali circulam sem maiores problemas, fazendo com que elas se sintam constrangidas e intimidadas. Como comunidade anarquista/punk temos que focar no debate feminista e de gênero para prevenir estas agressões e trabalhar criando espaços seguros, e que promovam o apoio e o empoderamento das vítimas/sobreviventes.

Não nos satisfazemos com as propostas que se polarizam entre o silencio e a omissão ou o linchamento. No entanto, acreditamos que cabe a vítima tomar as decisões de como lidar com o agressor e a nós cabe apoiar ela e suas decisões.

A violência contra uma é violência contra todas!

açãoantisexista//
ferida//
no rest//

07/10/2012

leia o relato da Paula http://bastademachismo.blogspot.com.br/2012/10/venho-atraves-desta-carta-de-repudio.html

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A Vadia Por Definição

Thursday, October 4th, 2012

Seguem as reflexões/questionamentos sobre a Marcha das Vadias. Novamente o texto é da ex Prostituta – sobrevivente de prostituição- Rebecca Mott.   Pra quem quiser conferir o original em inglês: rmott62.wordpress.com/2011/05/10/the-ultimate-slut/

A Vadia por definição

Este ano começou um movimento chamado Marcha das Vadias*, que pegou como fogo entre mulheres bastante privilegiadas, e que está bastante ligado com xs defensorxs do mercado sexual.

A Marcha surge da boa idéia de que nenhuma mulher ou menina deveria ser estuprada ou abusada por causa das roupas que ela estiver usando – ou por seu estilo de vida.  Isso é verdade – mas tem sido algo fácil para a indústria do mercado sexual manipular.

Afinal de contas, normalmente a Vadia por Definição está sob o controle do mercado sexual – ela é a prostituta, ela está dentro da pornografia violenta, ela é a acompanhante, ela é consumida pelos turistas sexuais.

Se você escolhe reinventar o termo Vadia – saiba que você está fazendo isso de um ponto de vista altamente privilegiado da qual a Vadia por Definição não tem acesso. Se você escolhe dizer que ser chamada de Vadia é algo empoderador – então escute as mulheres e meninas que estão envolvidas no mercado sexual que são desprovidas de poder e voz.

A Marcha das Vadias não está falando para ou pela Vadia por Definição. Está passando por cima e se utilizando dela.

Se fosse inventada por homens seria considerado arrogância, por que ex prostitutas tem que serem tolerantes só porque ela foi criada por mulheres?

Se você quer saber o que é ser uma Vadia, uma Vadia sem liberdade de ir e vir, sem liberdade de falar, sem direito a segurança – então se coloque na pele de uma Vadia por Definição.

Na maioria das vezes as mulheres e meninas no mercado do sexo são estupradas, espancadas e assassinadas independente do que vestem, independente do ambiente onde elas se encontram.

O que a Marcha das Vadias faz de fato que faça alguma diferença na prática quanto a isso?

Ao contrário, muitas das pessoas que participam da Marcha das Vadias dizem que as mulheres – evitando falar nas crianças envolvidas – escolhem entrar no mercado do sexo. Para essas pessoas ser uma Vadia é apenas um trabalho.

Essas pessoas então marcham orgulhosas da sua solidariedade para que o mercado sexual corra como um negócio normalmente.

Pra ser educada eu diria que isso é fechar os olhos para a violência que é uma regra dentro do Mercado sexual. Mas hoje eu não sinto vontade de ser gentil – eu diria então que esta é uma atitude egoísta e de alto privilégio, que vê as mulheres no mercado sexual como sub-humanas, que são boas apenas para serem usadas como propaganda enganosa.

Quantas são as mulheres que estão envolvidas no mercado sexual, neste “apenas um trabalho”, que tem estado nele por tempo integral por vários anos, sem nenhum poder ou escolha sobre como os clientes vão usar elas?

Quantas são as mulheres que envolvidas neste “apenas um trabalho” se encontram em condições onde o estupro é tão normal que não pode ser falado, onde mulheres desaparecerem é coisa normal, onde “Não” não significa nada?

Chame de trabalho quando você tem filas de homens esperando para despejar todas as fantasias pornográficas deles dentro de você.

Chame de trabalho, quando você perde a fala e a vontade de protestar que só levam a mais sexo sádico e ameaças de morte.

Esteja na pele de uma Vadia por Definição, então vá a Marcha das Vadias.

Eu nunca usarei o termo Vadia- porque eu nunca vou aceitar a Violência dos homens e odeio ver que a classe prostituída está se tornando ainda mais invisível por mulheres que dizem que está tudo bem serem chamadas de Vadias.

Vadia é um termo criado por homens com profundo desprezo e ódio por todas mulheres e meninas – mas para a Vadia por Definição, os homens estão dizendo que ela não significa nada além da coisa que eles vão foder até reduzi-l a lixo.

Como é possível se apropriar disso?

Estou sendo direta porque toda esta história tem me deixado mal. Leve em conta que eu me sentir mal é em parte por lembrar novamente que eu sou sub-humana para as mulheres suficientemente privilegiadas ao ponto de se apropriarem do termo vadia.

Eu não consigo esquecer quão venenoso é este termo – eu gostaria muito de conseguir.

Rebecca Mott.  10/maio/2011

* Do inglês Sluwalk. Apesar da equivalência dos termos Slut e Vadia, sentimos que o termo em português é mais brando. Em compensação o texto vale para a apropriação de outros termos também, como Puta e Vagabunda.

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Razões pelas quais eu não vou na Marcha das Vadias

Saturday, September 15th, 2012

Olá a todxs!

Estamos postando o texto “Razões pelas quais eu não vou na Marcha das Vadias”, escrito pela feminista radical, escritora e ex  prostituta, Rebecca Mott. Confira o site dela com seus textos (em inglês): http://rmott62.wordpress.com/

Traduzimos este texto para colaborar com o  blog Apoya Mutua – Espaço de Contra Informação e Sororidade Autogestiva  Feminista – iniciativa muito massa que propõe compartilhar textos, tutoriais, zines, notícias… e que sugeriu este texto da Rebecca Mott. vale muito a pena checar.

Este é primeiro texto de uma série sobre este tema que estaremos subindo aqui no blog. Estamos iniciando este debate,  sintam-se à vontade de participar comentando.

Razões pelas quais eu não vou na Marcha das Vadias

A Marcha das Vadias pode parecer uma forte ação feminista, mas para mim, como ex prostituta, parace uma forma negativa de lidar com a violência masculina contra todas as mulheres e meninas.

Não acredito que se apropriar da palavra “vadia” faça com que os homens agressores percebam algo de errado em seu comportamento, pelo contrário, se encaixa no jogo deles. Usar o termo vadia é se enquadrar naquilo que homens abusivos querem que as mulheres sejam. Chamar uma mulher ou menina de vadia é comumente usado para mantê-la como objeto sexual dos homens. Chamar uma mulher ou menina de vadia é usado para mantê-la heterosexual e não liberada, e que ela existe para agradar os homens.

Se apropriar da palavra vadia não faz com que a história simplesmente desapareça.

Mas pra mim como ex prostituta, duvido muito que as razões por trás da Marcha das Vadias – que foi tão rapidamente adotada por liberais e muitas vezes por feministas pró trabalho sexual – sejam em função de que ser vadia é considerado “trabalho” dentro do mercado do sexo.

Maravilha, outro truque para fazer desaperacer a violencia contra as mulheres que estão no mercado sexual, já que esse é o trabalho delas, e portanto não pode ser considerado violencia masculina, mas sim o papel da prostituta.

A Marcha das Vadias está nos interesses das mulheres privilegiadas que podem brincar com o papel de vadia, se vestir como uma puta, exibir cartazes com dizeres como “Vadias Dizem Sim”, que imaginam que as mulheres no mercado do sexo são empoderadas quando elas nos chamam de irmãs.

A Marcha das Vadias diz que o estupro é ruim quando feito contra mulheres e meninas”de verdade” independente do que elas vestem e onde vão. Mas ignora fortemente o estupro e a tortura sexual que acontecem diariamente contra as mulheres e meninas que estão no mercado do sexo.

Isto é ignorado – pois na visão da Marcha das Vadias isso é só trabalho – então não devemos julgar e nem mesmo nos aprofundarmos.

Algumas mulheres na Marcha das Vadias pensam que é radical se vestir com o estereótipo que elas tem da Vadia, ou com a versão cartunizada de uma puta. Elas podem chamar isso de burlesco, mas para as ex prostitutas isso é um insulto.

Se vestir como puta pra noite é frequentemente feito de uma posição de alto privilégio. Você se veste assim porque acredita estar segura, e se você for estuprada isso será um ultraje.

Fazer de conta que é uma puta não é ser uma puta.

A maioria das mulheres e meninas prostituídas não estão protegidas do estupro, não é um ultraje quando isso acontece – suas roupas e por onde andam são problemas menores comparados a viver numa sociedade que ignora seus sofrimentos, e usa sua imagem somente para fazer festa.

Além do que, como você ousa vestir-se com os estereótipos de puta que a maioria das prostitutas estão tentando se livrar. Na verdade você está mostrando seu privilégio.

Claro que eu acredito que nenhuma mulher ou menina deva ser estuprada em nenhuma situação, não importa o que ela esteja vestindo.

Mas a Marcha das Vadias está evitando o problema de que os homens que decidem estuprar irão estuprar mulheres e meninas não importando o que ela usa ou a situação que ela se encontra.

É o direito masculino de acreditar que todas mulheres e meninas não são nada além de objeto sexual que é a questão – é o ponto de vista do homem que mulheres e meninas podem ser pegas e estupradas sem sérias consequências pra ele, que é a questão.

Não é sobre as mulheres tentarem dar um jeito de se conformarem o suficiente para que homens agressores possam mudar seu comportamento – é sobre lutar por justiça e castigos severos que acabem com a violência cometida pelos homens.

Eu irei para o Reclaim the Night* – mas a Marcha das Vadias não faz nada por mim nem justiça para as prostituídas.

Rebecca Mott, 1º de Maio, 2011

*“Retome as noites” é um ato organizado por feministas que existe desde os 70 nos países de língua inglesa e que começou com protestar contra a cultura de estupro. Feministas marchavam a noite por causa da idéia comum de que ‘não ande em uma rua escura a noite pois poderá ser estuprada’. As marchas continuam sendo realizadas até hoje em muitos países. No Brasil houveram alguns em Brasília, Florianópolis e Curitiba, consistindo em intervenções urbanas. (nota da Apoya Mutua).

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GIG 31/03 – A Solução Não é Se Entregar!!!

Tuesday, March 27th, 2012

Sábado agora, dia 31 vai rolar uma gig com as bandas Chicken’s Call, No Rest e Vapaus.

Chicken’s Call é uma banda anarcopunk de Grenoble que faz um som punk melódico, com letras que falam sobre o sexismo, racismo, xenofobia… Os caras fazem parte de um coletivo que leva o portal Lustucrust, que hospeda as páginas de sete bandas, duas distros e um selo. Além disso o coletivo toca uma infoshop -Local Autogéré- com divulgação de material anarquista, anarcopunk e onde rolam atividades variadas. Estão pela segunda vez no Brasil, a primeira foi em 2008. Desta vez a turnê deles passa também por Uruguai e Argentina.

http://www.lustucrust.org/chickenscall_infos.html

A No Rest é banda local, que toca desde 1989. E neste tempo de existência passou por muitas influencias no som que variam do thrash ao punk. Letras sobre desigualdades, violência contra a mulher, machismo, xenofobia, conturbações políticas e psicológicas… A banda não toca em Porto Alegre desde 2008 e embora não tenha acabado ficou sem fazer gigs por este período porque o baterista mora na Alemanha para conviver com seu filho. A banda carrega na sua bagagem, turnês pelo Brasil, América latina e Europa, o cd Sick Society, o EP Contraditória Condição, os LPs Suportar a Dor e Todos os Disfarces, e faixas em coletâneas sendo a última delas uma compilação feminista lançada pelo selo francês Stonehenge.

Promessa – No Rest

Você não vai ser poupada e você vai se acostumar com humilhação entre flores algumas vezes como premio por te calares. Aquela proteção que dizem você merece receber faz parte do conceito de que você não é capaz, não deve agir. Você receba! Você espere! Você se submeta! Seu valor é tabelado é comparado a mercadorias. Sinto lhe dizer que você não vale muito, você não vale nada.  E o que você recebe? E o que você espera?  E a quem você se submete? Seu nome nunca foi seu, sua vontade nunca foi sua, seu comportamento uma idéia que venderam. É triste assim, é grave assim, é real assim.  Você não vai ser POUPADA! Nada é tão certo quanto isso, a tua própria realidade. Onde justiça e respeito não fazem parte. Sendo esta luta seu bem mais precioso e sincero e a promessa de uma situação melhor para as que virão.

http://norest.noblogs.org/

Vapaus também é de Porto Alegre e toca há pouco mais de um ano. Elxs fazem um som punk, com influências de d-beat e HC finlandês. Assim como o nome da banda, que significa liberdade em finlandês, algumas das letras também são cantadas nessa língua, herança de Outi, finlandesa que morou aqui na cidade e fez parte do projeto no inicio da banda.

http://www.youtube.com/watch?v=DBlaHjG-HCQ&feature=related

O som vai rolar no Garagem Hermetica e a primeira banda começa por volta da meia noite.
Como sempre estará rolando troca e venda de materiais independentes, discos, zines, camisetas, etc. Estaremos também levando os zines do açãoantisexista, traga também seu material para compartilhar!

O ingresso é 10 pilas até a meia noite e 15 após, então chegue cedo!

Apóie a cena local e a banda que está em turnê!

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